Dissertações/Teses

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2024
Descrição
  • AMANDA BRUNA MENDES DA SILVA
  • CONTOS AFRICANOS DE LÍNGUA PORTUGUESA: uma análise da memória e a construção da identidade

  • Data: 27/06/2024
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  • Esta dissertação explora a relação entre memória e construção de identidade através da análise de quatro contos africanos em língua portuguesa, focalizando especificamente a forma como esses contos contribuem para a preservação da memória coletiva e a construção de identidades individuais e coletivas. O foco reside em entender como essas narrativas funcionam como expressões literárias que abordam essa interação complexa. São investigadas as influências das tradições culturais, históricas e linguísticas, bem como as representações de
    pertencimento e autenticidade presentes nesses contos. O objetivo central é analisar como essas histórias contribuem para a formação de identidades individuais e coletivas, enfatizando o papel vital da memória cultural na preservação e transmissão de valores, tradições e legados históricos. A metodologia adotada nesta pesquisa é fundamentada na pesquisa bibliográfica, seguindo as diretrizes de Minayo e Sanches (1993). Aqui, são concentradas as análises dos contos africanos em língua portuguesa, explorando a intertextualidade, as narrativas e as conexões entre a literatura e a construção de identidade. A pesquisa se deu em quatro contos: dois de autoria de Luís Bernardo Honwana, “Nós matamos o cão tinhoso” e “As mãos dos pretos” pertencentes à obra Nós matamos o Cão Tinhoso!, publicada na década de 1960; e dois contos de Ndalu de Almeida - conhecido como Ondjaki - intitulados “O Último Carnaval da Vitória” e “O Portão da Casa da Tia Rosa”, que fazem parte do livro Os da minha rua, publicado em 2007. O estudo incorpora diversas referências teóricas, explorando a tradição oral literária com base em estudos de Cascudo (2003), Benjamin (1987 e 2012) e Ricoeur (1994). Ademais, as análises dos contos sob a perspectiva da memória e da identidade são fundamentadas em
    estudos de Halbwachs (2013), Bergson (2006), Le Goff (2003), Stuart Hall (2006), Pollak (1989) e Candau (2019). Esta dissertação visa explorar a interrelação entre memória, identidade e expressão literária nos contos africanos em língua portuguesa, contribuindo para uma compreensão ampliada da diversidade cultural e histórica dessas narrativas.

  • ANA FLÁVIA DOS SANTOS MARTINS
  • DESCOBRINDO ANGOLA: o discurso poético de Viriato da Cruz e a luta pela Independência

  • Data: 03/05/2024
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  • Submersa num mar desconhecido, esta dissertação lança luz sobre a literatura de Angola, ao propor uma análise inédita do discurso pela independência na obra de Viriato da Cruz. A motivação para este estudo reside no pouco que dele se sabe, do desconhecimento da importância que teve sua curta produção literária no engajamento popular nos movimentos pela liberdade. Com foco nas estratégias retórico-discursivas de mobilização política em sua única obra publicada, Poemas (1961), apresentada como recurso desencadeador do processo de descolonização do continente africano, realiza-se uma pesquisa documental e bibliográfica, utilizando a abordagem teórico-metodológica da Análise do Discurso Crítica de Fairclough (1989, 1992, 2003), Wodak e Meyer (2001), para compreender o papel ideológico do discurso literário na produção, manutenção e mudança das relações sociais de poder. A polifonia discursiva acerca da e contrário à ideologia colonialista apresenta uma perspectiva inexplorada que a insere no cerne do Regime Salazarista, inspirado pela bio-política darwinista e pelo luso-tropicalismo brasileiro de Gilberto Freyre (1933, 1940). O contraponto discursivo é construído por ele nos limiares do marxismo, ao desafiar estruturas hegemônicas como o eurocentrismo, o patriarcalismo e o etarismo progressista. Investiga-se, ainda, como um movimento intelectual cujo lema: “Vamos Descobrir Angola!”, mobilizou uma inquietude popular que resultou na criação do Movimento Popular de Libertação de Angola, fazendo nascer no recém-poeta um político incansável. Esta pesquisa revela como escolhas linguísticas, gramaticais, semânticas e sintáticas, incluindo a lexicalização da língua do colonizador (o português europeu) e a língua bantu africana do colonizado (o quimbundo), engendram uma riqueza intertextual capaz de, em um único verso, entrelaçar cantiga trovadoresca e poesia concreta brasileira. Com isso, Viriato da Cruz enfrenta a ideologia do Estado Novo e faz da poesia um convite à revolução, testemunhando que no discurso literário habita um desconhecido e poderoso veículo de transformação social.

  • ANDREA FARIAS DE ARAUJO
  • IDENTIDADES FRAGMENTADAS E RECONSTRUÍDAS: UMA ANÁLISE DA OBRA O MAPEADOR DE AUSÊNCIAS DE MIA COUTO

  • Orientador : SILVANA MARIA PANTOJA DOS SANTOS
  • Data: 03/06/2024
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  • O objetivo deste estudo consiste em analisar a obra O mapeador de ausências(2020) de Mia Couto, com foco na jornada introspectiva do narrador-personagem. Esse caminho é delineado pelas vivências e ressignificações do passado do protagonista, visando à reconstrução da identidade. Além disso, o estudo dá ênfase à vida de personagens que, afetados por diferentes formas de ausências – sejam elas físicas, emocionais ou sociais –, buscam conexões com o passado. O protagonista adentra os vazios deixados por experiências e memórias fragmentadas, criando um mapeamento simbólico de espaços esvaziados de significado. A trama se desenrola em meio a histórias entrelaçadas, cujas ausências refletem marcas que moldam a vida dos personagens. Diante disso, o trabalho tem como objetivo analisar o processo de reconstrução identitária na obra O mapeador de ausências (2020), de Mia Couto, a partir da rememoração do narrador-personagem. Para tanto, a pesquisa se apoia na visão de Halbwachs (2006) e Bachelard (1993) que discutem, respectivamente, memórias coletivas e espaços de vivência, sendo a memória preservada, a partir dos efeitos que ressoam nos discursos. Além disso, no eixo memória e identidade, foi relevante o diálogo com Ecléa Bosi (1999), Bergson (1999), Candau (2016) e Halbwachs (2005), focando em abordagens específicas que enriquecem nossa compreensão da relação narrador-personagem com o passado. O narrador-personagem, ao vivenciar a ausência do pai, expõe não só a falta desse ente querido, mas também o sentimento de vazio em relação à própria identidade.

  • ANDRESON ALEX MOREIRA LIMA
  • EDUARDO E MÔNICA: o encontro do cinema, da literatura e da canção

  • Data: 07/06/2024
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  • O objetivo deste trabalho é analisar o diálogo existente entre a canção Eduardo e Mônica e seu filme homônimo. A canção, composta por Renato Russo e lançada no álbum "Dois" de 1986 pela banda Legião Urbana, tornou-se um clássico da música brasileira. O filme, por sua vez, foi dirigido por Renê Sampaio com roteiro de Gabriel Bortollini e Jéssica Candall. Embora tenha sido concluído em 2020, o lançamento foi adiado para janeiro de 2022 devido à pandemia de COVID-19. Ambas as obras são ambientadas na década de 1980 e exploram o improvável relacionamento entre Eduardo e Mônica, dois jovens com personalidades e interesses muito diferentes. A dissertação emprega os conceitos da teoria da adaptação de Linda Hutcheon (2011) e Robert Stam (2000) como base para a análise. De acordo com essa abordagem, cada obra é avaliada de acordo com sua própria linguagem, considerando todas as suas especificidades, sem a limitação de ser uma mera transposição de uma mídia para outra. A pesquisa se fundamenta em uma ampla gama de teóricos e autores que exploram as nuances da canção e da poesia como formas de expressão literária e artística. Entre eles, Antônio Aguiar (2006) discute as multifuncionalidades da literatura e da canção, abordando aspectos poéticos, hedonísticos, comunicativos e sociais. Antônio Medina Rodrigues (1990) realça a complexa relação entre música popular e poesia moderna brasileira, enfatizando a importância da melodia no entendimento do texto cantado. Affonso Romano de Sant'Anna (1978; 2001) e Nelson Costa (2003) destacam a interação histórica entre canção e poesia no Brasil, argumentando a favor da riqueza lírica nacional e da necessidade de reconhecer as qualidades literárias das canções. Norma Goldstein (1988) e Massaud Moisés (1987) contribuem com discussões sobre a estrutura poética e a essência da poesia, respectivamente, enquanto Falcão (2006) descreve a canção como um gênero híbrido que merece atenção nos estudos literários. Steven Paul Scher e Charles Perrone (1986) abordam a relação indissociável entre literatura e música, destacando a canção como um campo fértil para análise literária. A pesquisa visa, portanto, reconhecer e analisar a profundidade e a intertextualidade entre canção e cinema, utilizando as teorias de Linda Hutcheon (2011) e Robert Stam (2000) sobre adaptação, além dos contributos de outros teóricos mencionados, para explorar como esses dois meios narram a mesma história, enriquecendo a compreensão das dinâmicas culturais e sociais que eles refletem e moldam.

  • ARISSANDRA ANDRÉIA DOS SANTOS
  • MEMÓRIA E IMAGINÁRIO EM FLORES INCULTAS: O (DES)VELAR DAS IMAGENS POÉTICAS EM LUIZA AMÉLIA DE QUEIROZ

  • Data: 23/04/2024
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  • A presente pesquisa tem por objetivo analisar as imagens poéticas presentes na produção literária de Luiza Amélia de Queiroz, na obra “Flores Incultas” (2015). Nessa perspectiva, averiguamos as imagens que constelam por meio do imaginário, visto que essa poética sentimental possui vestígios memorialísticos carregados de traços subjetivos, mas que foram construídos coletivamente. Quanto à metodologia, trata-se de uma pesquisa bibliográfica de cunho qualitativo-interpretativo, focando na análise de dez poemas selecionados para o corpus.
    A priori, buscamos identificar a maneira como o imaginário da autora é influenciado pelo contexto social no qual ela estava inserida. Diante disso, os poemas selecionados trazem temáticas variadas que traçam o perfil sentimental da autora, desde aqueles que envolvem os sentimentos telúricos da terra natal e da infância aos que perpassam a vida adulta, demonstrando a luta e a reflexão da mulher que manifesta uma postura transgressora, bem como aqueles que produzem um canto mais melancólico com o presságio da morte, isto é,
    aqueles produzidos na velhice. A posteriori, à luz da fenomenologia das imagens poéticas, buscamos adentrar no fenômeno da imaginação criadora, visto que, anterior ao manusear da pena, existiu o universo onírico, o devaneio e o sonho, instâncias que são perceptíveis no poetar da escritora. Para embasamento teórico nos respaldamos na noção de trajeto antropológico, preconizado por Durand (2019) e no epistemólogo Gaston Bachelard, em suas poéticas, do devaneio (2018) e do espaço (1998). Além disso, trabalhamos com a palavra poética, nesse contexto, somamos ao trabalho as concepções de Paz (1982) e Bosi (1977). Os resultados dessa
    pesquisa apontam que as condições imaginárias, memorialísticas e simbólicas são fortemente influenciadas pelos fatores socioculturais vivenciados pela autora, por isso, através do eu-lírico, podemos acessar e mapear uma série de imagens que evidenciam o (des)velar de uma constelação de imagens poéticas de cunho arquetipal, as quais as apresentamos divididas em cinco eixos no presente trabalho: a terra natal, a infância, a luta, as reflexões e o presságio da morte.

  • CINTHIA ANDRÉA TEIXEIRA DOS SANTOS
  • “O MIRANTE VÊ ALÉM DO DIA”: CIDADE E MEMÓRIA EM " OS CANHÕES DO SILÊNCIO" DE JOSÉ CHAGAS

  • Orientador : SILVANA MARIA PANTOJA DOS SANTOS
  • Data: 03/06/2024
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  • A memória desempenha um papel fundamental na literatura, tanto como tema quanto como ferramenta de ressignificação do passado. Partindo dessa premissa que o presente estudo objetiva analisar a obra “Os Canhões do Silêncio”, de José Chagas, numa perspectiva memorialística. Para tanto, interessa entender como se dá a relação do sujeito poético com a paisagem e espaços da cidade; como se formam as memórias a partir dos lugares históricos e quais elementos corroboram para a construção da memória do lugar. A obra em questão é constituída de 200 páginas, cujas imagens poéticas dialogam com a história e memória da cidade de São Luís do Maranhão. Em Os Canhões do Silêncio, o poeta constitui uma inquietante pergunta sobre o ser e o tempo por meio do uso da metonímia do mirante e do bairro Desterro, cujo eu poético reflete sobre a trajetória histórica do lugar entre o esplendor e a decadência, o eu do poema metaforiza as contradições de grandeza e miséria, de virtude e vício, de permanência e perecimento que assinalam a história cronológica do ser humano no local. Nessa perspectiva, a análise literária tem como fundamentos as obras de: Assmann (2011), Bachelard (2008),
    Halbwachs (2013), Le Goff (1994), Santos (2018), dentre outros. Constatou-se sobre a obra um universo literário completo e muito bem desenvolvido que prende a atenção e provoca sentimentos variados, ao mesmo tempo em que as belezas de São Luís são narradas, há a presença da tristeza e melancolia do eu lírico ao recordar o passado da cidade. Além disso, ressalta-se que a cidade representa não apenas a morada física para o corpo do eu lírico, mas, também o local que abriga suas emoções e guarda memórias profundas que transcendem em tempo e espaço.

  • EZEQUIAS COSTA BRITO
  • RETRATOS DE UM POVO NA POESIA DE JOÃO DO VALE: a arte como resistência

  • Data: 27/05/2024
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  • Esse trabalho tem o objetivo de analisar a poesia valeana nas canções: “A voz do povo, Carcará, Pra mim não, Peba na Pimenta, Minha história, A lavadeira e o lavrador, Pisa na fulô, O Jangadeiro, Fogo no Paraná, Ouricuri, O bom filho à casa torna e Sina de caboclo”, do álbum “O Poeta do Povo”, de João do Vale, poeta e compositor maranhense, situando-as como manifestações de resistência na arte e na cultura e reconhecendo-as como mecanismos de denúncia contra explorações socioeconômicas instaladas no Brasil, principalmente nas décadas de 60 e 70 do século XX, ancorado em trabalhos de teóricos como Alfredo Bosi, Paschoal, Marques e Paul Zumthor, e em trabalhos de pesquisadores da obra de João do Vale, tais como Damazzo, Ludmila Gondim, dentre outros e em entrevistas com familiares do poeta, em busca de apresentar a produção de João do Vale como um caminho que siga seu rumo ao despertar de consciência política plantada na arte.

  • GIOVANNA CORDEIRO SALDANHA BRAGA
  • ORDEM E CAOS: análise da degeneração social em Senhor das Moscas

  • Orientador : ANDRÉA TERESA MARTINS LOBATO
  • Data: 26/06/2024
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  • O presente trabalho possui como objetivo analisar a obra do britânico William Golding, intitulada Senhor das Moscas, a fim de que possamos examinar as perspectivas da perda do mando civilizatório. A narrativa ocorre numa ilha deserta na qual um grupo de meninos éejetado de um acidente aéreo em meio a uma guerra mundial, e, assim, devem ter quesobreviver sem a supervisão de um adulto até um possível resgate. Nesse viés, intentamos,com esse pressuposto, verificar a narrativa e as nuances que levam seus personagens a tomarem decisões e a agirem de uma forma que se distancia dos padrões de ideal. Para isso,partimos de uma análise do Século XX, o qual é o cenário modelo de Walter Benjamin,filósofo que trazemos seus pensamentos para corroborar conosco, bem como de WilliamGolding, o autor do livro. Em seguida, empreendemos um estudo acerca de Walter Benjamine a sua teoria estética na modernidade e, por fim, realizamos uma breve biografia de William
    Golding e as perspectivas do conturbado Século XX para a construção de uma obra como Senhor das Moscas. Analisamos, posteriormente, a obra Senhor das Moscas de maneira ampla, a fim de que, com a progressão capitular, possamos observar os principais fatores que levam ao final do enredo, dentro dos opostos ordem e caos. Por fim, trazemos uma breve reflexão acerca do Estado de Natureza e do Poder, conforme a filosofia de Thomas Hobbes.

  • GISELE FERREIRA BRITO
  • ESPAÇO E MEMÓRIA: a relação telúrica das personagens em Torto Arado, de Itamar Vieira Junior

  • Data: 07/05/2024
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  • O romance Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, tem conquistado lugar de destaque no cenário da literatura brasileira contemporânea, principalmente por trazer à tona as relações mais profundas que as personagens estabelecem com o espaço — a região da Chapada Diamantina, na Bahia. Assim, a espacialidade e a geograficidade se unem às manifestações da memória dessas personagens, no sentido de demarcar um lugar existencial e fundamental na terra, em uma relação telúrica. Nesse contexto, analisamos o espaço e a memória no romance Torto Arado, com enfoque nos sentimentos dos que ali vivem, por três caminhos a percorrer: apresentar visões fenomenológicas sobre os espaços e as manifestações da memória na narrativa; relacionar o homem e a terra em uma concepção telúrica; identificar elementos simbólicos e a representação da terra, Chapada Diamantina, para as personagens. Como embasamento teórico, recorremos aos pressupostos da crítica literária, na sua relação com os fenômenos do espaço e da memória, a partir dos trabalhos de Aleida Assmann (2011), Alfredo Bosi (2006), Marandola Junior, Werther Holzer e Lívia Oliveira (2014), Eric Dardel (2015), Gaston Bachelard (1993), Georg Lúkacs (2009), Jacques Le Goff (2003), Joel Candau (2011), Luís Santos e Silvan de Oliveira (2001), Martins Heidegger (1988), Maurice Halbwachs (2003), Michael Pollak (1992), Regina Dalcastagnè (2012), Yi-Fu Tuan (1983). Metodologicamente, esta pesquisa configura-se como bibliográfica, de abordagem fenomenológica, pois observamos como a memória e o espaço se mostram nos domínios da ficção.

  • JEFFERSON GOMES OLIVEIRA
  • POR UMA ESTILÍSTICA TRAVESTI: um estudo da putagrafia em E se eu fosse pura, de Amara Moira

  • Orientador : MARIA IRANILDE ALMEIDA COSTA PINHEIRO
  • Data: 28/06/2024
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  • A presente pesquisa é uma análise acerca da obra E se eu fosse pura, de Amara Moira. Obra que se originou a partir de um blog em que Amara Moira escrevia sobre suas experiências no universo da prostituição e sobre seu processo de transição. Diante disso, este estudo foca-se na análise das falas marginalizadas das travestis e transexuais na literatura, compreendendo como se autorrepresentam esses sujeitos na obra, suas percepções e vivências, assim como o enfrentamento social e político na qual esta narrativa procura se inscrever. Nesse sentido, pretende-se caracterizar a mulher prostituta e travesti na perspectiva histórico-social e suas relações com a obra, analisar como a escrita de si permite vislumbrar tanto o protagonismo de uma alteridade corporal historicamente expurgada dos espaços de poder, em especial, o literário, quanto as múltiplas violências por ela sofridas. Para a produção dessa pesquisa, busca-se suporte teórico inicialmente nos trabalhos de Karine de Medeiros Ribeiro (2020); Margareth Rago (2013); Paul Beatriz Preciado (2014) e Monique Prada (2018). Além disso, recorre-se também a vários campos do conhecimento, desde a Teoria Literária aos estudos sociais e culturais que versam sobre a temática da travestilidade e prostituição em outros contextos. Desta forma, intenta-se refletir sobre as (auto) representações sociais da travesti e prostituta presentes na literatura, em especial a brasileira e analisar a estilística putagráfica da travesti Amara Moira em seu livro e como ela contribui para a produção literária contemporânea.

  • JOSILENE DOS SANTOS SOUSA
  • MEMÓRIA E LITERATURA: MEMÓRIA ANCESTRAL E A ESCRAVIDÃO EM ÚRSULA, DE MARIA FIRMINA DOS REIS

  • Data: 28/05/2024
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  • Este trabalho explora a relação entre memória ancestral e a história, com enfoque nas personagens negras da obra Úrsula (1859), de Maria Firmina dos Reis. Desse modo, abordamos as questões de raça e etnia, bem como a condição dos escravizados na obra em estudo. Com base no referencial teórico, damos ênfase à memória e à ancestralidade, bem como a construção da narrativa das personagens negras (Susana e Túlio). Na composição da obra, são apontados aspectos que tocam em questões como a escravidão e a ancestralidade, dentre outros temas ligados ao colonialismo, como o patriarcado. Além disso, a narrativa revela também em seu enredo várias
    subjugações que as personagens negras, do período escravocrata do século XIX, eram submetidas. Diante disso, a análise, aqui, proposta, baseia-se em pesquisa bibliográfica de cunho qualitativo e descritivo, cujo enfoque é analisar uma obra literária a partir de uma perspectiva crítico-social dos personagens selecionados. Nesse enfoque, essa pesquisa justifica-se por abordar as memórias dos personagens negros supracitados, evidenciando como esses elementos se fazem importantes na construção memorialística a respeito de aspectos socioculturais que, de diferentes maneiras, ainda se fazem presentes na sociedade. Para fundamentarmos essa discussão, utilizamos as contribuições teóricas de autores como: Andrade (2021); Andreta (2013); Duarte (2005); Agenor Gomes (2022); Halbwachs (2003); Reis (1859; 2018); Evaristo (2007-2022); Hall (1996), entre outros. Para tanto, os resultados apontam que a obra Úrsula possui uma verossimilhança com os acontecimentos históricos da época escravagista, mas transcende seu caráter histórico, materializando-se como ficção. Dessa forma, a obra traz uma reflexão em relação aos diálogos memorialísticos e a ancestralidade das personagens negras, visto que essa memória ancestral trava um diálogo com a construção da identidade afro-brasileira e africana.

  • LARISSA DE JESUS HOLANDA ROCHA
  • POESIA E MEMÓRIA NA OBRA “É NOSSO O SOLO SAGRADO DA TERRA”, DE ALDA ESPÍRITO SANTO

  • Orientador : SOLANGE SANTANA GUIMARÃES MORAIS
  • Data: 29/05/2024
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  • Alda Espírito Santo, em sua obra É nosso o solo sagrado da terra (1978), através de poemas, faz a releitura das lutas, desafios e aspirações da população santomense, ressaltando suas experiências e dificuldades. Sua escrita tornou-se eficaz para transmitir as vozes silenciadas e para promover a conscientização sobre as questões de desigualdade e opressão colonial. Nesse sentido, seus poemas apresentam a voz dos marginalizados, enfatizando a importância da igualdade, dignidade e justiça para todos, independentemente de seu gênero ou idade. Desse modo, este trabalho se baseia na perspectiva memorialística para analisar os poemas que se enquadram nessa linha de pesquisa, uma vez que a autora relembra acontecimentos do passado como forma de incentivar o espírito libertário diante da opressão colonial. Diante dessa situação, a atenção desta pesquisa está centrada nos estudos teóricos sobre a poesia, memória e a base de formação da literatura santomense. O estudo é qualitativo, bibliográfico, crítico literário, baseado na visão teórica de Bosi (1977), Candau (2005; 2011), Cortez e Rodrigues (2005), Crippa & Laranjeira (2018), Eliot (1991), Fanon (1968), Fraga (2006), Halbwachs (2006), Mata & Padilha (2006), Margarido (1994), Negueiros (1895), Paz (1982), Pollak (1989), Schlegel, Seibert (2015) e outros. A obra É nosso o solo sagrado da terra, evidencia como a literatura proporciona reflexões sobre o lugar que as minorias ocupam na sociedade e como a memória coletiva é fundamental para a sua organização.

  • MARIA RITA SILVA RAMOS
  • A REPRESENTAÇÃO DA IDENTIDADE CULTURAL SERTANEJA NA CANÇÃO “LUAR DO SERTÃO” DE CATULLO DA PAIXÃO CEARENSE

  • Orientador : SOLANGE SANTANA GUIMARÃES MORAIS
  • Data: 28/06/2024
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  • O presente estudo literário tem como foco discorrer sobre a representação da identidade cultural sertaneja a partir da análise da canção Luar do Sertão (1914), do poeta maranhense Catullo da Paixão Cearense (1863-1946). Essa canção marcou gerações, em virtude de caracterizar o modo de ser e sentir do sertanejo, que necessitou sair de sua terra natal em busca de melhores condições de sobrevivência nos grandes Centros urbanos do Brasil. Catullo (1863-1946) é um dos principais poetas de narrativas regionalistas que tratam das especificidades do Sertão nordestino. Acerca da necessidade do estudo sobre a identidade cultural, é importante salientar que esse campo de pesquisa ganhou destaque nas Ciências Sociais, principalmente, a partir da década de 1990, mediante as transformações históricas, econômicas, culturais e sociais inerentes a essa década (HALL, 1997). Neste contexto, apresenta-se como objetivo geral da pesquisa: analisar a representação da identidade cultural sertaneja na canção Luar do Sertão (1914), de Catullo da Paixão Cearense (1863-1946). A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica, de cunho qualitativo. Por fim, mediante as leituras realizadas, constatou-se que a importância da representação identitária do sertanejo, por Catullo, reside na construção de um sujeito cônscio de suas raízes, que sente orgulho de sua cultura e, embora “enraizado” em outra terra, sente saudades do seu lugar que deixou para trás. Catullo, por sua obra, consagrou-se como poeta do povo.

     

  • MILLENA CRISTINA SILVA PORTELA
  • FICÇÕES DE PODER E EXISTÊNCIA: a ficção especulativa em ascensão, narrativas de futuros pretos e uma análise de “A Quinta Estação” de N.K Jemisin e “O Último Ancestral” de Ale Santos

  • Data: 28/05/2024
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  • A criação de ficções é uma prática que acompanha os seres humanos desde o início de sua jornada. A partir dela foram criados vetores que regem a sociedade até os dias de hoje. A literatura, por sua vez, pode ser descrita como a arte de criar e contar histórias e, por diversas vezes, pode ser a materialização da ficção. Esse maravilhoso movimento que a literatura faz acaba por inspirar a composição de gêneros, subgêneros e narrativas que estremecem e, por vezes, subvertem as noções cristalizadas do que é, como e para quem se produz a arte literária. A Ficção Especulativa, gênero que tem como característica principal a especulação do passado, do presente e do futuro por meio de narrativas literárias criativas é um dos exemplos desse processo. A Ficção Especulativa é um fenômeno em ascensão, pois viabiliza a existência de obras que desafiam as regras
    do que vem sendo produzido até então pelos gêneros e subgêneros literários especulativos, como é o caso da Ficção Científica. Assim, a Ficção Especulativa, por sua natureza diversa e abrangente, abre espaço para produções e vozes nunca ou poucas vezes consideradas, a exemplo narrativas especulativas pretas, a utopia preta e o Afrofuturismo, que surge como uma resposta à carência de autores pretos e suas obras na Ficção Científica. O Afrofuturismo é um movimento de contestação e transformação, seu propósito maior é a produção de imagens e narrativas criadas e protagonizadas por pessoas pretas. Tal exercício é fundamental e necessário quando consideramos os efeitos violentos que o sequestro do Atlântico causou nos sujeitos em diáspora. A concepção de narrativas de esperança, de passado e de futuro para sujeitos que vivem em constante ameaça de genocídio configura uma das mais subversivas estéticas encontradas na contemporaneidade e uma das mais populares, se levarmos em consideração nomes e produções de sucesso como o longa Pantera Negra (2018), a obra cinematográfica Medida Provisória (2021), dirigido por Lázaro Ramos, e a produção audiovisual Black is King (2020), de Beyoncé. O Afrofuturismo, principalmente nos últimos anos, tem representado um marco cultural importantíssimo para a contemporaneidade. Portanto, este trabalho tem como objetivo compreender os fatores que configuram a emergência de narrativas de futuros de perspectivas pretas e suas influências na construção de um possível novo movimento artístico-literário. Para tal, buscamos empreender uma análise literária das obras A Quinta Estação, de N.K Jemisin e O Último Ancestral, de Ale Santos, com o fim de mapear as características e particularidades desse gênero em ascensão.

  • MIRELLE EVANGELISTA DE OLIVEIRA
  • Adaptação e Malandragem em A morte e a morte de Quincas Berro D’água:
    Um estudo comparativo entre dois mundos

  • Orientador : DOUGLAS RODRIGUES DE SOUSA
  • Data: 28/05/2024
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  • Jorge Amado é considerado um dos escritores mais afamados do Brasil e manteve-se conhecido internacionalmente pelos contextos de suas obras que são relacionadas à cultura de um povo, desigualdade social, malandragem, entre outros. Nessa dissertação, investigamos o romance A morte e a morte de Quincas Berro D’água (1994) e o filme A
    morte de Quincas Berro D’água (2010), de Sérgio Machado. É realizada uma análise comparativa entre uma obra e um filme, com o objetivo de investigar como se dá o processo de transcrição/adaptação entre romance e filme, considerando como as imagens do personagem principal foram representadas na linguagem do cinema. Para isso, procura-se as singularidades próprias da linguagem cinematográfica, buscando demonstrar como a narração da obra pode ser transcrita para a película. Ao adaptar o livro de Jorge Amado A morte e a morte de Quincas Berro D’água (1994), Sérgio Machado apresenta a malandragem, bem como caracteriza os traços malandros e como esse sujeito se comporta na presença da sociedade. Para comprovar esta pesquisa, utilizaremos teorias de autores como: Hutcheon (2013), Da Matta (1986, 2020), Candido (2000), Porfirio (2021), Garafini (2010), entre outros.

  • MUCTARR MARSARAY
  • O NEGRO E O RETRATO DA MARGINALIDADE:

    uma análise da representação do negro no romance “A Balaiada” de Viriato Corrêa

  • Orientador : JOSÉ HENRIQUE DE PAULA BORRALHO
  • Data: 29/05/2024
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  • A literatura brasileira tomou para si um modelo eurocêntrico, causando um apagamento das contribuições da cultura africana na sociedade brasileira, uma forma de manter os afrodescendentes passivos diante de uma realidade cruel a que eram submetidos. Desde o Brasil colônia, houve a hipersexualização da mulher negra e a inferiorização do homem negro, dessa forma, a estigmatização do negro fez surgir vários preconceitos raciais que foram capazes de sobreviver à abolição da escravatura. O presente estudo foi baseado em uma análise da obra literária A Balaiada: romance histórico do tempo da Regência (1996), do autor maranhense, Viriato Corrêa, focando-se na representação do negro e o retrato da marginalidade presente na obra, bem como nos estereótipos criados em torno desse movimento das massas populares. Como objetivo geral: Analisar a construção do estereótipo de raça na obra A Balaiada: romance histórico do tempo da regência de Viriato Correa. Verificou-se na análise literária a predominância de um discurso que inferiorizava os homens negros e sexualizava a mulher preta.   Nesse contexto, contra essa construção negativa da identidade negra, a literatura atua como ferramenta de enfretamento ao racismo; de fortalecimento do sujeito histórico-social do negro.

  • PETERSON JACOB DOS SANTOS MEILI
  • VOZES, VIOLAS E MEMÓRIA: uma análise das imagens poéticas nas cantorias de viola de João Currute

  • Data: 26/04/2024
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  • A presente pesquisa tem por objetivo analisar, à luz do imaginário durandiano, as imagens arquetípicas nas cantigas de cantoria de viola do cantador João Currute, do município de Brejo/MA. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, exploratória e descritiva, na qual analisaremos algumas canções do artista popular a fim de destacar
    as imagens arquetípicas que permeiam as cantigas da literatura oral do cantador. Como referencial teórico e instrumentos metodológicos, contamos com a análise de conteúdo de Laurence Bardin (2011), a psicanálise de Carl G. Jung (2016), a classificação isotópica das imagens de Gilbert Durand (2017), as fenomenologias da poética do espaço e outras obras sobre os elementos da matéria, de Gaston Bachelard (1989, 1994, 1996, 1998a, 1998b, 2001a, 2001b, 2003), os estudos mitológicos de Joseph Campbell (1997) e com Mircea Eliade (1992) no estudo das religiões. Como resultados, temos que as cantigas de João Currute são permeadas de um imaginário arquetípico centrado na figura do vaqueiro da região do Baixo Parnaíba Maranhense e dividida em quatro eixos analíticos: o herói vaqueiro, a morte do herói, o amor eros e a sátira do vaqueiro vacilão.

  • RAICE ADRIELLE RIBEIRO MARTINS
  • A (DES)CONSTRUÇÃO DO EVANGELHO DE CRISTO: análise do discurso crítica no romance de José Saramago

  • Orientador : FABÍOLA DE JESUS SOARES SANTANA
  • Data: 17/06/2024
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  • A presente pesquisa tem por objetivo analisar como ocorre a (des)construção do discurso religioso cristão na obra O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), de José Saramago. Nessa perspectiva, pretende-se analisar os elementos discursivos, a prática social e a prática textual da obra de modo a entender como se configura a (des)construção dos discursos baseados nos evangelhos canônicos. Quanto à metodologia, trata-se de uma pesquisa bibliográfica de cunho qualitativo-interpretativo. Para embasamento teórico, baseia-se na Análise do Discurso Crítica a partir do modelo tridimensional de Norman Fairclough (2001, 2003). A priori, a análise foi feita considerando a descrição estrutural do gênero textual do evangelho (narrativa histórica), da descrição dos tipos de discursos, das camadas intertextuais e interdiscursivas encontradas na prática discursiva e da descrição dos elementos temáticos que constituem o evangelho, ressaltando as ideologias e hegemonias presentes. Os resultados desta pesquisa indicam que existem fatores que contribuem para a (des)construção do evangelho saramaguiano, tais como a recriação da história canônica de Jesus e dos personagens emblemáticos da cultura cristã. No âmbito textual, observa-se que o texto adquire características estruturais, gramaticais, organizacionais e vocabulares próprias, configurado sob uma perspectiva oral. Quanto à prática discursiva, o autor vale-se de discursos embasados na Bíblia Sagrada como forma de críticas e ironias às contradições e incoerências no discurso religioso. No âmbito social da análise, são evidenciadas ideologias pautadas em questões sociais importantes, como: martírio, sacrífico, o papel da mulher na sociedade, sexualidade, nudez e o celibato. Além disso, a crítica construída, no texto, enfatiza o processo hegemônico estabelecido pela cultura conservadora cristã ao perpetuar doutrinas discriminatórias e preconceituosas. Assim, esta análise contribui para uma reflexão mais ampla sobre as representações do discurso religioso na obra de José Saramago, promovendo transformação social numa realidade construída sob comandos tradicionais.

  • SAULO BARRETO LIMA FERNANDES
  • POR UMA “AUTOBIOGRAFIA” INTELECTUAL: A TRAJETÓRIA DO FAZER LITERÁRIO NOS DIÁRIOS DE JOSUÉ MONTELLO

  • Orientador : DOUGLAS RODRIGUES DE SOUSA
  • Data: 03/05/2024
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  • Ao levar em consideração o conjunto da obra completa do escritor maranhense Josué de Sousa Montello (1917 - 2006), não seria exagero considerá-lo um “intelectual completo”; posto alcançado muito por conta de ter – nas suas palavras – se investido, ainda adolescente, como um leitor e um escritor “excessivo”. Em dado momento de sua produção, o romancista cultivou, também, a escrita de diários, mais precisamente de junho de 1952 a dezembro de 1995. Devido ao fato de o Diário tratar-se de um gênero essencialmente autobiográfico, ali são registrados principalmente aspectos de sua vida intelectual, tais como impressões de leituras e valiosas considerações concernentes ao seu intrincado processo de criação literária. As “urdiduras”, como ele se referia quando da sua composição romanesca, legou um vasto repertório acerca dos aspectos criativos de seus personagens, ambientações geográficas, inspiração em fatos históricos e, de forma paralela, os reveses inerentes à produção artística, como as chamadas crises criativas e as constantes revisões até a publicação. Como base teórica para esta pesquisa, serão utilizados relatos de diversos autores, como Blanchot (2005, 1987), Lejeune (2008), Giordano (2017), Mortimer; Doren (2010), Barbosa, (2012), Barthes (2004), Calvino (1993), Bakhtin (1997, 2015), Bloom (1994, 2001), Salles (1998), Willemart (1999, 2019). Neste sentido, o objetivo deste trabalho é investigar como os escritos diarísticos se apresentam sendo “chave” de interpretação de um autor, utilizando-se de aporte teórico tanto da chamada “crítica genética”, bem como da teoria do texto e da crítica literária.  Ainda, é demonstrado como eles expunham sua intensa trajetória intelectual, e a maneira como tudo isso conflui para a composição de suas principais obras.   

  • WESLLEY SOUSA SILVA COSTA
  • Você Só Pensa em Grana? Poética e crítica social em canções de Zeca Baleiro

  • Orientador : ANDRÉA TERESA MARTINS LOBATO
  • Data: 19/04/2024
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  • Este trabalho tem por objetivo analisar a recorrente temática do dinheiro em letras de Zeca Baleiro, por meio de suporte teórico fornecido por autores tais como Baudrillard e Bauman. Aborda-se, aqui, a questão de quais, em geral, são as críticas sociais expressas pelo eu lírico a determinados comportamentos e visões comuns na vida do homem contemporâneo em sua relação com o dinheiro. Analisaram-se, também, os recursos linguísticos e literários empregados por Zeca Baleiro a partir do aporte de teorias estilísticas. Observou-se que, a depender do eu lírico em cada letra, diferentes pontos de vista relativos aos recursos financeiros são trazidos à tona pela escrita do compositor maranhense: há desde a clara crítica à importância hiperbólica conferida ao dinheiro em Você Só Pensa Em Grana até a proposta de viver no estilo materialista bonvivant.

2023
Descrição
  • ALINE ARAUJO ROCHA
  • OS CONCEITOS DE AMOR E NEUROSE DE TRANSFERÊNCIA EM O ATENEU

  • Data: 21/06/2023
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  • Este trabalho parte da investigação das relações entre literatura e psicanálise. O caráter psicanalítico da literatura possibilita a compreensão da expressão do inconsciente, mediante conexão da experiência do corpo com a realidade. Nesse sentido, buscamos interpretar a relação amorosa das personagens Sérgio e Ema, presente no discurso literário do romance O Ateneu (1888), de Raul Pompéia. Por consequência, o mote desta pesquisa é norteado pela compreensão dos conceitos de amor e neurose existentes na relação entre as personagens. Este estudo traz à baila conceitos da psicanálise, a fim de subsidiar a análise de O Ateneu, sem deixar de lado os aspectos sociais, culturais e políticos inerentes a obra, mais especificamente encontrados nas lembranças subjetivas da personagem ao longo da trama. Portanto, o inconsciente da personagem Sérgio na narrativa, desvenda o estilo formal e psicológico constante da neurose de transferência, que consubstanciará o entendimento sobre o ritual de amor entre Sérgio e Ema, caracterizado por questões sugestivas de um amor platônico, contido no problema do fenômeno amoroso, baseado no valor do amor em sua definição, diferindo da paixão ou enamoramento, na perspectiva da psicanálise. Nesse contexto, serão apontadas categorias psicanalíticas, conforme estudos de Freud e Lacan e teóricos da Literatura e que tratem das relações de conhecimentos e trocas entre Literatura e Psicanálise.

  • ANA CLEIA SILVA PEREIRA
  • Tessituras de memória em Quarto de Despejo: Diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus.

  • Data: 27/04/2023
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  • Partindo da ideia que a literatura se utiliza da memória como fonte de inspiração para a representação da realidade nas tramas ficcionais, o presente trabalho analisa a exclusão sociocultural e suas relações com as memórias individual e coletiva, na obra Quarto de Despejo: Diário de uma favelada (1960 [2014]), de Carolina Maria de Jesus (1914-1977). Tendo como plano de fundo a representação de uma memória que transcende a subjetividade, o livro, construído em forma de diário, registra o cotidiano de Carolina no âmbito da favela do Canindé, na cidade de São Paulo, onde ela e seus filhos viveram grande parte das suas vidas. A partir dos seus relatos, a escritora, expõe sua experiência como catadora e a situação de miséria da população residente na favela, além disso, tece fortes críticas à sociedade, e posiciona-se diante da sua condição de subalterna. Apoiada nessas informações, para a realização desta investigação adotamos como metodologia a pesquisa bibliográfica de cunho qualitativo, na qual discutimos a temática em conformidade com os estudos literários. Nessa perspectiva, quanto ao debate memorialístico o trabalho pauta-se nas ideias de autores como Halbwachs (2013), Le Goff (2013), Ricoeur (2010) e Assmann (2011); no campo da literatura e crítica literária a pesquisa partiu dos discursos de Bakhtin (1997) Farias (2017), Dalcastagné (2012), Resende (2008) e outros. Tendo em vista o percurso de análise na obra em estudo, será possível perceber que a memória individual registrada em Quarto de Despejo (1960 [2014] tem implicações coletivas, uma vez que o passado e presente dialogam por intermédio de questões históricas.

  • ANNE CARINE LEMOS CARDOSO COSTA
  • LITERATURA E CINEMA: a imagem da mulher, segundo Victor Hugo e Tom Hooper, em Os 
    miseráveis

  • Data: 17/04/2023
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  • Os miseráveis (1862) é um romance social escrito por Victor Hugo que abordou as mazelas sociais da França do século XIX. Em 2012, esta obra literária ganhou uma adaptação cinematográfica musical em língua inglesa, dirigida por Tom Hooper, nos moldes contemporâneos. Nesta pesquisa é abordado o feminino na obra Os miseráveis de Victor Hugo e em sua adaptação de 2012, pelo fato de as mulheres serem elementos catalisadores das ações em ambas as narrativas e se mostrarem tão atuantes quanto as personagens masculinas comumente analisadas em diversos estudos de áreas distintas. Assim, o objetivo principal desse estudo é investigar a construção do feminino nas personagens de destaque da obra fílmica, principalmente em relação à imagem e papel da mulher. Considerando as atribuições determinadas pelo patriarcado vigente naquela época e até na atualidade, busca-se analisar como essas mulheres são representadas, com o suporte da teoria feminista, teoria literária e teoria da adaptação. Logo, esta pesquisa se encontra balizada nos estudos de Hutcheon (2013), Stam (2006) e Cunha (2018), na área do cinema; Llosa (2012), Barthes (2004) e Eagleton (2017), no âmbito literário; Beauvoir (2009), Lerner (2019), e Davis (2016), no campo do feminismo, entre outros estudiosos. Desta forma, pretende-se com esse estudo contribuir para futuras pesquisas a fim de ressaltar a importância de sempre estar atento aos diferentes papéis que a mulher pode atuar na sociedade e desmistificar estereótipos equivocadamente concebidos ao longo da história.

  • CRISTIANE ARAUJO LIMA
  • ENTRE A ADORAÇÃO À VIRGEM MARIA E O CULTO A SATÃ: uma análise dos poemas de Maranhão Sobrinho

  • Data: 17/01/2023
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  • O presente trabalho tem como objetivo geral analisar as imagens da mulher nos poemas Santa, Rainha do Marl, Bacante e Salomé: o anjo/diabo, a mulher fatal, a mulher morta, a mulher mãe e outras pontuações, contidos na obra Papéis Velhos roídos pela traça do Symbolo, produzida por Maranhão Sobrinho, escritor maranhense, com o intuito de verificar as relações paradoxais que permeiam a visão da mulher na perspectiva decadentista do simbolismo, além de contribuir para a valorização da literatura maranhense, sobretudo do século XX. Como objetivos específicos, busca-se conhecer aspectos relevantes da estética simbolista decadentista em que a obra Papéis Velhos roídos, pela traça do Symbolo. Destaca-se que o escopo desta pesquisa está balizado em pressupostos da área da Teoria, Análise, Memória e História literária, bem como em autores da área da psicanálise, como o estudo dos arquétipos femininos e teóricos da área do estudo sobre memória, cultura e de pesquisadores sobre a vida e obra do autor Maranhão Sobrinho.

  • DEYSE FILGUEIRAS BATISTA MARQUES
  • PARA ALCANÇAR A AUSÊNCIA, APESAR DAS FRATURAS: a escrita do indizível em O corpo interminável, de Claudia Lage

  • Data: 13/01/2023
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  • O corpo interminável (2019) é um romance contemporâneo escrito pela autora brasileira Claudia Lage, e seu enredo envolve indivíduos que estão inseridos no contexto de vivência ou herança da experiência da ditadura militar no Brasil. Trata-se, portanto, de uma obra literária que evidencia a necessidade de escrita de eventos catastróficos e na qual existe a busca por um passado que, embora calado, permanece vívido, pois ainda
    ressoa por meio de ausências, vazios e memórias lacunares. Assim, considerando os estudos de literatura de testemunho e narrativa do trauma, esta pesquisa questiona a possibilidade de, a partir da análise de O corpo interminável, identificarmos uma construção ficcional que evidencia, em suas formas estéticas e narrativas, o paradoxo da necessidade e impossibilidade de escrever sobre uma história individual e coletiva fraturada pela ditadura militar no Brasil. Partindo do paradoxo da narrativa impossível, mas necessária, buscamos enfatizar, diante do corpus literário e dessa chave de leitura, os dilemas nascidos a partir da relevância do testemunho de sujeitos impactados por uma catástrofe nacional, mas que se encontram diante de uma dificuldade de falar condicionada por suas vivências. O principal objetivo, portanto, é investigar os aspectos estéticos e narrativos mobilizados pela autora para construir um enredo que alcance as experiências traumáticas e auxilie na compreensão de eventos-limites, tais como a ditadura militar brasileira. O deslocamento aqui pretendido envolve o suporte teórico de Antonello, Avelar, Benjamin, Figueiredo, Gagnebin, Ginzburg, Levi, Schøllhammer,
    Seligmann-Silva, entre outros, no esforço crítico de perceber as construções de O corpo interminável enquanto obra ficcional que invoca a aporia do indizível gerada por um trauma histórico. Ao final do trabalho, esperamos contribuir para a caracterização política e literária do romance, pois, ao explorar a estética do horror produzida em O corpo interminável, acreditamos ser possível vislumbrar a relevância da impossível representação do trauma na literatura brasileira contemporânea.

  • ELCIA LIANA CUTRIM DE JESUS
  • TRAÇOS EXPRESSIONISTAS EM A MULHER SEM PECADO E SENHORA DOS AFOGADOS: entre o trágico e o grotesco

  • Data: 09/05/2023
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  • Na revolução estética da década de 1940 pela qual passou o teatro brasileiro, Nelson Rodrigues teve destaque pelo diálogo que seu texto cênico estabeleceu com o Expressionismo, movimento artístico de origem alemã que compôs o ambiente da modernidade nas artes. O teatro rodriguiano fez uso de elementos expressionistas a fim de construir o drama nas suas obras, tanto pela perspectiva pessimista com que a vida é retratada, quanto pelo aniquilamento com que suas personagens estão sujeitas. O objetivo desse estudo é identificar traços expressionistas presentes nas peças da literatura dramática brasileira de Nelson Rodrigues, selecionadas para esta pesquisa – A mulher sem pecado (1941) e Senhora dos afogados (1947) – como pilar na construção dos conflitos desenvolvidos pelos protagonistas, além de fomentar discussões relevantes acerca da subjetividade na abordagem de temáticas que envolvem a incompletude humana. As dimensões trágicas e grotescas, perceptíveis tanto na composição do enredo, quanto no comportamento e nas atitudes das personagens centrais da obra também foram correlacionadas com temática central. Servem de suporte teórico, para o primeiro eixo, os estudos sobre o Expressionismo de Argan (1992), Cardinal (1984) e Elger (2003). No segundo eixo, para as percepções do trágico e do grotesco, Szondi (2001), Williams (2012), Kayser (2003) e Victor Hugo (2007). No terceiro e último eixo da pesquisa, referentes aos estudos críticos sobre Rodrigues, utilizou-se Fraga (1998), Magaldi (1993; 2004), Rosenfeld (1968; 1993). Quanto à metodologia, a pesquisa é de cunho bibliográfico, exploratório e analítico. Adota-se um modelo de análise de conteúdo. A investigação dessas obras possibilitou contribuições para estudos sobre o texto teatral, sobretudo o moderno produzido no Brasil, uma vez que pesquisas nessa área são essenciais, pois Literatura e Teatro são expressões artísticas e verdadeiros espelhos da sociedade.

  • FÁBIA ELINA DOS SANTOS ARAUJO
  • Esconderijos do Tempo: a poética existencialista de Mário Quintana

  • Data: 15/08/2023
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  • Estudar a poética de Mário Quintana constitui-se em um desbravar de emoções que sua produção suscita e que tornam a obra ímpar dentro do cenário literário brasileiro. Em busca de algumas respostas emanadas pelos quintanares, este estudo tem como objetivo geral analisar o existencialismo presente na obra Esconderijo do Tempo do poeta Mário Quintana, que se desdobram nos objetivos específicos de  identificar o discurso existencialista presente na obra em analise, compreender o contexto social e filosófico no qual se configurou a corrente filosófica existencialista de Jean-Paul Sartre e apontar elementos que contribuem para a caracterização da poesia existencialista de Mário Quintana. O Existencialismo, corrente filosófica que surgiu na Europa no início do século XX, tem como foco a existência humana e suas questões fundamentais, como a liberdade, a escolha, a angústia e a morte. O aporte bibliográfico escolhido para este estudo apoia-se em Arend (2006), Becker (1996), Bornheim (2011), Moisés (2019, 2012), Penha (2017), Sartre (2011, 2015), Silva (2003) e Yokozawa (2006). Baliza-se nesta pesquisa os pressupostos teóricos da área da Teoria existencialista, Memória e Cultura literária, bem como em autores da área da filosofia. A existência, a dor, a nostalgia, o prazer e a morte norteiam o viver/ser e são temas sempre presentes e comuns na filosofia e na poesia e se encontram presente nos quintanares. Dessa maneira, pretende-se  colaborar com os estudos literários e filosóficos acerca do existencialismo presente na poesia de Mário Quintana.

  • HERIDAN DE JESUS GUTERRES PAVÃO
  • VOZES INSUBMISSAS NAS POÉTICAS DE AUTORIA DE MULHERES NEGRAS DO QUILOMBO LIBERDADE: interseccionalidade entre raça, classe social e gênero nas batalhas de poesia

  • Data: 05/08/2023
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  • A pesquisa ora apresentada, intitulada VOZES INSUBMISSAS NAS POÉTICAS DE AUTORIA DE MULHERES NEGRAS DO QUILOMBO LIBERDADE: interseccionalidade entre gênero, classe e raça, nas batalhas de poesia, considerou o problema da falta de espaço para publicação e publicização dos textos literários, entre estes, aqueles que fazem parte do gênero poesia, produzidos por escritoras pretas, pertencentes a classes sociais economicamente desfavorecidas, enquanto meio para disseminar as pautas do povo negro, nas periferias urbanas. Do ponto de vista metodológico, tratou-se de uma pesquisa bibliográfica e de campo, onde as poesias coletadas foram analisadas à luz dos estudos de M. Bakhtin (2003, 2011), em diálogo com a interseccionalidade, em Creenshaw (2002), os textos do Poetry Slam, produzidos por mulheres negras que dizem de si e do (a) outro (a), a partir do quilombo urbano Liberdade, localizado na periferia urbana de São Luís, capital do Maranhão. A delimitação dos corpus se deu a partir de audiências a batalhas de poesias, tendo como objetivos  analisar de que forma a interseccionalidade entre raça, classe social e gênero se manifesta, por meio do discurso literário tecido pelas autoras negras, em espaços abertos, como ruas e praças, nas batalhas de poesia, elencar as tematizações presentes em eventos, denominados batalhas, a partir do lugar de fala da mulher negra; discutir as poéticas de autoria negra, do ponto de vista de sua significação e sentido, no tocante a sua redução às zonas periféricas; descrever de que forma as vozes femininas eclodem nos espaços estigmatizados, reverberando, por meio do texto literário, temas que buscam reverter a forma com que o sujeito negro é representado, em uma perspectiva decolonial, com base nos estudos de Bernardino-Costa; Maldonado-Torres e Grosfoguel (2019.  Concluiu-se, pois, que o Slam, enquanto poética reverbera, o pensamento das poetas pretas que em uma perspectiva decolonial não se submetem às intempéries da necropolítica que busca subjugar corpos negros. As rimas de poesia que se realizam no Quilombo Liberdade fazem eclodir vivências, denunciando violências e estigmatizações, afirmando-se como mulheres e autoras de si e do espaço onde vivem, encontrando em espaços abertos, os locais para publicizar sua poética. 

  • JHONISAEL PEREIRA SILVA
  • Narrar-se travesti: violência e resistência em O Parque das Irmãs Magníficas, de Camila Sosa Villada

  • Data: 30/06/2023
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  • A literatura contemporânea tem permitido a inclusão de vozes diferentes e dissidentes nos discursos antes circunscritos e fechados pelas matrizes de poder dominante. O reconhecimento da potência dessas vozes dissidentes ganha força à medida que seus discursos, suas histórias e suas lutas são reconhecidas e legitimadas. Algumas produções de autoria de travestis tem ganhado notoriedade e reconhecimento por parte da crítica e do público, como O Parque das irmãs magníficas, da escritora argentina Camila Sosa Villada. Esta pesquisa analisou as configurações da travestilidade no romance de Villada, com enfoque fundamental em duas dimensões intrínsecas que marcam esse universo: a violência e a resistência. Para tal análise, empreendemos uma leitura de convergência entre duas perspectivas: a primeira, baseada nos estudos e ideias de diversas áreas do conhecimento a respeito dos temas tratados, tais com Kulick (2008), Silva (2007), Pelúcio (2005), Benedetti (2005), Trevisan (2018), Dalcastagnè (2012), Schøllhammer (2011), Resende (2008), e outros, a fim de dar base teórica para as proposições de análises feitas a partir do corpus da pesquisa; e a segunda, baseada no próprio corpus, de modo a examinar as ideias, o discurso e as estéticas desenvolvidas no romance no que toca a representação da travesti marcada pela violência e pelos mecanismo de resistências frente às matrizes sociais normativas e opressoras. Ademais, a análise realizada teve em vistas contribuir para os estudos da literatura de expressão travesti com mais uma cartografia social das identidades transgêneras e suas singularidades.

  • KATIANA OLIVEIRA DOS SANTOS
  • UMA ABORDAGEM ETNOTERMINOLÓGICA NOS CONTOS AFRICANOS: Comunidade quilombola de Santa Maria dos Pretos em Itapecuru Mirim/ MA

  • Data: 09/06/2023
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  • Este estudo analisa uma abordagem Etnoterminológica nos contos afro- brasileiros da comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos, e os contos que são narrados trazem oralmente entre seus remanescentes e repassados de geração para geração, trazendo reflexões acerca da história dos quilombolas e deste território que é formado por cinco povoados, Santa Maria dos Pretos, Piqui, Santa Joana, Morros e Mandioca, localizados na zona rural de Itapecuru Mirim, Maranhão. Parte-se do pressuposto que estas narrativas orais são uma forma de expressão bem presentes no cotidiano dos moradores, uma prática demanifestação literária necessária no processo de autoafirmação identitária, colocando em ênfase a memória que acaba contribuindo com uma história de luta que não findou, e que ainda precisa ser erradicado no meio social,tais como, o preconceito racial, discriminação, falta de apropriação legalizada deterras. Inclusive o principal motivo de conflitos entre remanescentes de quilombo e suasterras quilombolas são territórios étnico-raciais, sendo sua regularização e garantia, direitos expressos na Constituição Federal (1988). Nesta pesquisa será possível verificar através das especificidades presentes nas narrativas orais, inerentes desta comunidade, relacionando-as com os fatores semântico-conceptuais e a historicidade dos povos tradicionais remanescentes. Tendo também como objetivo o de verificar através da coleta e análise do contos, como os moradores do Território de Santa Maria dos Pretos, se reconhecem atualmente dentro de um contexto social tão desafiador. A pesquisa é de caráter descritivo, empírico, qualitativo e participativo,bibliográfico e etnográfico, a pesquisadora. Neste sentido, contará com um corpus oral composto por 15 moradores da comunidade, relatando 04 contos através de entrevista oral, em visitas períoddicas a comunidade de estudo, e então será reescrita no texto e analisada as expressões e contexto do conto.

  • LEONILSON PEREIRA RODRIGUES
  • “Uma flor que nasce no asfalto”: a resistência ao coletivismo no romance distópico Cântico, de Ayn Rand

  • Data: 16/06/2023
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  • A presente pesquisa tem a finalidade de investigar a distopia (tanto na teoria literária como na prática política) como estado desumanizador por meio do coletivismo. A literatura distópica (como outros gêneros que derivam dela) é uma ferramenta útil tanto como um aviso sombrio para seus leitores sobre os perigos do totalitarismo, quanto como reflexão sobre os idealismos utópicos. Além disso, o gênero distópico, enquanto obra de ficção, é um grande propulsor da imaginação literária. Nesse sentido, o presente estudo tem como objeto literário o romance distópico da escritora russo-americana Ayn Rand; Cântico (1937). A obra é ambientada em um futuro não especificado, físico e espiritualmente desolado, com uniformidade forçada e uma linguagem desprovida de todos os pronomes singulares. Nesse sentido, o presente estudo apoia-se nos apontamentos de diferentes estudiosos que teceram comentários sobre a questão da literatura distópica e dos movimentos oriundos dela, como Claeys (2010); Sargent (2010); Ortega y Gasset (2016); Arendt (2012) e Ayn Rand (2021). Dessa maneira, a análise a ser realizada pretende colaborar com os estudos literários distópicos, além de outros que visem uma reflexão sobre os ideais de construção ou mudança da sociedade.

  • LUIS CLAUDIO DOS SANTOS FERREIRA FILHO
  • A perpetuação da memória coletiva de São Benedito através das festas em homenagem ao santo abordadas na obra “Um Cordel para São Benedito”, da autora Dinacy Corrêa

  • Data: 27/04/2023
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  • Uma amostra da produção contemporânea da literatura de cordel, a obra Um Cordel para São Benedito (2017) da autora Dinacy Mendonça Corrêa, reconta o mito de São Benedito, que enquanto homem encontrou em sua fé uma razão para viver integramente diante das adversidades que lhe afligiam. Seus feitos milagrosos foram reconhecidos pela Igreja Católica após a sua morte, que o canonizou, oficializando seu culto em todo continente europeu, sendo posteriormente adotado no Brasil graças a influência dos seus colonizadores. Contudo, a figura
    de Benedito tornou-se popular não somente entre os membros da Igreja, mas também entre os afrodescentes escravizados no Brasil, os quais se identificaram com seu “irmão de epiderme” e suas aflições. Dessa forma, instituíram-se dois grupos distintos que têm suas próprias manifestações em homenagem ao santo, sendo eles: o grupo da Igreja e os grupos dos brincantes do tambor de crioula. Na obra em questão, essas festas têm sido celebradas no decorrer das décadas, no que se configura como uma tradição, que transcorre as gerações, mantendo a memória de São Benedito viva no interior desses grupos, e também em todo estado do Maranhão. Logo, buscou-se analisar a obra Um Cordel para São Benedito sob a perspectiva da memória coletiva, avaliando como as festas descritas cooperam para a perpetuação da memória do santo no estado do Maranhão, e discutir os aspectos dessas celebrações que cooperam para essa continuidade. Com o suporte teórico de Galvão (2000), Grillo (2015), Haurélio (2013), Melo (1994), entre outros, os quais abordam a temática da literatura de cordel, apontando sua origem, características e temáticas, assim como Cordeiro (2017, 2022), Halbwachs (2006) e Ricouer (2007) como base para a construção filosófica e sociológica dos conceitos de memória e memória coletiva, constatou-se que as festas realizadas pelos membros da Igreja e pelos brincantes do tambor de crioula cooperam de maneira ativa na perpetuação da memória coletiva do santo, pois possuem, como interesse inicial, celebrar e manter viva a memória daquilo que Benedito fez enquanto homem escravizado, como também os milagres que tem operado na atualidade na vida de seus fiéis. Essas reuniões festivas têm como propósito compartilhar entre os membros dos grupos em questão as bênçãos alcançadas, as preces atendidas e os pedidos que estão sendo feitos. Por fim, espera-se contribuir com os estudos cuja área de investigação entendem a Literatura como fenômeno histórico, estabelecendo diálogos e instaurando novas
    significações à identidade, cultura e memória.

  • LUZILENE NUNES DE SOUSA
  • UMA PERSPECTIVA DO RISO MEDIANTE A CONSTRUÇÃO DO CÔMICO NA OBRA O JUIZ DE PAZ DA ROÇA DE MARTINS PENA

  • Data: 27/04/2023
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  • O propósito deste trabalho, é investigar uma perspectiva do riso mediante a construção do cômico na obra O Juiz de Paz da Roça de Martins Pena, do ponto de vista histórico e cômico, analisando a abordagem que é dada pelo autor na formação da literatura nacional. Nesse sentido, o gênero comédia, por excelência das elaborações dramáticas na obra são heranças diretas de um teatro popular, que possibilitam identificar os aspectos relevantes na referida obra, bem como, estarem ligados à configuração sociopolítica e econômica de uma nação recém-independente. Para delimitar esta pesquisa, fez-se um estudo em consonância com acervos bibliográficos e plataformas de informações sobre a ação dramática do autor, com a fortuna crítica de teóricos como: Bergson (2018), Propp (1992), Magaldi (2001) dentre outros, que se torna possível a elaboração deste trabalho. É importante frisar que, o riso pode ser um meio eficaz de denunciar costumes, considerados pouco aceitáveis pelas convenções sociais, moral e ética, proporcionando visibilidade das relações sociais e culturais da sociedade brasileira, que analisa a construção de sentidos. Essa possibilidade de investigar, analisar, e identificar uma construção do teatro nacional, com o rompimento das formas clássicas, é possível, mediante a referida obra, que consegue abandonar os velhos modelos, para se voltar a realidade brasileira, mostrando-a de forma cômica, engraçada, mas à luz da observação do real. Vale ressaltar que, a literatura está entrelaçada à memória e a cultura, de um movimento artístico relacionado com a realidade, na pretensão de observá-la, para correlacionar os fatores sociais, caracterizados na respectiva obra.

  • MARCUS VINÍCIUS SOUSA CORREIA
  • Helenismo nos trópicos: análise da presença do helenismo na literatura brasileira pelo viés da Leitura Distante

  • Data: 31/07/2023
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  • A presente pesquisa investiga a presença do helenismo na literatura brasileira pelo viés da leitura distante, prisma de estudo da literatura popularizado por Franco Moretti (2000, 2008) em um corpus disponível no meio digital (https://linguateca.pt/acesso/corpus.php?corpus=OBRAS). Nesse sentido, houve o levantamento de termos advindos da cultura helênica, formando o campo semântico "helenismo" dentro do corpus, para que fossem realizadas as análises de frequência relativa do uso dos termos por parte dos autores selecionados. Além disso, foi realizada, também, uma análise de como a cultura helênica se presentifica na linguagem empregada pelos autores em seus escritos. A seleção dos autores foi feita com base na quantidade de termos do campo semântico "helenismo", incluindo aqueles que mostravam quatro termos ou mais e excluindo os autores que apresentaram menos de quatro termos do campo semântico, tendo em vista que tal frequência não poderia representar uma presença significativa do helenismo nas obras dos autores nos textos disponíveis no OBras, o que resulta na seguinte lista de literatos: Machado de Assis, Coelho Neto, José de Alencar, Humberto de Campos, Joaquim Manuel de Macedo, Aluísio Azevedo, Euclides da Cunha, Bernardo Guimarães, Lima Barreto e Visconde de Taunay. Diante disso, buscou-se, no início, a compreensão do helenismo ao longo da história, com base nas ideias de Droysen (2010), Delumeau (1994); Momigliano (1991); Pereira (2015), dentre outros. Após isso, a respeito do helenismo na literatura brasileira, são feitas ponderações com base em autores como Veríssimo (1904); Broca (2005); Bosi (2006); Denis (1826); Magalhães (1836); Brandão (2001); Silva (2020), dentre outros. Compreendendo a questão sobre os preceitos críticos já estabelecidos sobre o tema, na parte seguinte é realizada uma abordagem crítica a respeito do estudo da literatura com o uso de ferramentas tecnológicas, a partir do que é afirmado por Capuni (2016); Santos (2003); Kirchof (2013); Brandão (2017) entre outros autores. Nas reflexões seguintes, sobre a leitura distante, foram utilizadas as ideias de Moretti (2000, 2008), Pieri (2019); Khadem (2012, Apud PIERI 2019) e Araújo (2016). A partir de tais pressupostos, realizou-se a análise na parte seguinte do trabalho. Foi percebido que analisar o fenômeno do helenismo nas letras brasileiras através da leitura distante permite ampliar as interpretações a respeito do tema, fazendo, ao mesmo tempo, que asseverações da crítica especializada sejam reiteradas e que o helenismo em certos autores seja percebido de maneira mais pertinente, além de apontar para diferentes modos e percepções de tal fenômeno tanto a partir dos critérios estabelecidos e gêneros textuais produzidos pelos literatos.

  • PRISCILA FERNANDA GOMES DA SILVA
  • MEMÓRIA E PATRIMÔNIO URBANO EM QUATROCENTONA: CÓDIGO DE POSTURAS e IMPOSTURAS LÍRICAS DA CIDADE DE SÃO LUÍS DO MARANHÃO

  • Orientador : SILVANA MARIA PANTOJA DOS SANTOS
  • Data: 15/08/2023
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  • O processo de rememoração do patrimônio urbano é permeado por vivências e subjetividades. Os acontecimentos históricos e as tecelagens sociais que o compõem atrelam os sujeitos a uma rede intercambiada por suas memórias, vínculos e afetos. A escrita poética possibilita que pensemos a cidade como um espaço para essas memórias resultantes da relação que o eu poeta estabelece com a cidade. O presente estudo propõe como objetivo geral analisar o livro de poemas Quatrocentona: código de posturas e imposturas líricas da cidade de São Luís do Maranhão (2021), do poeta maranhense Luís Augusto Cassas, a partir do registro da memória citadina de São Luís e do seu patrimônio. Como objetivos específicos: discutir a importância das memórias individuais e coletivas para o avivamento da memória da cidade; compreender o acervo patrimonial da cidade como demarcação das relações sociais e culturais entre os sujeitos e a cidade e, por fim, identificar a contribuição do eu-lírico para a ressignificação dos espaços e da paisagem urbana de São Luís. Como referencial teórico, amparamo-nos nos estudos de Maurice Halbwachs; Henry Bergson; Marshall Berman, Zygmunt Bauman; Walter Benjamin; Anthony Giddens; David Harvey, Edward Soja; Renato Cordeiro Gomes, entre outros autores, que nos deram subsídios para o embasamento a respeito da modernidade e da memória da cidade. Por meio da poética de Luís Augusto Cassas, compreendemos o legado da cidade como uma ferramenta de resistência diante das transformações que os tempos e contextos pós-modernos impuseram aos indivíduos frente à fragmentação e ruptura ou manutenção do antigo. Constatamos que o patrimônio histórico possibilita uma dialética entre a memória da cidade e a paisagem urbana, mesmo com as modificações por que passa, mantendo referências anteriores que não se desfazem por completo, principalmente quando apreendidas pelo fazer poético.
2022
Descrição
  • ANA BEATRIZ MORAES DE OLIVEIRA PAULA
  • O EU-LÍRICO NEGRO E A ETNOPOESIA TRAJANIANA: um estudo da poética de Trajano Galvão em Sertanejas

  • Data: 15/06/2022
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  • Trajano Galvão de Carvalho (1830-1864) foi um poeta maranhense inserido no contexto do Romantismo no Brasil. Nascido em Vitória do Mearim-MA, educado em Lisboa e formado Bacharel em Direito pela Faculdade de Olinda, o jovem Trajano era afeito à vida campesina, de onde extraía material para suas composições poéticas. É Patrono da
    Cadeira n. 20 da Academia Maranhense de Letras, e sua produção, apesar de diminuta, é expressiva, relevante e pioneira: pouco mais de uma década antes dos abolicionistas mais consagrados na Literatura Brasileira, Trajano Galvão já versava sobre o negro escravizado e lhe conferia voz em sua poesia. Esta dissertação, portanto, tem como objetivo analisar a poética de Trajano Galvão de Carvalho (1830-1864) a partir da obra póstuma Sertanejas (1898). Nossa ênfase será em apresentar o poeta maranhense do século XIX, lançando luz sobre os aspectos românticos de sua obra, e destacando no corpus de análise os poemas que compõem a etnopoesia trajaniana – nos termos de Borralho (2009) e Santos (2001). Na análise dos etnopoemas de Trajano Galvão, investigaremos as características do sujeito negro, tanto na expressão do eu-lírico negro quanto na do eu-lírico impessoal. Os aportes teóricos iniciais desta pesquisa são encontrados em Leal (1874), Corrêa (1898), Moraes (1977), Santos (2001), Borralho (2009, 2010), Oliveira (2014) e Carvalho (2020).

  • DANIEL LOPES
  • “Transgressão social” no contexto da Belle Époque: uma análise da obra Turbilhão, de Coelho Neto, a partir do método realista

  • Data: 15/06/2022
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  • Esta dissertação analisa o realismo em Turbilhão, de Coelho Neto, obra publicada originalmente em 1906, no contexto da Belle Époque, que conta do final do século XIX ao começo do século XX. A análise está focalizada na
    temática da transgressão (família, trabalho e classe (ascensão) social), protagonizada pelos personagens centrais, Violante e Paulo. A depreender da trama narrativa, a “transgressão social” da anti-heroína e do herói do romance nos remete a uma realidade de baixas condições econômicas e de poucas possibilidades de ascensão social, salvaguardadas algumas exceções, ou seja, apenas por ações e meios considerados escusos ou imorais era que o indivíduo conseguiria mudar de vida e ascender, economicamente e socialmente, de classe social, como Violante, por exemplo, que enriquece às custas da prostituição de alto luxo, acumulando capital, para fugir também do casamento, da “censura” e da “dominação” das leis dos códigos da sociedade. Entende-se que Turbilhão, ao dar ênfase na desagregação da estrutura familiar, protagonizada por Dona Júlia, Violante e Paulo, aponta, se não o fim, ao menos a diluição do sistema patriarcal brasileiro, que já se deixava corromper com a inversão de valores e os valores sociomorais da classe burguesa. Assim, tivemos que levar em consideração o contexto histórico-social e político-cultural do Rio de Janeiro e do Brasil, à época, em que a estrutura social passava por perceptíveis e profundas mudanças. Apesar de apresentar uma estratificação patriarcal, a sociedade já convivia com os valores sociomorais e o novo modus vivendi característico da civilização burguesa e urbana nascente do Rio de Janeiro. Para a leitura crítica e analítica em torno da obra de Coelho Neto, fundamentamos a pesquisa nos seguintes estudos críticos e referenciais teóricos: György Lukács (1968; 2010), que entende a arte realista como uma praxis social; Afrânio Coutinho (1997); Alfredo Bosi (2013); Gilberto Freyre (1995); e outros. A maior contribuição desta pesquisa para os estudos literários brasileiros talvez seja (re)afirmar que Coelho Neto não esteve alheio à realidade social, aos problemas urbanos,
    sociais e morais da realidade do Brasil, da sociedade carioca e brasileira no contexto da Belle Époque. E, assim, tanto o escritor, quanto a sua obra, serem ainda muito importantes para a História da Literatura Brasileira e para a História da Cultura do Brasil. O que nega a esmagadora maioria das considerações da crítica tradicional, especializada e canônica, que lhe diz ser anacrônico ao seu tempo-espaço, quando querem circunscrever a sua obra, por exemplo, no realismo/naturalismo, sendo que o escritor era contemporâneo da Belle Époque , – das experiências da “modernidade” –, e, assim, estava dando continuidade às características dos romances de caráter urbano e citadino que buscavam representar os problemas urbanos, sociais e morais da realidade social do Rio de Janeiro e do Brasil, advindos com o processo de modernização.

  • EDSON COSTA SOARES
  • O CONTEXTO DA SECA E O NÃO RETIRANTE NA OBRA SÃO BERNARDO, DE GRACILIANO RAMOS: UMA ANÁLISE DO PERSONAGEM PAULO HONÓRIO

  • Data: 30/06/2022
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  • A obra São Bernardo (1997), de Graciliano Ramos, é o objeto de estudo dessa dissertação. Trata-se de um romance provocante e com muitas nuances do Sertão nordestino brasileiro: homem, espaço e movimento, particularmente. O objetivo geral da pesquisa é analisar as memórias de Paulo Honório, bem como das outras personagens, e como isso se deu na construção da narrativa. Quanto aos objetivos específicos procurou-se entender o Sertão, a seca e o sertanejo; esclarecer o perfil e o caráter de Paulo Honório, a partir das memórias que ele tem de si e dos outros; explicar a permanência do homem no Sertão, em meio a tantas adversidades. Esta é uma pesquisa bibliográfica, pautada nos estudos dialógicos entre a Literatura e Memória, demonstrando como as secas estiveram presentes na vida do povo nordestino e que em consequência dela a migração para outras localidades se tornou algo necessário para a sobrevivência. Esse movimento forçado chamou-se “retirância”. Como embasamento teórico contamos com Beatriz Sarlo (2007); J. Castro (1984); José Clemente Pozenato (1974); José Gomes Ferreira et al (2020); Hermenegildo Bastos (1998); Maurice Halbwachs (2006); Paul Ricoeur (2007); entre muitos outros. Esta pesquisa é relevante porque traz à tona uma situação experimentada por muitos nordestinos, mas pouco retratada nos registros de modo em geral, que é a bravura e permanência do homem no seu habitat, o nordestino que decidiu não se retirar.

  • ERICA PONTES MOREIRA SILVA
  • UMA LITERATURA SUBVERSIVA: A ESCRITA DE RESISTÊNCIA EM O BRUXO ESPANHOL DE CASSANDRA RIOS

  • Data: 13/07/2022
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  • Este trabalho propõe realizar um estudo sobre a obra, O bruxo espanhol de Cassandra Rios, para tanto se tem como objetivo apurar de que forma o discurso de resistência implantado sobre o comportamento, os corpos e as ações que permeiam a mulher perpassaram em mais de diversas formas de linguagem. Nesta obra, Rios trata da história de Gúpi e Sâni, esta por sua vez domina o homem, tem um corpo que foge aos ditames tidos como normais para o que se espera de uma mulher, a narrativa cassandriana, classificada muitas vezes como pornográfica traz a sexualidade em forma de crítica ao sistema hetero- patriarcal- falocêntrico. Com base nisso, a pesquisa foi desenvolvida a partir de cunho bibliográfico, tendo em vista pesquisar o movimento feminista no Brasil e a questão de gênero e seus efeitos na vida das mulheres, sobre a vida de Cassandra Rios se fez uma trajetória bibliográfica e a recepção crítica de seus textos, os quais a fizeram ser a autora mais perseguida do Brasil e o porquê desta obra em análise ser uma escrita de resistência, isso feito por meio de um levantamento do estado da arte acerca da temática aqui abordada, como teses, dissertações, artigos, livros, sites. Para discutir e chegar ao objetivo da pesquisa, o estudo teve por base as discussões de Duarte (2003), Brancher (2013), Colling (1997), Xavier (2021), Hall (2006), Scott (2019) além de outros/as autores/as, fomentando importantes contribuições ao mundo acadêmico-científico, explicitando as transformações pelas quais as mulheres passaram e a solidificação da escrita feminista de Cassandra Rios para que hoje a mulher pudesse expressar-se com igualdade e equidade, embora o percurso ainda seja de constantes lutas (e pesquisas).

  • EVANDRO ABREU FIGUEIREDO FILHO
  • LITERATURA INFANTOJUVENIL E MEMÓRIA: uma análise das reminiscências infantis na obra Crônicas de Menino de Marcos Fábio Belo Matos

  • Data: 28/06/2022
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  • A obra Crônicas de Menino, do escritor maranhense Marcos Fábio Belo Matos, aborda, dentre outras questões, as reminiscências infantis vivenciadas pelo narrador. A narrativa apresenta-se de forma leve, bem-humorada e pode possibilitar ao leitor, tanto o público infantojuvenil quanto o adulto, a identificação com alguns dos capítulos presentes no livro. As recordações de uma criança são projetadas e servem como referências essenciais, elas se estabelecem em espaços marcados socialmente, como: a escola, a igreja, a casa e são sempre assistidas pela família, pois é por intermédio desta que as imagens são transportadas. Nesse sentido, esta dissertação tem por objetivo geral perceber os espaços de memória cultural presentes na narrativa, em quais passagens da narração esses espaços transcendem e elevam a cultura de um determinado grupo social, representado pelo escritor e suas reminiscências de infância. Nesse contexto, esta pesquisa apresenta como questão norteadora: de que maneira a obra Crônicas de Menino se constitui como um lugar de memória cultural? Para a elaboração deste constructo, utilizou-se a pesquisa bibliográfica tendo por alicerce textos de egrégios teóricos ligados à memória, como: Paul Ricouer (2007), Maurice Halbwachs (2006) e Assmann (2008). Assim, este estudo torna-se relevante por mostrar que as narrativas do livro Crônicas de Menino trazem lembranças individuais, coletivas ou culturais pautadas num saudosismo em que o indivíduo entra em contato com a sua identidade cultural através dos lugares de memória, além do ineditismo da obra escolhida como objeto de pesquisa.

  • GILVAN SANTOS GONÇALVES
  • POR ONDE ANDA O NARRADOR? DESOLAMENTO E APATIA EM ESTORVO, DE CHICO BUARQUE DE HOLLANDA

  • Data: 16/06/2022
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  • Estorvo (1991) é o primeiro romance publicado por Chico Buarque de Hollanda, no qual nos deparamos com uma narrativa tensa, dividida em onze capítulos em que um narrador personagem, atônito e em trânsito na cidade, encontra pessoas e lugares estranhos em situações excepcionais. Este narrador não consegue dimensionar suas relações sociais afetivas, e nem mesmo se encontrar em um lugar de tranquilidade, assume  o papel de andarilho, com características que são refletidas em sua identidade vagante. Assim, considerando a estrutura narrativa da obra escolhida, evidenciaremos como esse sujeito sem identidade tenta fugir da realidade que o impede de viver, estando sempre em constante nomadismo, que nega o mundo empírico de suas aparências e passa a tratar sua condição de humanidade alheio à realidade social vigente. Daremos , também, enfoque ao fato de que o narrador manifesta um certo abatimento moral que se espaia na fragilidade das relações afetivas que estabelece, principalmente com sua família.  Neste sentido, como objetivo principal, tentaremos compreender como esse narrador se fragmenta ao longo e dentro da narrativa e de que maneira ele nos convida a conhecer sua história, ainda que seja difícil definir sua naração, pois ele se mantém constantemente em uma zona limite, a zona do desespero, do susto e do trauma, o que enfraquece seu poder de onisciência. Desse modo nosso trabalho se articula, inicialmente, na intenção de estudar os principais conceitos teóricos que se voltam para o narrar na contemporaneidade e para a crise a cerca de questões da identidade, para isso recorremos a  Benjamin (1986, 1994), Lukács (2007, 2008), Adorno (2003), Ginzburg (2012), Hall (2004, 2005) e Bauman (2005), teóricos e críticos literários que se debruçaram sobre a ascensão do gênero romance, seu esfacelamento, crise de narração e a fragmentação do sujeito  na contemporaneidade. Diante disso, vê-se que o romance Estorvo e sua estrutura narrativa ganham relevo na nossa análise, e, por fim, interessa-nos mostrar como o narrador do romance se movimenta, analisando seus deslocamentos em meio a vida urbana caótica, que o obriga a permutar-se continuamente e, ao mesmo tempo, perfazer-se como andarilho de lugares-enigmas.

  • ÍTALO GUSTAVO E SILVA LEITE
  • APOCALIPSE DOS TRABALHADORES: uma tragicomédia à luz dos direitos humanos

  • Data: 28/06/2022
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  • Neste estudo, abordam-se os recursos narrativos do romance o apocalipse dos trabalhadores (2017), de Valter Hugo Mãe, com o intuito de analisar de que forma as violações de Direitos Humanos formam questões amalgamadas no próprio corpo social. Em o apocalipse dos trabalhadores não há uma distância entre a voz do narrador e a dos personagens e a linguagem se apresenta em fluxo interior. Com isto, não há o mundo de um narrador absoluto e onisciente, nem outro das personagens. A obra demonstra em vários pontos cicatrizes sociais da exploração trabalhista e sexual, aspectos que indicam o registro do desrespeito aos Direitos Humanos. O problema que se colocada em o apocalipse dos trabalhadores é: o ser humano está trabalhando para viver ou vivendo para trabalhar? A sociedade está perdendo a humanidade, a capacidade de se emocionar e se comover com a dor do outro? Nesta obra, Portugal desponta em forma de um pequeno universo de relações sociais complexas, rompendo com o estereótipo de que a violação dos Direitos Humanos está associada tão somente à imagem de países periféricos: de África e América Latina. Com vistas a compreender a relação entre Literatura e Direitos Humanos, são fundamentais as ideias de Candido (2011); sobre violações de direitos humanos; é necessário o diálogo com Alves (1994) e Carlos Nogueira (2016) acerca da fortuna crítica das obras editadas por Mãe até 2016. A forma narrativa é preponderante para a sondagem que a obra faz das violações de Direitos Humanos. Para um melhor entendimento deste quadro de violência também se deve ao procedimento narrativo, que exerce domínio na realização estética do romance do escritor português contemporâneo. O livro refere-se ao apocalipse dos trabalhadores, à degradação da dimensão humana e social do trabalho. A condição de trabalhador aparece aqui numa versão pouco digna de mulheres a dias, emigrantes clandestinos e mal pagos nas obras e nos restaurantes, prostitutas e pescadores contratados.

  • JOSÉ RICARDO COSTA MIRANDA FILHO
  • A posição do narrador no romance “A Resistência”, de Julián Fuks

  • Data: 15/07/2022
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  • Ao longo dos anos, a literatura soube mostrar diversas formas de analisar, interpretar e mostrar a realidade do escritor e de sua sociedade a partir da época e da cultura em que se encontra. Apresentar fatos de alguém ou de um povo é diferente de acordo com a época e com o autor, no entanto a escrita de si é cada vez mais comum na literatura contemporânea brasileira. A partir daí, identificar os limites entre o autor e o narrador requer analisar com atenção como o enredo se desdobra. Por conseguinte, a presente dissertação tem como objetivo analisar a posição assumida pelo narrador no romance A Resistência, de Julián Fuks; analisar a subjetividade do texto; compreender através dos elementos da narratologia as estratégias de como narrador atua para construção da obra. Propõe-se, desse modo, realizar uma pesquisa analítica e explicativa sobre o enredo da obra, pois trata de um ponto importante sobre a narratividade, fato que contribui para entendermos os seus possíveis desdobramentos. Para compreender e discutir com precisão e alcançar o que se pretende durante o desenvolvimento deste trabalho, foram utilizados como base teórica textos de críticos basilares acerca do assunto: Theodor Adorno que estuda a “Posição do narrador no romance contemporâneo”; Roland Barthes que verifica como o autor se apresenta na obra; Michel Foucault que também estuda a questão do autor; Phellipe Lejeune e Serge Doubrovsky que elucidam, respectivamente, a autobiografia e a autoficção; o próprio Julián Fuks que publicou o ensaio “A era da pós-ficção: notas sobre a insuficiência da fabulação no romance contemporâneo" na obra Ética e pós-verdade; entre outros críticos que estudaram a literatura contemporânea como Leyla-Perrone Moisés e Karl Erick Schollhammer.

  • KEURY CAROLAINE PEREIRA DA SILVA
  • A representação da violência em O sol na cabeça, de Geovani Martins

  • Data: 21/03/2022
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  • O objetivo desta pesquisa é analisar a representação da violência em três contos: Espiral, Rolézim e Travessia, do livro O sol na cabeça (2018), de autoria do escritor carioca Geovani Martins. As discussões aqui expostas perpassam por alguns eixos de investigação, o primeiro deles é averiguar de que forma a representação literária conduz a relação entre literatura e violência, especificando que essa junção não é algo recente na história da literatura, sendo recorrente desde as épicas gregas. O outro ponto de abordagem leva em consideração a época
    de publicação da obra, a contemporaneidade, período marcado pelo intenso exercício da violência nas mais diferentes formas. Além disso, buscamos definir que a violência urbana, estritamente relacionada ao cotidiano periférico das personagens e do meio em que vivem, é a categoria que mais se destaca nos contos explorados. Nos interessa, ainda, estabelecer uma abordagem estética dos contos, a fim de percebermos de que maneira a violência é representada, especificando os caminhos estéticos e estruturais utilizados como estratégia pelo autor, tais como a fragmentação narrativa, indicada principalmente na construção dos narradores e protagonistas dos referidos contos, bem como a relação de percepção da violência por seus agentes, se esta é naturalizada ou é experienciada a partir de um lugar de estranhamento. Para tanto, utilizamos como aporte teórico pesquisadores que promovem um conhecimento interdisciplinar a respeito do tema, algo indispensável para se pensar o fenômeno da violência a partir do texto ficcional de Martins (2018). Assim, trouxemos autores que promovem
    discussões sobre esse aspecto dos campos da Teoria Literária, Sociologia, Filosofia, entre outros, tais como: Karl Erik Schollhammer (2011, 2013); Tânia Pelegrini (2001, 2012); Érica Peçanha do Nascimento (2006); Marilena Chauí (2019); Hannah Arendt (2020); Slavoj Zizek (2014); Judith Butler (2021); Jaime Ginzburg (1999, 2012, 2013), etc. A violência, portanto, funciona como chave de leitura dos contos e ponto de partida que proporciona uma reflexão acerca de como ela é representada contemporaneamente, indicando uma estética literária que se faz fragmentada, na intenção de repassar, através dessa estrutura, um sentimento de Brasil despedaçado, incompleto, indicando que as personagens ali descritas também não são lineares.
  • LUDMILA DA SILVA CAMPOS
  • A produção discursiva do sujeito autobiográfico: uma análise de Os Anos, de Annie Ernaux.

  • Data: 27/06/2022
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  • A modernidade abriu espaço para diversas expressões do “eu” e “variações” dos gêneros clássicos. Na literatura contemporânea, a escrita de si, a autobiografia, vem sendo amplamente estudada. Este gênero, no estilo canônico, possui foco na subjetividade e consiste em uma narrativa retrospectiva em primeira pessoa, porém, o texto autobiográfico de Annie Ernaux se autodeclara impessoal o que revela o paradoxo desde o nível da linguagem. Diante disto, o trabalho de pesquisa intitulado A Produção Discursiva do Sujeito Autobiográfico: uma análise de Os Anos, de Annie Ernaux propõe analisar de que forma o discurso é produzido pelo sujeito, identificar as peculiaridades estilísticas da autora e verificar se a obra alcança a pretensão de autobiografia impessoal. Dará suporte teórico ao presente trabalho, os estudos de Phillipe Lejeune (2014), Leonor Arfuch (2010), Diana Klinger (2012), Foucault (1992), Giovanni Levi (2017), Pierre Bourdieu (2017), autores que abordam a escrita de si e o gênero autobiográfico; Stuart Hall (2008), com o seu estudo sobre as identidades na modernidade; Walter Benjamin (1985), Roland Barthes (1984), (2004), (2015), Tereza Mendes Flores (2005), Nora Cottille- Foley (2008), que versam sobre a fotografia como forma de expressão da subjetividade; Cleudemar Alves Fernandes (2008), Eni P. Orlandi (2020), Michel Pêcheux (2015), Benveniste (1976), José Luiz Fiori (1996), estudiosos que abordam o discurso como prática linguística. Ao decorrer das análises, será observada a ocorrência ou não de elementos de cunho pessoal e impessoal com objetivo de analisar se a obra atinge o status de autobiografia impessoal como se propõe.

  • RAIANNY OLIVEIRA DA SILVA
  • ANNE DE GREEN GABLES: Personagem, texto, imagem e múltiplos dizeres

  • Data: 16/07/2022
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  • Esta dissertação tem como objetivo central verificar a transposição da personagem Anne Shirley do romance Anne de Green Glabes (1908), de L.M. Montgomery, para a narrativa audiovisual Anne com E (2017), de Moira Walley-Beckett, produzida pelo canal canadense CBC e transmitida pela plataforma de streaming Netflix. Pretende, também, possibilitar um diálogo sobre a personagem em diferentes narrativas e/ou adaptações como forma de potencializar as múltiplas leituras e dizeres por meio do texto de partida (a obra literária). Além de compreender como a referida personagem e suas características são (re)apresentadas na narrativa audiovisual, de modo a considerar os seguintes aspectos: as características físicas da personagem, seus traços feministas, seu lado obscuro e insurgente e seu extremo alcance para a imaginação. Baseia-se, teoricamente, em autores imprescindíveis nos estudos sobre adaptação: Linda Hutcheon (2013) e Robert Stam (2006), sendo possível discutir as características e os processos do fazer adaptativo e refletir sobre a questão da fidelidade. Gérad Genette (2006) como ponto de partida para se pensar as relações entre literatura, intertextualidade e adaptação. E a fortuna crítica da obra de Montgomery que foi compreendida através dos estudos de Jane Ledwell e Jean Mitchell (2013) e de sua autobiografia – O caminho Alpino: a história da minha carreira (2020). No que se refere à questão da literatura e personagem, baseia-se nas concepções teóricas de Rosenfeld (2011). A metodologia adotada, neste estudo, é bibliográfica, do tipo qualitativa. Esse diálogo entre literatura e adaptação – suscita novas produções, reforçando os dizeres, as leituras e interpretações da obra de partida. Com isso, na transposição da protagonista Anne Shirley para a narrativa cinematográfica Anne com E, os recursos utilizados na adaptação apontam para a criatividade e atualização dos temas da obra literária, como o feminismo, a insurgência e a imaginação de Anne, ou seja, esses traços da personagem concebida por Montgomery são mantidos e/ou potencializados na série criada por Moira Walley-Beckett. Além da ampliação das temáticas apresentadas no romance, com a inserção de novas personagens e debates atuais a fim de dialogar com contexto vigente.

  • RUTE LAGES GONÇALVES
  • ENTRE ANGOLA E PORTUGAL: UMA ANÁLISE DO ROMANCE ESSE CABELO,
    DE DJAIMILIA PEREIRA DE ALMEIDA SOB A ÓTICA DO FEMINISMO NEGRO

  • Data: 25/02/2022
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  • O romance Esse cabelo: a tragicomédia de um cabelo crespo que cruza fronteiras (2017), da escritora luso angolana Djaimilia Pereira de Almeida, veicula temas atuais pertinentes ao estudo de gênero, raça e cultura dentro da literatura. Pensando nisso, a presente pesquisa objetiva evidenciar as marcas do feminismo negro nas análises da postura e discurso da personagem Mila, como mulher negra, demonstrando como o romance marca um período em que a escrita literária, produzida por mulheres negras na atualidade, possui um traço decolonial, constituindo para além de produção artística, ação política rumo a justiça social. A análise da obra sob a ótica do feminismo negro fez uso das teóricas de Hooks (1980), Collins (2019), Davis (2013), Ribeiro (2015), pois compreende os processos identitários de uma mulher negra, representados pela personagem numa sociedade de classes; as teorias de Hall (2018), Fanon (2020), Bhabha (2013) que versam sobre a compreensão de negritude e os processos das identidades fragmentadas na contemporaneidade. Além disso, contou também com as teorias de Matta (2014) acerca da constituição da escrita de fronteira refletida na produção literária de mulheres que enfrentaram o processo da diáspora, no caso da personagem Mila, o trânsito diaspórico entre Angola e Portugal. O estudo desta obra mostra como a literatura representa o mundo e não é composta apenas de matéria formal e estética, mas é também orientada por ideologias. O discurso literário tem a capacidade de evidenciar as transformações sociais que ocorrem no mundo, ao passo que, também, influencia novas mudanças. Neste sentido, é perceptível o que vem ocorrendo nas literaturas contemporâneas femininas negras que levam a ancoragens conscientes ou, por vezes, inconscientes, pelo movimento feminista negro. Um perfil de escrita que revoluciona, denuncia e convida para um novo tempo, em que grupos silenciados podem tomar a voz nas escritas que delineiam um espaço de tomada de consciência e cede espaço para discursos literários que suscitem mudanças nas estruturas sociais.

  • YASMINE NAINNE E SILVA CARDOSO
  • Entre cidades e lugares: a construção do espaço em A noite da espera, de Milton Hatoum.

  • Data: 27/06/2022
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  • Propomos nesta pesquisa analisar a relação homem/cidade, a partir do processo de rememoração do protagonista da obra A noite da espera (2017), primeiro romance da trilogia O lugar mais sombrio, de Milton Hatoum. A obra narra a história de Martim, protagonista do enredo, que, exilado em Paris, reúne pequenos fragmentos de textos escritos por ele e amigos, quando ainda residia em Brasília. A partir dos textos, recorda sua vida e experiências na recém-criada Capital Federal em pleno regime ditatorial. A metodologia utilizada para a realização desta pesquisa é de caráter bibliográfico, no qual discutimos as temáticas pertencentes aos estudos literários. O trabalho está pautado nas ideias de Antônio Dimas (1985), Osman Lins (1978), Borges Filho (2007), acerca do espaço. Sobre a memória, temos as contribuições de Le Goff (2012) e Ricoeur (2018); a respeito dos estudos da literatura contemporânea são relevantes os pensamentos de Bosi (1994), Schøllhammer (2011), dentre outros. Na obra A noite da espera, o espaço urbano vai sendo construído a partir da perspectiva do narrador personagem, influenciado por medos, angústias e solidão. O processo memorialístico atravessa o sujeito narrador da obra, em suas experiências individuais e sociais. A rememoração de eventos passados ocorre na obra a partir do cenário urbano e da relação que o sujeito estabelece com os espaços citadinos que comportam vestígios de vivências. No entanto, a percepção do narrador vai sendo comprometida pelos impactos sofridos ao longo de suas vivências, deixando entrever a sua desacomodação e (im)permanência nos espaços de não pertencimento.

2021
Descrição
  • AILLA RAKEL VIEGAS GONÇALVES
  • O EU NO FIO DA NAVALHA: A ESCRITA DE SI EM THE UNABRIDGED JOURNALS OF SYLVIA PLATH

  • Data: 28/09/2021
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  • Resumo da Dissertação de Mestrado submetida ao Programa de Pós-Graduação em Letras – PPG-LETRAS, do Curso de Letras da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, como parte dos requisitos necessários para obtenção do título de Mestre em Letras.
    Desde os seus onze anos, Sylvia Plath cultivava o hábito de escrever e manter diários, rotina que perpetuou até seus últimos dias de vida. A obra The Unabridged Journals of Sylvia Plath abrange os diários escritos pela poeta durante os anos de 1950 a 1962 e a presente dissertação objetiva analisar a relação com a escrita e com o gênero diarístico através dos diários de Sylvia Plath. Para melhor compreender, recorremos aos estudos pioneiros desenvolvidos por Philippe Lejeune sobre o gênero do diário para entender e fundamentar as características que compõe os diários no geral; para isso recorremos a O Pacto Autobiográfico, Diários de garotas francesas no século XIX e On Diary. Também recorremos aos estudos realizados por Simonet-Tenant para abrangermos melhor os estudos dos diários e Jacques Derrida e Phillipe Artières para a compreensão do diário como um arquivo infindável. Procuramos abranger os diários de Plath a partir dos pontos de vistas defendidos por Lejeune e, também, as relações de gênero e autoria levantadas pela poeta em diversas passagens, e, para tal, buscamos obras contemporâneas a Sylvia Plath, a saber Um teto todo seu, de Virginia Woolf, O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir e A Mística Feminina, de Betty Friedan. Desse modo, objetivamos explorar as entradas dos diários escritos por Plath por uma perspectiva intertextual, em uma tentativa de, não só interpretá-las como uma obra de cunho íntimo, mas, também, analisá-las através de um viés literário. Ao mesmo tempo, analisamos como Plath lida com o gênero e como ela usa o diário como uma ferramenta para construir uma autoimagem e estruturar suas obras, além de ser o espelho que a ajuda a navegar no mundo.

  • ANA ROSÁRIA SOARES DA SILVA
  • A POÉTICA DE AMOR E EROTISMO EM CÂNTICO DOS CÂNTICOS

  • Data: 23/06/2021
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  • Esta dissertação propôs analisar o livro bíblico Cântico dos Cânticos de Salomão no intuito de desvelar o sentido erótico e sexual do texto, discutindo a relação entre literatura e erotismo buscando apontar no poema o conteúdo erótico da poesia sapiencial, haja vista sua linguagem metafórica e plurissignificada. Sob a ótica do erotismo, verifica-se no texto do Cântico, sua inserção no cânone sagrado, estrutura literária, interpretações judaica e cristã, assim como seu sentido para a literatura universal com vistas a demarcar seu lugar na Bíblia por seu estilo poético não apenas divino, mas como poética da literatura universal, culto do amor entre homem e mulher. Para a consecução desses objetivos recorreram-se aos teóricos estudiosos dos textos bíblicos: Cavalcanti (2005), Stadelmann (1993), Amaral (2009), Ravasi (2003), Mazzarolo (2000) Magalhães (2000), Anderson (1995), Archer (2001), Reinke (2014), dentre outros de igual importância para esta pesquisa. Discute a poesia na Bíblia, através das ideias de Frye (2004), Kyren (2017), Ferraz, (2008) e demais já citados. Necessitaram-se dessa forma, compreender a linguagem do Cântico dos Cânticos em seu tempo e espaço, verificar abordagens da Bíblia de Jerusalém (1998), Bíblia da Mulher (2002), Bíblia Sagrada (1998), Bíblia de Estudo da Mulher (2009), Bíblia Sagrada Vulgata (1976) para maior conhecimento da narrativa bíblica, a fim de contextualizar o poema conforme os costumes e acordos sociais da época. Para o estudo do amor e erotismo baseiaram-se nas ideias de Paz (1999, 2012) Bataille (2014), Alberoni (1996), Baudrillard (2014), Durigan (1987), Stendhal (1993). Dentre outros autores de grande representatividade para as proposições acerca da literatura erótica e seu alinhamento à poesia do Cântico dos Cânticos, sob a excelência das ideias apreendidas para as análises, esta pesquisa buscou desvelar o sentido do amor erótico no texto ancorando-se nos estudos daqueles teóricos que se debruçam a analisar o Cântico como poesia de amor humano, flagrando assim, o sentido do poema para analisá-lo enquanto poética de amor e erotismo na literatura das Escrituras Sagradas.

  • CAROLINE COELHO DE OLIVEIRA REIS
  • LUIZ GONZAGA E A CONSTRUÇÃO DO IMAGINÁRIO POPULAR DO SERTÃO

  • Data: 04/10/2021
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  • Esta pesquisa tem como objetivo investigar a construção social sertaneja por meio de um espaço percebido pelo sujeito nas letras das canções de Luiz Gonzaga. O artista apresenta um sujeito enunciador que afetado por experiências vividas e percebidas mostra-se intimamente ligado ao espaço, alimentando, assim o imaginário popular sobre o sertão. Dessa maneira, serão analisadas as letras das canções A vida do viajante (1963); No meu pé de serra (1946); Xote dos cabeludos (1967); A morte do vaqueiro (1963); Sequei os olhos (1983); Aboio apaixonado (1956); Asa branca (1947); A volta da asa branca (1950); Algodão (1953); Assum Preto (1950); Paraíba (1946); Cidadão sertanejo (1983); Estrada do Canindé (1951); Gibão de couro (1957); Légua tirana (1949); Pau de arara (1952); Riacho do navio (1955) e Vozes da seca (1953), uma vez que a tessitura textual dessas composições articula a construção social a partir das relações de vivência do sujeito. Essa pesquisa, de base qualitativa e bibliográfica, procura inicialmente, propor uma reflexão de caráter introdutório sobre a relação entre espaço e memória a partir dos estudos de Eric Dardel (2015) e Halbwachs (2006). No que tange às investigações sobre vida e obra do artista, o estudo se baseia em Dominique Dreyfus (2012). Por fim, para entender o caráter social das canções, a  pesquisa fundamenta-se em Antônio Cândido (2006), com importantes contribuições de Durval Muniz de Albuquerque Júnior (2011/2012) no que concerne ao estudo do sertão. Nesse sentido, serão abordadas as categorias pertinentes ao estudo social, tais como tradições, costumes, religião, terra, linguagem, vestimenta, tipos humanos, valores etc. Espera-se, assim, demonstrar o entrecruzamento entre a produção artística de Luiz Gonzaga e seus parceiros com o lugar assumido pelo sertanejo no imaginário popular.

  • CLEYTON DE SOUSA BRAGA
  • O SENTIMENTO DE ANGÚSTIA NA LÍRICA DE O CAMINHO PARA A DISTÂNCIA: APROXIMAÇÕES ENTRE SØREN KIERKEGAARD E VINICIUS DE MORAES

  • Data: 24/09/2021
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  • A principal categoria de análise deste trabalho é o sujeito que se manifesta no poema — especialmente na produção poética de Vinicius de Moraes —, tendo o sentimento de angústia — sob o viés filosófico de Søren Kierkegaard — como instrumento teórico imprescindível nessa análise, que é de interpretação poética. Logo, este é o princípio que se norteia, frente às transformações literárias ocorridas com a modernidade (na conjuntura dos meados do século XIX para os anos iniciais do XX). Observa como esse sentimento ajuda a refletir sobre um sujeito lírico multifacetado, que não apenas expressa suas emoções, mas de como abre questões ponderáveis sobre a condição existencial do homem. Discorrer sobre a constituição de um sujeito lírico na poética de Vinicius de Moraes, a partir do sentimento de angústia presente em poemas que compõem o livro O caminho para a distância, sob o viés da concepção proposta pelo filósofo Søren Kierkegaard, no livro O conceito de angústia, é o objetivo principal. A dissertação é explorada essencialmente através da pesquisa bibliográfica, pautada numa perspectiva analítico-descritiva, tendo o eu lírico, a angústia, a expressividade do poeta, a imitação, o ritmo, o metro, a linguagem por vias simbólicas e sob aspectos filosóficos como instrumentos na análise. Os capítulos se estruturam para: 1) delimitar uma noção de lírica quanto ao entendimento de suas manifestações de segmento e/ ou de ruptura em seu percurso histórico-literário. A base para as etapas deste debate são: Hegel (1997; 2004); Aristóteles (1973; 1999; 2012); Merquior (1997) e Friedrich (1991). 2) relacionar a Poesia e a Filosofia através dum sujeito lírico multifacetado e o sentimento de angústia presentes nos poemas de Vinicius de Moraes com a filosofia da tragicidade de Søren Kierkegaard. Aproximação pautada em: Nunes (2007; 2010; 2011); Weil (2012); Rovighi (2015); Eagleton (2010) e Castello (1997). E 3) analisar em algumas poesias do livro O caminho para a distância a constituição de um sujeito lírico, a partir do sentimento de angústia proposto na filosofia trágica kierkegaardiana, em especial como é tratado na obra O conceito de angústia. Uma etapa com atenção na composição formal, observando alguns elementos literários, no apoio teórico de D’Onofrio (2001); Martins (2000) e Tavares (1989). E outra com atenção na temática, observando a expressividade do sujeito lírico e o sentimento de angústia, na base de Moraes (1933) e Kierkegaard (1974a; 1974b; 1974c; 2018).

  • GLAUCIA CAROLINE SILVA PACHECO
  • A CONSTRUÇÃO IDENTIDÁRIA DE CRIANÇAS NEGRAS A PARTIR DAS OBRAS HISTÓRIAS DA PRETA DE HELOISA PIRES LIMA E LUANA, A MENINA QUE VIU O BRASIL NENÉM, DE AROLDO MACEDO E OSWALDO FAUSTINO

  • Data: 28/09/2021
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  • A presente pesquisa tem como objetivo analisar as produções literárias infanto-juvenis, História da Preta (1998), de Heloisa Pires Lima e Luana, a menina que viu o Brasil neném (2000), de Aroldo Macedo e Oswaldo Faustino, apontando-as com agentes na construção da identidade de crianças negras. A análise será à luz das discussões sobre a identidade e literatura, refletindo criticamente sobre as contribuições dessas narrativas para afirmação identidária da criança por meio de personagens afro-descendentes. Esta pesquisa classifica-se, segundo sua finalidade, como pesquisa teórico bibliográfica, utilizando como metodologia a análise-crítica. O aporte teórico constitui-se das discussões de Coelho (2010), sobre o percurso histórico da literatura infanto-juvenil brasileira, discussões essas ratificadas por Zilberman (2005), bem como as representações da criança. Sobre as
    inter-relações entre afrodescendência, literatura e racismo, Fanon (2008), Cavalleiro (2001), Duarte (2011) e Dória (2008), destacando também apontamentos de como a criança negra é ou se vê representada nos textos literários infanto-juvenis. No tocante às discussões de identidade, Hall (2006), Munanga (2012) entre outros teóricos. Dessa forma, o intuito é que as discussões proporcionem uma compreensão das novas produções infanto-juvenis que contenham a participação de personagens negras sem estereótipos, cujo objetivo é a ressignificação deste texto literário.

  • ISABELA TINOCO RIBEIRO
  • A Desconstrução do estereótipo de avó: Alice, em Quarenta Dias, de Maria Valéria Rezende

  • Data: 12/11/2021
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  • O fazer literário e os estudos literários ganharam novas vozes, que por muito tempo foram silenciadas, o que provocou a necessidade de expressão e que se faz notar na diversidade de representações na literatura. A presente pesquisa tem por objetivo analisar o processo de desconstrução do estereótipo feminino de avó, a partir de questões que subjazem o universo feminino da personagem Alice de Quarenta Dias, de Maria Valéria Rezende que, de repente, vê-se diante das artimanhas da filha para fazer da vida dela, aquilo que julga ser natural para uma senhora como ela, ou seja, torná-la uma avó profissional. A situação de dominação faz nascer na personagem uma estratégia de resistência, levando-a em um caminho para reencontrar-se. Inicialmente, serão discutidas questões que envolvem o contemporâneo e suas implicações na ficção brasileira. Em seguida, propõe-se a discussão sobre a ficção contemporânea no século XXI, voltando-se para os aspectos e estratégias da narrativa. Por fim, far-se-á uma abordagem de algumas transgressões da obra em que a personagem sai em
    busca de reencontrar-se e retomar a sua identidade, analisando o processo de desconstrução dos paradigmas do feminino e o contexto de revelação que a personagem Alice sofrerá à luz do processo epifânico. A pesquisa é qualitativa, de cunho bibliográfico e traz como suporte teórico os estudos baseados na crítica literária aplicadas às teorias de Agamben (2009), Watt (2007), Adorno (2009), Hall (2006), Schollhammer (2009), Compagnon (1999), Resende (2008), Dalcastagnè (2012), dentre outros pesquisadores que servirão de aporte para este estudo. A análise evidencia o contorno dado à personagem Alice e como ela foi construída, contextualizando o universo simbolicamente patriarcal e a forma pela qual a personagem cria subterfúgios para sua reconstrução ou transformação.

  • ITALO RAMON FRANCISCO DE MELO LIMA XIMENES
  • A OUTRA FACE DE LISPECTOR: a representação do Universo Feminino sob as máscaras de Helen Palmer

  • Data: 16/09/2021
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  • No período em que compreende as décadas de 1950 e 1960, Clarice Lispector produziu colunas femininas que foram veiculados em periódicos e jornais da imprensa carioca. Os textos eram voltados exclusivamente para o público feminino e as temáticas, em sua maioria, giravam em torno de conselhos acerca da beleza e comportamento femininos. Em 2013 foi lançada a microssérie Correio Feminino sob a direção de Luiz Fernando Carvalho, num processo de adaptação dos textos produzidos para o jornal Correio da Manhã na coluna homônima que circulou de 1959 a 1961. Diante disso, a presente pesquisa se direciona à análise do exercício da adaptação e da representação da mulher e o universo feminino na microssérie Correio Feminino (2013), de Luiz Fernando Carvalho. Para o alcance do objetivo faz-se necessário tecer um panorama artístico e cultural da mulher brasileira na literatura e nas artes, compreender as características e os processos que constituem a Teoria da Adaptação em Correio Feminino, além de demonstrar as temáticas relativas ao universo feminino na adaptação televisiva e refletir sobre como a narrativa constrói e revela a imagem feminina. A pesquisa é qualitativa, de cunho bibliográfico e traz como suporte teórico os estudos de Literatura e Gênero, a saber: Simone de Beauvoir (1970), Virginia Woolf (1990), Judith Butler (2003), dentre outros de crítica literária, além de Robert Stam (2006) e Linda Hutcheon (2011) no que se referem ao estudo da adaptação. Constata-se que o universo feminino delineado pela escritora e os temas recorrentes dizem respeito às questões de beleza, comportamento, cuidado com o marido, filhos e com a casa. Universo esse refletido e reproduzido no processo de adaptação em Correio Feminino (2013).

  • JOILDO SOUSA COSTA DE OLIVEIRA
  • O HOJE EM DIAS GOMES COM O POVO SENDO BEM OU MAL-AMADO: repetindo o passado na metamorfose ambulante Brasil

  • Data: 11/10/2021
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  • A relação da literatura com o cinema no Brasil teve, na segunda metade do século passado, uma expressiva projeção marcada por diversos autores e diretores. É nesse contexto, que se insere a dramaturgia de Dias Gomes e, algum tempo depois, a produção cinematográfica de Guel Arraes. O diálogo do dramaturgo com o cineasta se dá por meio da obra O Bem - Amado, que, de certa maneira, minimiza a distância do Brasil oficial para o Brasil real, com acentuada dose de sátira e humor refinado descortinando as mazelas sociais do país. Para compreender as (im)possibilidades das representações sociais, a partir do estudo da adaptação cinematográfica e do caráter dinâmico e atual da trama em contextos históricos tão distintos, esse estudo é balizado por Stam (2006), Xavier (2003) e Hutcheon (2011), em uma perspectiva intertextual e crítica ao exercício de adaptações de obras literárias para o cinema. Nessa travessia, se faz necessário o estudo da relação de forças entre a expressividade do registro da escrita literária e o poder das imagens na construção comunicativa com o público espectador. Ainda é possível evidenciar o diálogo do código audiovisual com a tradição do cânone em que, ambas as produções, coexistem com autonomia e vigor artístico, não existindo relação de dependência, mas sim, confluências capazes tanto de revigorar o escrito, quanto atingir novos públicos pelo caminho do visual em movimento. O estudo das cores, o contexto histórico, a trilha sonora, os modos de falar e de representar na obra também são objetos dessa pesquisa, de abordagem qualitativa, que tem objetivo descritivo e usa a revisão bibliográfica como procedimento. Ao término dessa abordagem, nota-se que, no contexto das comunicações digitais multimídia, as adaptações cinematográficas exercem papel significativo na construção e manutenção do imaginário coletivo, além de ratificar o conceito de arte expandida nos dias atuais. O estado do conhecimento atingido, a partir dos autores e obras analisados, pode ser utilizado em outros estudos, com impacto sobre os sujeitos tanto no plano individual como coletivo.

     

  • JONAS MAGNO LOPES AMORIM
  • O relato do (in)dizível: desvendando a construção narrativa de O Olho Silva, de Roberto Bolaño

  • Data: 28/09/2021
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  • Resumo da Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras – PPG-LETRAS, do Curso de Letras da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Mestre em Letras.

    Putas Assassinas é um livro de contos do escritor Roberto Bolaño, no qual conhecemos narrativas curtas em que figuram andarilhos, velhos, prostitutas, poetas, e outros tipos que se confundem com os sujeitos que o autor conheceu enquanto era um exilado político do Chile de 1973. Na obra, Bolaño opta por caminhos narrativos que vão ao encontro do relato que mistura realidade e sonho, fantasia e absurdo, fragilidade e violência, tudo isso inserido em uma paisagem de horror situada no que parece ser um prenúncio de desastre e tragédia. Assim, considerando a estrutura da obra escolhida, evidenciamos nossa opção pelo conto O Olho Silva, narrativa que abre o livro e na qual conhecemos Maurício Silva, jovem fotógrafo chileno exilado de seu país, e as suas jornadas ao redor do mundo, especialmente uma incursão ao submundo indiano onde encontra meninos que são emasculados em um ritual local. Nesse lugar o Olho precisará confrontar a violência que sempre tentou escapar, mas que parecia persegui-lo onde quer que fosse. Sendo esta violência uma constante na trajetória do protagonista, seus efeitos deixarão marcas, causarão impactos nos personagens, na narrativa e na forma como ela será contada. Neste sentido, como objetivo principal, tentaremos compreender como o conto O Olho Silva articula a narrabilidade e a vivência da violência. Desse modo, nosso trabalho se configura da seguinte maneira: inicialmente, estudaremos conceitos teóricos necessários sobre o contemporâneo, o realismo e o fenômeno da
    violência e sua representação; em seguida, analisaremos ‘a verdadeira violência’ que paira sobre o relato do Olho; posteriormente, nos dedicaremos a analisar os aspectos narrativos do conto e seu papel na construção do texto; por fim, focaremos na construção do sujeito Olho Silva, sua personalidade e sua singularidade. Para tanto, privilegiaremos abordagens teóricas voltadas à representação, à escrita realista e as narrativas de violências, nesse sentido, como principais suportes teóricos utilizaremos os trabalhos de Avelar, Adorno, Benjamin, Agamben, Ginzburg, Schøllhammer, Dalcastagnè e outros, como um esforço crítico para compreender os mecanismos textuais da escrita bolañiana, no intuito de não só falar do horror da violência, mas de evitar que o horror seja esquecido, e mais do que isso, para que ele não se repita. Ao final do trabalho, a dissertação foi concluída com o quantitativo de cento e quatro páginas de análises e comentários a respeito da obra O Olho Silva.

  • LAERCIO DA SILVA CAMPOS
  • A CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA EM A NOITE DA ESPERA, DE MILTON HATOUM

  • Data: 30/07/2021
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  • coletivo que se manifesta por meio do discurso. A ficção literária brasileira presta um importante papel para nossa percepção do passado. Diante da importância da abordagem da Ditadura Militar na literatura contemporânea e de como o sujeito é afetado a todo momento pelo discurso, o trabalho de pesquisa analisa a construção discursiva da identidade em A noite da espera, de Milton Hatoum. Martim vai retratar, por meio da escrita de um diário, seu drama pessoal da separação da mãe e da espera por esse reencontro. Em paralelo, o Brasil dos anos 60/70 – período ditatorial, temática que retrata o período vivido pela personagem. O conflito pessoal de Martim é atravessado pelas tensões de Brasília nesse período. Os relatos de cunho íntimo e moral são afetados pelos eventos sociais e políticos. Inicialmente, apresenta-se a Análise do Discurso e seus aspectos teóricos. Propõe-se uma reflexão de caráter introdutório a fim de traçarmos caminhos teóricos para a investigação, a partir dos conceitos gerais que constituem parâmetros de análise. Em seguida, apresenta-se uma discussão sobre a relação entre linguagem e história. Observa-se, por exemplo, como as transformações históricas como a Ditadura Militar estabelecem condições de produção de discursos e a constituição de memória. Por fim, a proposta de análise, na qual são abordados elementos do ethos discursivo que se manifestam na obra. A temática é abordada a partir dos estudos em Análise do Discurso de Dominique Maingueneau (2020; 2019; 2018; 2008a; 2008b; 1997) e Michel Pêcheux (2015; 2014; 1999a; 1999b; 1995), dentre outros estudiosos que contribuem para abordagens sobre a construção discursiva da identidade. Evidencia-se, preliminarmente, que Martim é a expressão de como o sujeito discursivo é afetado pelo interdiscurso forjado pelo campo socioideológico, marcado historicamente.

  • LARISSA REJANE SILVA BRITO
  • A IDENTIDADE DA MULHER AFRICANA DIASPÓRICA, EM
    NÃO VOU MAIS LAVAR OS PRATOS DE CRISTIANE SOBRAL

  • Data: 26/08/2021
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  • A partir de um olhar afrocentrado para as vivências e produções literárias afrodiaspóricas, marcadas em suas memórias e culturas, propõe-se a construção de conhecimentos afroreferenciados que se relacionam entre si e
    auxiliam na compreensão da escrita da mulher africana em diáspora. De caráter bibliográfico, a pesquisa apresenta a literatura afrodiaspórica no Brasil, em especial a da mulher africana em diáspora, sua história, suas identidades,
    suas estratégias de resistência, permanência e afirmação. Assim, a relação entre essa ampla vivência da mulher africana em diáspora – e seu povo –, com as produções literárias afrodiaspóricas, é analisada através da recepção crítica dos poemas de Cristiane Sobral em Não vou mais lavar os pratos (2016).

  • LUIS HENRIQUE PEREIRA DA SILVA
  • O ANDARILHO E O LABIRINTO UROBÓRICO DA ESCRITA EM NÃO TIVE NENHUM PRAZER EM CONHECÊ-LOS, DE EVANDRO AFFONSO FERREIRA

  • Data: 27/09/2021
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  • Resumo da Dissertação de Mestrado submetida ao Programa de Pós-Graduação em Letras – PPG-LETRAS, do Curso de Letras da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, como parte dos requisitos necessários para
    obtenção do título de Mestre em Letras (Teoria Literária).
    Não tive nenhum prazer em conhecê-los, de Evandro Affonso Ferreira, é um romance construído a partir de uma arquitetura narrativa fragmentada-epigramada, cujo narrador-personagem-escritor-andarilho, na escrita de suas
    ‘retrospectivas lamuriosas’, faz cintilar a imagem de um sujeito estilhaçado. ‘Desmemoriado’, imerso na melancolia, no luto e na solidão, o narrador transita pernóstico entre seu ‘quarto-claustro’ e as ruas de uma ‘metrópole apressurada’ em busca das palavras para contar a si mesmo. Diante destes apontamentos, urge uma narrativa descontínua, empreendida não no apaziguamento da linguagem, mas na fissura e na (im)possibilidade de ser e dizer, de tal maneira que o caminhar – da personagem e do movimento de escrita – não é um gesto tranquilo, mas errante. Neste sentido, este trabalho propõe uma leitura de Não tive nenhum prazer em conhecê-los, intentando perceber de que maneira o ato caminhar e o ato escrever reverberam sobre a subjetividade do narrador-personagem, agindo como um retorno a si mesmo no empreendimento de escrita na medida em que o faz refletir sobre a sua condição e as implicações da idade nonagenária. O que se põe em questão parte da hipótese de que o narrador, metaforicamente o andarilho da escrita, caminha em direção a um ato de se escrever, ao mesmo tempo em que questiona este ato e a própria escrita. Neste sentido, secionamos nossas
    discussões analisando, primeiro, as imbricações subjetivas da condição estilhaçada do narrador-personagem e, em seguida, o artifício de construção da obra pelos imperativos do caminhar e do escrever. Privilegiamos a
    abordagem da metaficção para acessar os processos de construção da arquitetura narrativa, que se utiliza de artifícios metaficcionais. Nesse sentido, a metaficção é tomada aqui como uma chave de acesso à obra e entendida como um esforço crítico necessário para entender a produção ficcional contemporânea e, também, como uma constituinte intrínseca da narrativa do romance de Evandro Affonso Ferreira, na medida em que ela se dobra e redobra sobre si mesma, abrindo inúmeros questionamentos e afastando-se na medida em que se deixa ver de perto.

  • ODILENE SILVA DO NASCIMENTO ALMEIDA
  • A construção da memória através do espaço na obra Fazendo Ana Paz, de Ligia Bojunga

  • Data: 22/07/2021
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  • O processo de rememoração é indispensável para a compreensão do sujeito na sua relação com o social. Por sua vez, os espaços de vivências guardam as referências, tanto individuais quanto coletivas e contribuem para a ressignificação das lembranças. Diante disso, a presente pesquisa tem por objetivo analisar o caráter memorialístico através do espaço em Fazendo Ana Paz, de Lygia Bojunga. Como objetivos específicos, destacam-se: situar a obra Fazendo Ana Paz, de Lygia Bojunga, dentro da crítica literária contemporânea; discutir o processo de rememoração da protagonista Ana Paz, por meio da relação entre o passado e o presente; compreender como os espaços íntimos
    são desencadeadores de lembranças. Para tanto, parte-se da seguinte problematização: como se dá o processo memorialístico em Fazendo Ana Paz e de que modo o espaço contribui para a construção da memória, considerando os principais eixos norteadores de sua estrutura composicional.A obra apresenta um forte teor autobiográfico, expondo as experiências de Ana Paz, protagonista da narrativa, com as sensações despertadas a partir do lugar de origem, a casa primigênia, e das relações mantidas com a família e demais sujeitos integrantes de sua história de vida. O passado e o ressurgimento das lembranças dão o tom para o enredo de Ana Paz, desdobrando as impressões
    que marcaram a sua infância. Primeiramente, discute-se aspectos que contemplam a fortuna crítica acerca de Lygia Bojunga, aliado ao caráter contemporâneo de sua obra. Em seguida, propõe-se uma discussão sobre os estudos da memória e o papel do espaço na trama. Por fim, analisa-se a obra a
    partir do tema proposto. A pesquisa é qualitativa, de cunho bibliográfico e traz como suporte teórico os estudos que se baseiam nas concepções da crítica literária, da perspectiva do contemporâneo, embasadas por Agamben (2009), Schollhammer (2009), Pellegrini (2007), assim como nas teorias da memória fundamentadas na visão de Bergson (1999) e Halbwachs (2006); sobre o espaço, a pesquisa pauta-se em Bachelard (2008) e Brandão (2013), dentre outros estudiosos que dispõem de abordagens significativas para o entendimento da relação entre memória e espaço. Constata-se que, tanto a memória quanto o espaço, participam ativamente do processo de reconhecimento de si por meio das experiências, fato este desdobrado em Fazendo Ana Paz, cuja protagonista traça o caminho de volta ao passado, tendo as lembranças impactos no presente da rememoração.

  • WENDEL VINÍCIUS DE FREITAS SANTOS
  • A VERBALIZAÇÃO DO OLHAR: a memória e a paisagem, em  Litania da Velha.

  • Data: 26/01/2021
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  • Esta dissertação propõe o estudo da obra Litania da Velha (1996), de Arlete Nogueira da Cruz Machado (1936), a partir da relação entre a poesia, a memória e a paisagem, considerando o poema como um olhar verbalizado de
    sua protagonista, evidenciado pelo narrador poético. A magnum opus arletiana se apresenta em um poema narrativo, cuja diegese conta com uma personagem mendiga anônima que, na sua rotina solitária, percorre, pela
    última vez, o centro histórico da cidade de São Luís. Defende-se assim que, nesse passeio, a personagem perpassa por quatro sequências discursivas – lembrar, caminhar, descansar e cair – pelas quais se erguem esta leitura, metodologicamente. Para a ação de lembrar, abalizados nos pensamentos de Paul Ricoeur, Jacques Le Goff, Maurice Halbwachs e Henri Bergson, discutem- se as nuances da memória e como ela se manifesta no texto literário. Na ação de caminhar, sob a perspectiva de Gaston Bachelard, para a poética do espaço, e de Yi-fu Tuan e Dardel, para a relação com o espaço, buscou-se entender como a paisagem é construída e representada no poema. Tomados pelo ato poético da personagem, que para e descansa em um degrau, vislumbramos as noções de lugar, como uma descontinuidade do espaço, e não-lugar, como lugar transitório, respectivamente, sob as ideias de Edward Relph e Mac Augé. Ao desfecho poemático, a experiência da queda da personagem nos revela espaços e lugares sociais pelos quais a personagem estabelece sua identidade. Nesse contexto, o debate teórico com o poema, sob a ótica, também, da fenomenologia, de Merleu-Ponty, nos leva à percepção da memória e da paisagem na lírica arletiana.

2020
Descrição
  • CLAUDIANNY MARIA GALVAO MELO E SILVA
  • Memória e Infância em Os da Minha rua, de Ondjaki

  • Data: 07/08/2020
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  • A pesquisa intitulada “Memória e Infância em Os da minha rua”, propõe analisar acerca da obra do escritor angolano Ondjaki e perceber de que maneira a memória se apresenta como elemento na constituição da evocação da infância pelos recortes memorialísticos. A literatura angolana consolida-se sob a influência da resistência e da luta pela independência de Angola, assim como as relações dessa escrita com a literatura do país, esta que é um instrumento de luta, de resistência e traz à baila temas que versam sobre a infância, guerras, histórias de lutas e memórias de um povo. A pesquisa gira em torno das lembranças do personagem principal, que relembra anedotas e pequenas histórias de sua vida numa rua em Luanda. O estudo objetiva fazer uma análise sobre a presença da memória na obra, na qual se buscará a relevância no processo de ressignificação do passado e perceber a evocação dessa reminiscência por meio do discurso do narrador-personagem Ndalu, que recorda as lembranças da vida de criança. Ondjaki (2007) se utiliza das estratégias da narrativa literária para evocar tal recordação e, assim, compartilhar com seu povo a cultura. A pesquisa é de cunho bibliográfico e crítico literário, em que se busca compreender como a memória atua no processo de rememoração da infância nos contos Os quedes vermelhos da Tchi, O portão da casa da tia Rosa, Palavras para o velho Abacateiro, O voo do Jika, Os óculos da Charlita, A professora Genoveva esteve a cá, O homem mais magro de Luanda, O último carnaval da vitória, No galinheiro, no devagar no tempo, presentes na obra Os da minha rua (2007), bem como fazer seu uso para revelar os problemas enfrentados pela Angola no pós-independência. Para entendermos a importância do conteúdo da infância e da memória na literatura de Angola, a produção valerá da fundamentação de alguns teóricos, adotaremos em nossa discussão as ideias de Bosi (2003), Candau (2011), Chaves (2005, 2007), Duarte, Holanda e Santos (2010), Ervedosa (s/d), Halbwachs
    (1990), Le Goff (2003), Margarido (1980), Ramos (2007), Trigo (1985), Walter (2009), entre outros. A relevância deste trabalho dá-se, principalmente, pela possibilidade de esclarecer sobre a importância da memória na ressignificação das nossas vivências e valores culturais sobre a Angola no pós-independência.

  • DULCE MAURILIA RIBEIRO BORGES
  • A violência legitimada na ordem social: uma leitura de O matador,Patrícia Melo.

  • Data: 12/08/2020
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  • Desde o início do século XX, a ficção brasileira sugere a presença da violência no meio urbano como elemento constituinte da vida do homem. Não obstante, a partir da segunda metade do século XX, a ficção torna a violência mais enfática, ao mostrar esse acontecimento pela voz do narrador: um personagem da classe operária, partícipe do caos, instaurado no cenário urbano. Desse período, destaca-se a obra O matador, de Patrícia Melo que, ao conceder voz e poder a um jovem simples, cuja função é assassinar por encomenda, mostra, sem desvelos, a violência extrema e banalizada, por meio de cenas repetitivas e exaustivas de agressões. Considerando-se essa ficção de Patrícia Melo um marco importante para literatura brasileira, haja vista a linha tênue que separa a obra da realidade violenta, esta pesquisa apresenta uma análise da segunda edição de O matador (Rocco, 2009), visando ratificar que nela a representação da violência atesta a existência e a prática de violências, que versa para o desrespeito à vida humana, sublimada por meios cruéis, que vão do uso extremo da força vital à legitimação desse uso pela sociedade. A metodologia é a de revisão de literatura, tomando por suporte teórico as considerações de Michel Foucault (1996, 1999), Jaime Ginzburg (2017), Perrone-Moisés (2016), Tânia Pellegrini (2002, 2008), Regina Zilberman (1994), Karl Schollhammer (2000, 2009), entre outros pesquisadores, sobre a representação da violência na literatura universal e na literatura brasileira; além da revistação de estudos de Hannah Arendt (2013), Marilena Chauí (2018), Alba Zaluar (1998), Silvia Carbone (2008), entre outros, respectivamente, sobre violência e poder, e violência praticada por indivíduos postos à margem social. Da análise da obra, certifica-se que Patrícia Melo é uma ficcionista engajada em representar a violência pelo exercício da força brutal, empregada como recurso autoritário de manutenção e controle da ordem social, em espaços onde vigoram o poder paralelo; sugerindo, assim, a existência de fissuras sociais no Brasil. 

  • FERNANDA REGINA MARTINS PINHEIRO
  • “PONCIÁ VICÊNCIO” DE CONCEIÇÃO EVARISTO: ATRAVESSAMENTOS IDENTITÁRIOS E EXPERIÊNCIAS NEGRO-FEMININAS

  • Data: 03/07/2020
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  • Pelas memórias de Ponciá Vicêncio, neta de negros escravizados, é construída a narrativa do romance Ponciá Vicêncio de Conceição Evaristo, bem como as trajetórias de vida da protagonista da infância à idade adulta, intercalando rememorações com o tempo presente da narrativa, que se confundem com a trajetória do povo negro da diáspora. No embate entre memórias e ausências de Ponciá, suas identidades étnica e cultural são reconstruídas, bem como os rumos de sua história. Nesse interim, esta pesquisa pretende percorrer pelas peculiaridades e idiossincrasias do discurso memorialístico, feminista e afro-diaspórico de Conceição Evaristo, na obra em questão, revisitando operadores conceituais como memória, identidade, diáspora negra, feminismo e matriarcado negro tão presentificados nesta narrativa contemporânea. Para tornar possível a presente análise, recorremos aos constructos teóricos de Stuart Hall (2008, 2015), Paul Gilroy (2007, 2012), Frantz Fanon (2008) e Roland Walter (2011), e, para além desses autores, analisaremos a obra a partir das contribuições da própria Conceição Evaristo (2005, 2009), Angela Davis (2016), bel hooks (2018), Patricia Hill Collins (2019), Grada Kilomba (2010), Sueli Carneiro (2019) e Djamila Ribeiro (2017, 2018). Com esses aportes teóricos cortejaremos a narrativa em análise a fim de reconstruir, como também ressignificar os rastros da memória ancestral e afro-diaspórica das personagens femininas presentes na obra.

  • ILKA VANESSA MEIRELES SANTOS
  • INOVAÇÕES E REPETIÇÕES DAS REPRESENTAÇÕES FEMININAS EM A INTRUSA, DE JÚLIA LOPES DE ALMEIDA

  • Data: 13/06/2020
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  • A pesquisa em apreço dedica-se à análise das representações de personagens femininas no romance A Intrusa (1905), da escritora Julia Lopes de Almeida, apresentando um estudo sobre as repetições e inovações de figuras femininas presentes numa sociedade moldada pelo saber masculino. Assim, busca-se esclarecer de que maneira as personagens femininas do romance apresentam comportamentos cristalizados por uma cultura patriarcal e, ao mesmo tempo, expõem comportamentos transgressores, infringindo ou resistindo à dominação masculina.
    Para tanto, é imprescindível que se considerem as conjunturas históricas sociais que marcaram o contexto da produção desse romance, ou seja, o início do século XX, e os estudos sobre a crítica e a autoria feminina. Destaca-se a relevância de estudar a obra de Julia Lopes de Almeida, na medida em que a autora foi silenciada do cenário literário brasileiro pela crítica falocêntrica, apesar de seu sucesso na época enquanto profissional da escrita, colaborando para o enriquecimento da literatura brasileira, uma vez que a escritora apresenta sua postura política e crítica por meio de suas personagens para expor os pensamentos preconceituosos e conservadores sobre a mulher. Para subsidiar esta pesquisa, faz-se uso das contribuições teóricas de Nicolau Sevcenko (1999), Alfredo Bosi (1994) e Brito Broca (1975), para a contextualização da produção de romances brasileiros no início do século XX; Simone de Beauvoir (2016), Virginia Woolf (1928), Showalter (2007), para os estudos de autoria e crítica feminina, além dos estudos de Lucia Zolin (2007), ZahidéMuzart (1999) e Constância Lima Duarte (1997), dentre outros.

  • MACKSA RAQUEL GOMES SOARES
  • CAROLINA MARIA DE JESUS: TESSITURA DA ESCRITA COMO IDENTIDADE

  • Data: 27/07/2020
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  • Carolina Maria de Jesus sob o olhar da obra Quarto de Despejo: diário de uma favelada (1960) alvitra por meio da escrita autobiográfica uma releitura sobre a condição de negras e negros no Brasil, a partir de experiências femininas opressoras, emersas num contexto racista, sexista e com conflituosos conceitos de classe, gênero. Ao mesmo tempo, permite análises sobre esse corpo que escreve como resgate de sua identidade de mulher negra fracionada, cuja subjetividade foi subjugada por muitos anos. Este trabalho parte da perspectiva da escrita de si para analisar a tessitura textual confessional e problematizar como isto é um importante componente no sentido de forjar a subjetividade para a narradora e, de modo simultâneo, entender qual a imagem que a personagem cria de si numa concepção de construção identitária feminina teorizando a favela e fazendo este conjunto de moradias conhecido e muito além de excrementos e depósitos de pessoas. À pesquisa também recai sobre escritas autobiográficas e literaturas de mulheres afrodescendentes, a relevância destas para o cenário literato, assim como discute a literatura social valendo-se dessa narrativa, do lugar que é escrita e os discursos que são reiterados pela autora. Discute conjuntamente sobre o lugar de fala, as questões interseccionais de gênero, raça e classe e ainda acerca das estruturas do racismo presente em nossa sociedade. O estudo é qualitativo de cunho bibliográfico, crítico literário, interdisciplinar argumentado por visões teóricas e dentre estas as de Perpetua (2011), Moisés (2016), Hall (2006), Pollak (1992), Meihy (1998) no que tange à construção do tecido literário como identidade na obra em estudo e no que se refere à escrita como ferramenta de luta contra o silenciamento de vozes negras e discussões acerca da condição social de ser negro com fundamentos em Evaristo (2009), Ponce (2016), Davis (2016), Ribeiro (2019), Kilomba (2019), Carneiro (2019), Hooks (2019). Em diálogos sobre a escrita de si, autobiografias femininas autores como Rago (2013), Lacerda (2003), Lejeune (1997), Faedrich (2009). A importância deste trabalho dá-se ainda por entender a literatura como mecanismo de transcendência, de conversas reflexivas sobre o lugar que se ocupa quando se é mulher ou quando nos tornamos uma.

  • MARCELO BALDIN NODARI
  • DIÁLOGOS CONTEMPORÂNEOS COM A OBRA DE POE: Uma leitura sobre a solidão na adaptação cinematográfica O homem das multidões.

  • Data: 15/06/2020
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  • NODARI, Marcelo Baldin. Diálogos contemporâneos com a obra de Poe: Uma leitura sobre a solidão na adaptação cinematográfica “O homem das multidões”. São Luís: UEMA, 2019.Versão final de dissertação (mestrado em letras). Universidade Estadual do Maranhão, Centro de Educação, Ciências Exatas e Naturais, Departamento de Letras. 114f.
    O presente trabalho propõe a análise da adaptação cinematográfica “O homem das multidões” (2014), de Cao Guimarães e Marcelo Gomes, baseada no conto “O homem da multidão”, publicado em 1840 por Edgar Allan Poe, buscando especificamente investigar como o sentimento solidão é representado no cinema a partir deste texto literário. Considerando a importância de Edgar Allan Poe e suas contribuições para as literaturas moderna e contemporânea, o estudo inicia-se a partir da análise do conto sob a ótica do moderno flâneur, referendado por Baudelaire (2003) e Benjamin (1989 e 2000), para posteriormente também mostrar a importância deste autor para os estudos literários, tomando alguns critérios de Agamben (2009) como referência. Além disso, por se verificar que, tanto no conto como na adaptação cinematográfica, o processo de modernização dos espaços metropolitanos (flaneries) influenciam decisivamente para a manutenção da aparente contradição em sentir-se só, mesmo estando em meio a uma multidão, a solidão foi escolhida como aspecto temático a ser investigado no filme. Para tanto, na análise do sentimento solidão na adaptação, foram utilizadas as bases sociológicas de Riesman (1995) e a perspectiva psicológica de Tanis (2003), além de uma discussão sobre a teoria da adaptação cinematográfica com base nos referenciais teóricos de Hutcheon (2011) e Stam (2006), para se apreender possibilidades de interpretação da obra fílmica. Não obstante Edgar Allan Poe seja um autor do século XIX, a pesquisa mostrou que sua obra continua a ser revisitada na atualidade, haja vista as temáticas trabalhadas pelo
    escritor estarem muito próximas das representações artísticas nos dias atuais.

  • MARCO ANTONIO ROCHA RODRIGUES
  • Hermenêutica da Angústia: análise filosófico-literária da obra "O
    Anafilático Desespero da Esperança" de Nauro Machado

  • Data: 29/07/2020
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  • A presente dissertação tem por meta apresentar, de forma concisa, uma hermenêutica da angústia através de uma análise filosófico-literária das categorias “anafilático”, “desespero” e “esperança”, as quais formam o título de uma das obras do poeta Nauro Machado: O Anafilático desespero da esperança. Desse modo, através dessas categorias de referência, selecionou-se, dentre os 100 poemas que compõem o livro, aquelas que correspondem e com elas dialogam mais diretamente. Para essa tarefa, a ideia de angústia, aqui compreendida, refere-se a uma dimensão existencial onde a realidade da existência se nadifica e arroga, dessa forma, o desvelamento inaudito da palavra que possa suplantar os sentidos de uma mundanidade prosaica, desvigorada e ordinária. Para tanto, a metodologia utilizada é o modelo hermenêutico, teoricamente fundamentado a partir da perspectiva heideggeriana para análise poética, em interlocução com as perspectivas filosóficas contemporâneas e com a teoria literária, destacando-se os autores Maurice Blanchot, Antônio Cândido e Alberto Pucheu. Os resultados contemplam, previamente, uma apreciação inteligível da ideia de angústia através das dimensões da “esperança” em seu “desespero anafilático”.

  • MARCOS ANTÔNIO FERNANDES DOS SANTOS
  • ANÁLISE DA OBRA A ARTE DE PRODUZIR EFEITO SEM CAUSA SOB A PERSPECTIVA DA TEORIA DO EFEITO ESTÉTICO

  • Data: 12/08/2020
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  • A presente pesquisa trata sobre a obra A arte de produzir efeito sem causa, de Lourenço Mutarelli, buscando discutir a relação entre o conteúdo literário e a recepção por parte do leitor, de forma a ampliar a compreensão dos efeitos estéticos promovidos através de sua leitura. Enquanto literatura contemporânea, a multiplicidade de diálogos que o livro promove vai ao encontra da experiência sensível vivenciada no cotidiano urbano e representa a crise do sujeito e suas relações com o outro e com o mundo, em um texto construído com amplas
    possibilidades de atribuição de sentidos e expectativas, que nos ajuda também a compreender a estética do contemporâneo. Por outro lado, e de forma complementar, também foi abordado o fazer literário do escritor. O objetivo da pesquisa é analisar como acontece o efeito estético a partir do exercício de leitura da obra e quais os mecanismos envolvidos na produção do efeito. Para a reflexão teórica foram utilizados autores como Perrone-Moisés (2016), Schøllhammer (2009), Agamben (2009), Ingarden (1979), Iser (1996; 1999) e Eco (2001; 2008). A abordagem metodológica baseia-se em revisão bibliográfica. A leitura do romance demonstrou que o medo e a angústia são sentimentos que revelam o efeito estético provocado, que é decorrente especialmente da forma como a linguagem se manifesta e da perspectiva do narrador, marcada pela proximidade que ele mantém com os fatos. O texto manifesta a presença de muitos vazios, de maneira que seu sentido repousa muito mais no não-dito. O não preenchimento de todos os vazios textuais não compromete a interpretação realizada do texto.

  • SILVIA CRISTINA COSTA PORTO
  • BOTÃO-DE-ROSA: FANTASMAGORIAS E ABSURDISMO NO UNIVERSO DE MURILO RUBIÃO

  • Data: 19/10/2020
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  • Este trabalho tem como proposta uma análise do conto “Botão-de-Rosa” de Murilo Rubião, onde se pretende, pela abordagem do gênero fantástico, analisar a presença do absurdo da condição humana nesta obra. A narrativa de Rubião tende ao chamado “fantástico contemporâneo”, e ao movimento da vanguarda hispano-americana. Fazendo uso dos acontecimentos cotidianos, onde o insólito é aceito naturalmente pelos protagonistas, a presença do absurdo é evidenciada pela atmosfera sufocante e opressora, pela irracionalidade e pelo desencantamento e solidão que conduzem os personagens na busca de um sentido quase sempre ausente. “Botão-de-Rosa” conta a história do personagem homônimo, vítima das instituições absurdas de seu tempo. Ao longo da narrativa, ele é
    preso, julgado e condenado à morte por um sistema judiciário parcial e corrupto, cujo funcionamento ele ignorava. Neste conto Rubião destaca a complexa relação homem-sociedade, ao abordar: justiça, totalitarismo, negação do sujeito e opressão institucionalizada. Para abordarmos o Absurdo, faremos uso das teorias presentes, principalmente, nas obras de Albert Camus, onde a definição de absurdo diz respeito ao confronto da irracionalidade do mundo com o desejo de racionalidade do homem, destacando-se as características do absurdo na narrativa de Rubião.

     

  • SUSANE MARTINS RIBEIRO SILVA
  • A CIDADE ESTÁ NO HOMEM, O HOMEM ESTÁ NA CIDADE: Memória e Paisagem em Poema sujo, de Ferreira Gullar

  • Data: 16/06/2020
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  • A obra Poema sujo de Ferreira Gullar é considerada pela crítica moderna uma “Canção do Exílio”. Com um depoimento sobre si, os outros e sobre a sua cidade, representado em versos, a obra possibilita diferentes leituras. Assim, objetiva-se analisar em Poema sujo o processo de rememoração, considerando a percepção da paisagem, perpassada pelo entendimento de que o eu lírico revisita os espaços das vivências e da construção da
    paisagem, a partir de suas experiências. É através da memória que o sujeito ressignifica objetos, pessoas, espaços e lugares de pertencimento a partir de impressões, sentimentos e sensações. Ao descrever paisagens, através da rememoração, o sujeito destaca o vigor e a delicadeza do ambiente. Diante disso, considera-se relevante a relação entre memória e paisagem em Poema sujo, tendo como elo principal a experiência do sujeito com pessoas, acontecimentos e lugares que, de certo modo, geram influência no indivíduo no presente da
    rememoração e, ao serem transmitidos em meio aos versos, evita o esquecimento. As paisagens descritas partem das experiências vividas pelo sujeito poético em seus lugares de acolhimento. Na perspectiva memorialística, a pesquisa está fundamentada no pensamento de Benjamin (2012), Halbwachs (2006), Sarlo (2007), Gagnebin (1994; 2009); quanto à paisagem, adota-se a visão de Collot (2012; 2013, 2015), Feitosa (2013), Schama (1996), dentre outros que se fizerem necessários. Propõe-se estabelecer um diálogo com as teorias do espaço, com foco nos estudos de Bachelard (2005) e Brandão (2013). Assim, a leitura desta obra, através das proposições supracitadas, torna-se um meio de compreender como o fluxo memorialístico, as paisagens ressignificadas e as experiências do sujeito poético influenciam suas impressões, sentimentos e o modo de entender a si mesmo e os outros. 

2019
Descrição
  • ANDRESSA SILVA SOUSA
  • A POÉTICA DA DESACELERAÇÃO NA FICÇÃO DISTÓPICA FARENHEIT 451, DE RAY BRADBURY

  • Data: 12/09/2019
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  • A imaginação utópica é inerente ao homem desde o seu princípio. Ao defrontar-se com a realidade indesejável, a humanidade tem se movido constantemente pela busca de um lugar ou um tempo radicalmente melhores. No século XVI, Thomas More publicou sua Utopia, manifestação literária desse bom lugar. Ao iniciar-se o processo de modernização, especialmente a partir da Revolução Industrial, o ritmo das experiências humanas foi alterado de modo significativo e o homem sentiu-se, então, piamente capaz de conquistar a utopia mais longínqua. Dotado de seu aparato técnico, senhor da velocidade, acelerou o movimento em direção à realização de seu futuro melhor, rumo à felicidade. Aportando, porém, no século XX, o porvir sonhado mostrou-se sombrio e degradante, pois nas mãos humanas, a ciência e a técnica revelaram-se destrutivas e dominadoras. O espírito otimista de outrora foi, então, substituído por outro cético e pessimista. Neste cenário, escritores como Zamiátin, Huxley e Orwell escreveram suas distopias literárias (ou as utopias negativas) em que ficcionalizaram futuros piorados, avisando a humanidade sobre o abismo, logo adiante, se esta não mudasse de direção. Entende-se, portanto, que mesmo nas distopias, reside um fio de esperança. Nessa perspectiva, a atual pesquisa investiga não somente o universo distópico, mas também o espírito utópico que percorre a obra Fahrenheit 451 (1953), de Ray Bradbury. Objetiva-se apresentar a face distópica dessa obra a partir do Totalitarismo Dromológico – fenômeno oriundo da modernidade capitalista e agudizado na contemporaneidade –, e a Poética da Desaceleração, que é o ler-caminhar, enquanto espírito utópico – presente na matéria literária – que lhe oferece resistência. Para tanto, escolheu-se a pesquisa bibliográfica baseada nos estudos sobre Utopia e Distopia de Gregory Claeys (2013), Russel Jacob (2007; 1999), Ernst Bloch (2005) e Keith Booker (1994), entre outros; na teoria crítica como análise radical da sociedade capitalista moderna e contemporânea firmada em Theodor Adorno e Max Horkheimer, Walter Benjamim (1987) e Zygmunt Bauman (2007, 2001); nos trabalhos teóricos e crítico-literários de Tzvetan Todorov (2014), Jean-Paul Sartre (2015), Antoine Compagnon (2014), além de teses, dissertações e artigos. A pesquisa partiu da problematização acerca da natureza da esperança negativa contida em Fahrenheit 451. Assim, analisa-se a obra a partir do cabedal teórico mencionado, ressaltando excertos que comprovam os aspectos distópicos e utópicos que a compõem. Ademais, interpreta-se, sobretudo, que a obra de Bradbury se ergue como um Elogio à Literatura, enaltecendo a resistência que esta empreende contra a cultura imediatista através de sua linguagem metafórica, indireta e, por isso, desacelerada. A fruição estética da arte literária é, pois, um exercício de liberdade para o homem contemporâneo, refém da aceleração.

  • DEIVANIRA VASCONCELOS SOARES
  • AFLIÇÕES DA LIDA DO SER NO TEMPO:

    Sutilezas e transmutação em Abril despedaçado, de Ismail Kadaré e Walter Salles

  • Data: 28/06/2019
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  • No caminhar do literário, campo da palavra, para o cinema, âmbito audiovisual, depara-se com necessárias reflexões sobre uma gama de demandas, essencialmente no que se refere às veredas da adaptação. Nesse sentido, esta proposta de estudo desenvolve uma análise de Abril despedaçado (2001), filme dirigido por Walter Salles baseado no romance albanês, homônimo, de Ismail Kadaré (1978), com o objetivo de se perscrutar o processo de transmutação de elementos narrativos, essencialmente do tempo, do literário para a produção fílmica. Dessa forma, quer-se analisar a produção literária para, em seguida, verificar que escolhas do campo imagético são usadas para se estabelecer a narrativa cinematográfica, em um diálogo singular com o romance. Diante disso, a leitura teórica para fundamentar essa discussão parte das contribuições do dialogismo intertextual de Mikhail Bakhtin (2003), Julia Kristeva (2005) e Gérard Genette (2010). Ainda são usados para reflexão os pensamentos sobre o complexo universo da adaptação, seus caminhos e sinuosidades, especialmente, pelo sustentáculo teórico de Robert Stam (2006) e Linda Hutcheon (2013). Conta-se, também, com o suporte teórico sobre o tempo no romance e, essencialmente, no audiovisual para se ter conhecimento dos entrelaços desse elemento narrativo esculpido no cinema, a fim de se poder analisar os tópicos marcadores que formam uma mensagem na narração imagética. Finalmente, são analisados recortes do romance e cenas do filme no empenho de se assinalar as construções e marcadores que definem a narração das histórias, bem como os significados sugeridos, analisando-se a linguagem cinematográfica como plural.

  • ERONILDE DOS SANTOS CUNHA
  • TESSITURAS DO OLHAR:

    AS INSUBMISSAS VOZES NEGRAS DE CONCEIÇÃO EVARISTO

     

  • Data: 10/09/2019
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  • Enveredando pela literatura contemporânea brasileira, este trabalho busca refletir sobre a construção da personagem feminina negra na obra Insubmissas lágrimas de mulheres (2011), da escritora Conceição Evaristo, na perspectiva da multiplicidade de vozes-mulheres que ecoam nos contos, como mecanismos de luta contra o racismo e o machismo latente nas bases estruturais da sociedade e, consequentemente, da literatura nacional, resquício de um sistema colonial e escravocrata ainda presente na contemporaneidade. Evaristo, conscientemente, elege linhas discursivas um tanto diferentes da hegemônica, tendo em vista realçar as diversidades culturais e vivências de promoção e empoderamento negro, além de recriar diferentes contextos de
    enunciação, contrapondo-se ao insistente silenciamento do povo negro. Fortalece, com isso, os mecanismos de legitimação e representação da literatura feminina negra, comumente considerada periférica e marginal. Este trabalho, portanto, tem como propósito analisar o protagonismo das personagens femininas em diferentes contos da obra estudada. Voltar-se para essas narrativas é uma tentativa de evidenciar as marcas da afrocentricidade presentes na construção do protagonismo negro, além de sinalizar as maneiras como essas personagens negras figuram no centro da cena. Para tanto, debruçou-se, especialmente, sobre as teorias da afrocentricidade, a partir das pesquisas de Molefi Kete Asante e Cheikh Anta Diop, visitando, ainda, questões da ficção contemporânea com as contribuições de Agamben (2009) e Schollhammer (2009), assim como o lugar de fala, a voz e a letra da mulher na literatura marginal periférica, na concepção de Regina Dalcastagnè (2012) e Djamila Ribeiro (2017), as proposições de Antonio Candido (2000) e Beth Brait (2017), com relação à personagem, e os conceitos de literatura negro-brasileira nos estudos de Cuti (2010). Dessa maneira, a pesquisa foi pautada no prisma da análise bibliográfica e analítica, apontando para profusas possibilidades de olhares que recaem sobre a resistência e o protagonismo feminino negro, feminino negro, em um costurar de escrevivências, ou seja, em uma postura de insubmissão diante do “escrever, viver e se ver”, em um fazer literário, esteticamente negro, que vai amalgamando, simbolicamente, as relações entre memória, história e vivências que emanam da escrita evaristiana percebida ao longo do corpus narrativo analisado, numa literatura anunciada pela condição de mulher negra na sociedade brasileira.

  • FERNANDO ROBERTO ALVES JORGE
  • CAMINHANDO PELAS PÁGINAS DA LITERATURA: uma (re) leitura do patrimônio e das memórias de São Luís-Ma por meio da obra Litania da Velha de Arlete Nogueira

  • Data: 29/03/2019
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  • O presente trabalho pretende realizar um percurso pela história de São Luís-MA, por meio de um apanhado teórico abordando em especial a literatura enquanto fonte de representatividade dos sítios de memória locais da cidade, caracterizados como patrimônio, contribuindo assim para a ampliação de sua compreensão crítica enquanto objeto portador de significação social e histórica. A literatura dessa forma caracteriza-se como mecanismo de difusão de ideais e valorização de memórias do coletivo social. Em cada beco, rua ou Praça da cidade é possível vislumbrar as reminiscências da Literatura Maranhense, do que a historiografia e determinado grupo político-literário cunhou chamar de “Athenas Brasileira”. Defende-se assim que através de uma visão em
    paralaxe um olhar mais acurado sobre os discursos e conceitos que orbitam a temática patrimonialista faz-se necessário para um melhor entendimento sobre a quintessência da relação entre literatura e patrimônio. Caminhemos pelas páginas da literatura em busca desses diferentes pontos de vista. Tomando por base aspectos conceituais da memória coletiva de Halbwachs (1990, 2003), e de questões referentes ao discurso turístico que valoriza a capital maranhense enquanto um produto a ser comercializado, buscamos entender a relação dessas obras com casarões e espaços do Centro Histórico, por meio de um enfoque crítico pautado nas contribuições de Choay (2006) sobre tal temática. Dessa forma através de um estudo histórico da fundação, consolidação e desenvolvimento de São Luís, procuraremos vislumbrar as convergências com a genealogia patrimonial e sua representatividade na literatura, em especial na obra Litania da Velha da autora Arlete Nogueira que nos mostra uma face conhecida, mas por vezes ocultada por aqueles que priorizam os valores elitistas e clássicos em detrimento do conjunto cultural popular.

  • HERBET MICAEL ARAUJO
  • AS VANGUARDAS RESISTEM: A EXPERIMENTAÇÃO NARRATIVA EM OS DETETIVES SELVAGENS, DE ROBERTO BOLAÑO

  • Data: 08/07/2019
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  • A literatura contemporânea desfila por um panorama de transformações sócio-históricas rápidas e bastante sensíveis, refletindo-se em construções ficcionais com temáticas plurais e, outrossim, com amplos repertórios estilísticos que reproduzem a complexidade do mundo atual. Dentre os escritores recentes, o chileno Roberto Bolaño é uma novidade interessante no quadro dos latino-americanos das últimas décadas. Nos últimos anos, sua cotação entre os analistas literários tem crescido em ritmo progressivo. O seu romance Os detetives selvagens está em sintonia com o que pode haver de mais atual na ficção contemporânea. Assim, o presente trabalho tem por objetivo compreender como os experimentalismos vanguardistas que permeiam o romance bolañiano contribuem para o dinamismo e a versatilidade das narrativas contemporâneas. Dessa forma, o intuito desta pesquisa é, em outras palavras, analisar a ruptura das formas narrativas a partir de Os detetives selvagens, que se apresenta como um modelo interessante de experimentação, uma vez que os relatos de Bolaño despontam como uma amostragem consistente do relevo e das inovações que o romance adquiriu nas últimas décadas. O remodelamento linguístico, a ludicidade ficcional, os jogos expressivos nos relatos, a desconstrução e reconstrução dos blocos sintáticos e da linearidade narrativa são momentos diferenciados de uma literatura que contribuiu para muitas novidades do relato. Ao fim da pesquisa, observar-se-á o quão plural e inovadora é a prosa do escritor chileno e o modo como a experimentação narrativa dá fôlego ao fazer ficcional contemporâneo. A feitura deste trabalho é confeccionada através de uma pesquisa bibliográfica, tendo por base teóricos e críticos literários como Jozef (1989), Adorno (2007), Schollhammer (2007, 2009), Blanchot (2011), Perrone-Moisés (2016), dentre outros, além da significativa contribuições do próprio Bolaño por meio de entrevistas e ensaios.

  • IDINEA BEZERRA CORREIA
  • A RELAÇÃO DO TEMPO E DA MEMÓRIA NA CONSTRUÇÃO DA
    NARRATIVA “RABO DE FOGUETE - OS ANOS DE EXÍLIO”

  • Data: 05/08/2019
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  • Esta pesquisa buscou abordar os exílios gullarianos decorrentes dos regimes militares instalados nos países do cone sul pelos quais o poeta percorreu na condição de clandestino, com ênfase no Brasil. Nessa direção, procuramos identificar na obra Rabo de foguete – Os anos de exílio as implicações desse desterramento no que confere a tessitura de uma obra amplamente voltada aos relatos confessionais e exílicos, rememorados por meio da escrita com teor testemunhal. Sob o viés do tempo, a narrativa conta com uma tríade de vozes em que o poeta autoficciona-se em decorrência de um lapso temporal tão presente na Literatura Testemunhal e decorrente de um
    choque de proporções individual e coletiva. Desse modo, foram discutidos conceitos de memória na relação com a história e o tempo, bem como voltada para a rememoração do trauma a partir de Maurice Halbwachs, Éclea Bosi, Paul Ricouer e Michael Pollak; no que se refere às narrativas autoficcionais recorremos à Diana Klinger, Leyla Perrone-Moisés, Leonor Arfuch e Antonio Candido; quanto a Literatura Testemunhal voltada ao trauma e desterros valemo-nos de Selligmann-Silva e Denise Rollemberg; sobre o tempo que incide nessa narrativa Beatriz Sarlo e ainda Leonor Arfuch. Atrelada a perspectiva do tempo, posicionaremos a narrativa de Gullar em uma formação
    discursiva que lhe permite transitar nas filiações-históricas adquiridas no pós-trauma (Pêcheux).

  • IGOR PABLO MENDONÇA DUTRA
  • A POÉTICA ESPACIAL EM ZÉ RAMALHO

  • Data: 10/09/2019
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  • O presente trabalho fundamenta-se na pesquisa e análise da obra poética do paraibano Zé Ramalho. Foram eleitas composições dos discos Zé Ramalho (1978) Zé Ramalho 2 ou A peleja do diabo com o dono do Céu (1979), Terceira Lâmina (1981), Força Verde (1982) Orquídea Negra (1983), Pra não dizer que não falei de rock (1984), Cidades e Lendas (1996). O objeto de análise desta pesquisa foi escolhido a partir de leituras prévias e da identificação de recorrências do elemento espacial como um dos principais elementos estéticos da poética de Zé Ramalho. Para as reflexões teóricas usamos os trabalhos de Yi-Fu Tuan, Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente (2012) e Espaço e Lugar: a perspectiva da experiência (2013); de Gaston Bachelard, a obra A poética do Espaço (1993) e Água e os Sonhos (2018); de Maurice Blanchot, O Espaço Literário (2011) e O livro por vir (2005); e de George Perec, Espécies de Espaços (1999).

  • LAURA VIRGÍNIA TINOCO FARIAS
  • REPRESENTAÇÕES FEMININAS, IDENTITÁRIAS E MEMORIALISTAS NA OBRA “DOIS IRMÃOS” DE MILTON HATOUM

  • Data: 14/08/2019
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  • A presente pesquisa tem como objetivo analisar as questões referentes à representação feminina, identitária e memorialista especificamente em Dois Irmãos, obra do amazonense Milton Hatoum publicada em 1989. Objetiva-se analisar o romance em questão pela perspectiva dos estudos de gênero, memória coletiva e identidade. O referencial teórico que fundamentou este estudo compreende que o aspecto memorial que permeia o romance se enquadra na acepção de Maurice Halbwachs (2003) acerca da memória coletiva, a qual verifica o poder do convívio social na vida humana e no conceito do aspecto materialístico da memória feminina postulado por Michelle Perrot (1989). Se constituíram também como escopo teórico os estudos relacionados à identidade, com Bhabha (1998) e Hall (1999), bem como aspectos referentes a representação e discurso. O percurso metodológico aqui adotado parte para uma pesquisa bibliográfica e qualitativa que se constrói a partir de revisão teórica, sendo também na análise do aspecto literário do narrador, tempo e espaço no romance. A partir da análise dos registros das memórias femininas e dos demais personagens se torna possível compreender a materialização do universo simbólico da memória feminina. Este estudo irá em primeiro lugar discutir e apresentar reflexões acerca do autor com o universo amazônico, aspectos biográficos, recepção crítica, bem como sua importância no cenário da literatura contemporânea. Em seguida, o texto se volta para a análise dos estudos quanto a representação, memória e identidade relacionando-os com o romance e a literatura. Verificaremos ainda, como se dá a construção discursiva do narrador Nael, e de que forma são construídas as memórias das personagens femininas no decorrer do romance através da exploração do processo de descrição dos objetos e espaços que possibilitam a ligação entre o passado e o presente. Serão também abordados a estreita relação entre memória e identidade na composição das personagens femininas, analisando o universo destas, levando em consideração seus diferentes perfis inseridos em uma mesma sociedade, tomando como base teorias sobre o gênero e sobre o feminismo com os aportes de Scott (1989) e Beauvoir (1957). Acrescentam-se também as discussões sobre representação feminina e gênero com as contribuições de Silva (2015), dentre outros teóricos. Intenta-se com essas discussões proporcionar uma compreensão da representação feminina na obra de Milton Hatoum enfatizando as diferentes formas nas quais mulheres se portam como protagonistas e como se relacionam com os aspectos memorialísticos, identitários, culturais e históricos na escrita literária contemporânea.

  • LETICIA MAISA DA COSTA MACHADO MATOS DE CARVALHO
  • A PENA, AS IDEIAS E O COMBATE:

    Um olhar sobre as crônicas de Aluísio Azevedo para o jornal O Pensador (1880-1881)

  • Data: 31/07/2019
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  • Na quadra final do século XIX surgiu o jornal anticlerical O Pensador em São Luís, capital da província do Maranhão, publicado sob a direção de uma associação de jovens progressistas da qual faziam parte Aluísio Azevedo, que se mostrava manejador valoroso da pena, instaurando uma série de agressões à Igreja e à sociedade maranhense em geral. Suas ideias eram pautadas no discurso republicano, positivista, anticlerial e abolicionista. A imprensa apreendeu os principais debates que moveram a província e consequentemente, desempenhou uma discussão ideológica na comunidade ludovicense que foi viável desvendar a partir da leitura das crônicas de Aluísio para o jornal citado, sendo este o objetivo que norteou esta pesquisa.
    Verificou-se nesta investigação, que uma melhor compreensão da literatura advém de sua tomada em perspectiva histórica e utilizamos o jornal como fonte de memória para compreender a influência dessas correntes filosóficas que provocaram um momento de efervescência na imprensa, atacando de forma enfática a Igreja e o Estado. Visando possibilitar um olhar amplo acerca da pluralidade na escrita de Aluísio, por meio de sua pena
    combativa, ressaltam-se, no corpo do texto, registros do seu jornalismo literário, com o propósito de discutir o uso da literatura como prática política na construção da identidade maranhense em fins de Império.

  • MARCIA MARIA DA CONCEICAO DE CARVALHO
  • ÀS BORDAS DO LEITE DERRAMADO: As nuances veladas de Matilde

  • Data: 30/03/2019
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  • CARVALHO, Márcia Maria da Conceição de. Às bordas do Leite derramado: As nuances veladas de Matilde. São Luís: UEMA, 2019. Versão preliminar de dissertação (mestrado em letras). Universidade Estadual do Maranhão, Centro de Educação, Ciências Exatas e Naturais, Departamento de Letras. 100f.

    O presente trabalho versa sobre a construção da figura feminina, presentificada na personagem Matilde Vidal, da obra Leite Derramado (2009), de Chico Buarque, tencionando apresentar os elementos diegéticos e as estratégias narrativas que a alçam à relevância que a mesma assume dentro do discurso do narrador-personagem. Aborda a importância e a força da memória para o registro da própria história e constituição da identidade, bem como a relevância que a personagem em estudo também no âmbito das reminiscências do narrador. Abarca ainda as relações de opressão e preconceito que permeiam o romance, no qual impera o aspecto oligárquico de segregação e exploração das classes subalternas. Dessa forma, a intenção é perceber como tais jogos de dominação se apresentam na postura egoísta e preconceituosa adotada pelo narrador-personagem durante toda a narrativa, especialmente no tocante à sua relação com a esposa Matilde. O estudo também discorre sobre a inserção de Matilde em um contexto opressor marcado pelo patriarcalismo e os efeitos desse sistema em seu percurso narrativo, bem como as circunstâncias sócio-históricas determinantes para sua
    constituição e desfecho. Nesse intento, destacam-se os contributos teóricos de Pierre Bourdieu (2012) e Michel Foucault (1979) acerca das relações de poder calcadas na supremacia de gênero masculino sobre o gênero feminino, assim como as proposições de Simone de Beauvoir (1970), Andrea Nye (1995) e Virgínia Woolf (1928), além de estudos mais recentes acerca da Teoria crítica feminista, como as contribuições de Maria Rita Kehl (1998), Chimamanda Adichie (2014) e Márcia Tiburi (2018), tomando elementos da narrativa como ilustração, bem como elucidando de que maneira a personagem foco deste estudo se desvencilha deste contexto opressivo e toma as rédeas de sua condição feminina.

  • MARCIA MIRANDA CHAGAS VALE
  • A TESSITURA DO IMAGINÁRIO NA OBRA JUVENIL KAFKA E A BONECA VIAJANTE DE JORDI SIERRA I FABRA: uma perspectiva teórica de Wolfgang Iser

  • Data: 26/07/2019
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  • Almeja-se com esta dissertação compreender a atuação do imaginário e seu desenvolvimento para a composição e produção da verdade do enredo da obra juvenil Kafka e a boneca viajante (2009), de Jordi Sierra i Fabra, bem como intenciona-se dialogar e analisar o discurso ficcional da obra enquanto produto da autorrepresentação
    humana. Tomando-a como uma narrativa que elenca a transgressão de mundo ao ter como ponto de partida a construção de cartas imaginárias escritas pela personagem Franz Kafka, à menina Elsi, com intuito de fazê-la superar a dor da perda de sua boneca Brígida; encena-se uma viagem imaginária em que a imprevisibilidade dos acontecimentos possibilita uma tessitura metaficcional e desfragmentada. Tendo em vista as nuances da narrativa, a pesquisa propõe-se a problematizar o ato de criação da obra, partindo do pressuposto de que, Sierra i Fabra, inspirou-se na suposta experiência do escritor Franz Kafka, no ano de 1923, em Berlim na Alemanha, ao criar cartas para uma menina que havia perdido sua boneca, cartas estas, nunca encontradas. Desse modo, a pesquisa alicerça seu interesse em discutir o imaginário como elemento base de edificação do enredo, para tanto, assenta-se essa discussão sobre a concepção teórica de Wolfgang Iser (2013), de que os textos de ficção integram-se ao mundo dado, a partir da tríplice real, fictício e imaginário, entendendo que esses elementos aliam-se ao texto como perspectivas de uma antropologia literária. Atentando-se aos objetivos almejados, o trabalho articula-se diante de uma abordagem qualitativa e exploratória que parte de um levantamento bibliográfico teórico e crítico tendo como base Iser (2013), outros livros do teórico, O ato da leitura (1996, 1999) e a coletânea crítica literária de Rocha (1999); para mais, dispõe-se das referências de Lima (2006, 2007, 2009), Coleredige (2018), Sartre (1996, 2017), Castoriadis (2000), Eco (2002, 2017), Cassier (2011), Bateson (2000), entre outros, que contribuem com o corpus desse trabalho. Nesse intuito, apresenta-se Kafka e a boneca viajante, uma obra que se abre para encenação de um mundo figurado em que o fingir possibilita a condução do jogo imaginário, imprevisto, insólito, mas que traz uma leitura das verdades as quais não se alcançam, a não ser pelo percurso de um texto literário.

  • MARIA BETHANIA DE FIGUEIREDO MELO
  • DOS POSTS E VÍDEOS ÀS PÁGINAS DOS LIVROS: a atuação de blogueiros e youtubers no ciberespaço e a indústria do livro no Brasil

  • Data: 15/05/2019
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  • Em DOS POSTS E VÍDEOS ÀS PÁGINAS DOS LIVROS: a atuação de blogueiros e youtubers no ciberespaço e a indústria do livro no Brasil, pretendemos entender essa nova dinâmica assumida pelo mercado editorial brasileiro, assim como a participação de jovens “influenciadores digitais” no mercado do livro. A presente pesquisa considera a atuação de blogueiros e youtubers no ciberespaço por meio de suas redes sociais e, paralelamente a isto, a entrada destes internautas no universo da Literatura de Entretenimento, preenchendo um nicho mercadológico carente de publicações, a do consumidor adolescente, com a publicação de seus próprios livros, o que contribui de maneira significativa para a concretização do investimento na materialidade de conteúdos digitais. E, ainda, a relação entre seguidores/leitores que passam a consumir cada vez mais tudo que é publicado por seus “ídolos da internet”, o que por outro lado acaba estimulando a prática da leitura. O objetivo dessa investigação é, portanto, propor reflexões acerca desse novo movimento de produção textual impressa de autoria de jovens youtubers e blogueiros e, além disso, mergulhar pelos cibercaminhos para compreendermos as transfigurações pelas quais a indústria do livro impresso vem passando em tempos de sociedade digital. A fim de atingirmos os objetivos propostos nesta investigação, optamos por confeccionar como recurso metodológico um mapeamento de obras publicadas por influenciadores digitais entre os anos de 2015 e 2018. O aporte tóeirca da pesquisa concentra-se em Giorgio Agamben (2009), Zigmunt Bauman (2001), Manuel Castells (2001), Nicholas Carr (2011), Roger Chartier (1999), Tom Chatfield (2012), Pierre Lévy (2010), Perrone- Moisés (2016), Katherine Hayles (2009), Henry Jenkins (2008), dentre outros.

  • MICHELLE CALDEIRA DE SOUSA SILVA
  • O MERCADOR DE VENEZA VISTO PELO PRISMA DA LITERATURA
    POPULAR: Desvelando a tradição oral na obra de Shakespeare

  • Data: 11/03/2019
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  • A presente pesquisa tem como objetivo analisar os vínculos da tradição oral na obra ―O Mercador de Veneza‖, de William Shakespeare, oferecendo uma perspectiva de interpretação que permeia os aspectos da cultura popular. Pretende-se oportunizar a aproximação com a literatura shakespeariana, bem como ampliar conhecimentos que remetem à literatura oral, destacando a relação dos símbolos recorrentes nos contos populares ea figura feminina na tradição oral que compõe a essência dramática da peça. Para a construção teórica sobre Shakespeare, adotam-se como referenciais Heliodora (2014, 2008), Greenblatt (2011), Bloom (1998, 1994), Drakakis (2010) considerados especialistas do autor. A abordagem metodológica baseia-se na revisão bibliográfica e nos estudos comparados no que tange à análise sob os preceitos da tradição popular amparados em Candido (2006), Cascudo (2012), Burke (1986). Nesse sentido, o estudo estrutura-se em quatro capítulos que oferecem, primeiramente, um panorama introdutório a respeito do autor e da obra ora analisada; em seguida, a identificação dos vínculos da simbologia com o conto popular, as figuras femininas na tradição oral e, por fim, um demonstrativo da presença popular em outras obras shakespearianas. Assim, a propositura busca demonstrar que tanto obra quanto autor, estigmatizados como elitizados, são substancialmente populares e representam contribuição inconteste para as questões intrínsecas à natureza humana peculiar.

  • RAPHAEL FERNANDO DE OLIVEIRA SANTOS
  • POR QUE DEIXAR QUE O MUNDO LHE ACORRENTE OS PÉS? O nomadismo de Raul Seixas

  • Data: 26/07/2019
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  • Tomando parte da criação de Raul Seixas lançada nas décadas de 1970 e 1980, este estudo perscruta uma postura nômade que se propunha avessa a produções de subjetividade axiomatizantes. Para tanto, faz-se necessário interpretar imagens e metáforas que busquem desvelar estratagemas de uma produção de subjetividade dominante que age no balizamento das práticas e dos corpos, bem como identificar, nas suas práticas discursivas, como Raul 
    Seixas empreende linhas de fuga aos enquadramentos identitários, além de perscrutar sua postura diante da possibilidade de sua criação incorrer num mero reativismo passível de ser facilmente reterritorializado. Este empenho de análise transitará com maior ênfase nos caminhos abertos pelos arcabouços teóricos de Friedrich Nietzsche e dos pensadores franceses Michel Foucault, Gilles Deleuze e Felix Guattari, bem como de seus colaboradores e comentadores e, além de contribuir com o redimensionamento das investigações acerca da poesia e do pensamento patentes nas composições de Raul Seixas, ainda enseja participar de modo fecundo do realce e dilatamento da esfera conquistada pela canção, no âmbito dos estudos empreendidos pela crítica literária.
  • THALITA DE SOUSA LUCENA
  • ENTRE PERMANÊNCIAS E RUPTURAS: A CIDADE EM SEMPRE SERÁS LEMBRADA, DE JOSUÉ MONTELLO

  • Data: 15/03/2019
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  • Objetivamos com o presente trabalho analisar a representação da cidade na dialética entre tradição e modernidade em Sempre serás lembrada (1999), de Josué Montello. Pensar a cidade significa atribuir-lhe sentidos de existência humana, tais como relações de trocas, desejos, movimentos e uma substância de sucessivas dinamicidades – tanto
    dos indivíduos quanto dos espaços construídos. Nossa pesquisa está fundamentada na visão de Giddens (1991) e Berman (2007) no que se refere à modernidade, quanto à cidade, consideramos a visão de Pesavento (2002), Calvino (1990), dentre outros. Com a modernidade, tanto a cidade física quanto a social são impelidas a um vertiginoso ritmo de mudanças, de sorte que a vida e a experiência em sua conjuntura sofrem o impacto dessa nova realidade volúvel. Nas cenas literárias, é possível ler a cidade sob o signo desse processo, mas ainda apreendê-la pelas rememorações dos personagens, que nos informam o espaço urbano entre os fios do passado, que dá outros tons às ruas, praças, moradas e demais marcadores de referências. Suas vozes também testemunham a cidade sob o impulso do futuro, como as projeções de expansão, planejamentos de ambientes e tantos outros dados que apontam para a modernização.

2018
Descrição
  • ALESSANDRA FERRO SALAZAR CARO
  • A REPRESENTAÇÃO DO PODER NA DITADURA DE ODRÍA: ENTRELAÇAMENTOS ENTRE A LITERATURA E HISTÓRIA EM CONVERSA NA CATEDRAL

  • Data: 23/03/2018
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  • Esta investigação tem como objetivo analisar as representações de poder, dor e opressão na sociedade peruana, a partir dos entrelaçamentos entre a História e a Literatura, com foco na obra Conversa na Catedral (2013) do peruano, Mario Vargas Llosa, durante a ditadura do general Manuel Odría, período que ficou marcado pela restrição da liberdade, pela perseguição política e pela corrupção. Na narrativa, o autor discorre acerca do período opressor que angustiou o povo peruano. O sujeito abordado se apresenta cheio de dúvidas e procura se encontrar em meio ao caos em que o país estava vivendo; os personagens entrecruzam seus atos com o destino a degradação coletiva. Mesclando realidade e ficção, o escritor através da linguagem literária, apresenta os problemas que assolaram os peruanos na década de 1950. Na América Latina, os escritores da geração de Mario Vargas Llosa desenvolveram suas narrativas abordando temas do que ocorria próprio continente. O período ditatorial foi um dos temas mais abordados na literatura latino-americana do século XX. A literatura nos faz viver e reviver, no permite transportar a diversos lugares, vivenciar diferentes culturas, conhecer os costumes e permite que as lembranças sejam afloradas. Através das obras literárias, sobretudo, o romance, podemos recorrer ao passado para compreender e buscar soluções para os possíveis problemas do presente.

  • ANE BEATRIZ DOS SANTOS DUAILIBE
  • AUTOFICÇÃO E PERFORMANCE NA ESCRITA DE RICARDO LÍSIAS:
    uma leitura de Divórcio

  • Data: 04/05/2018
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  • A presente pesquisa tem como objetivo analisar a escrita autoficcional de Ricardo Lísias e o seu viés performático, especificamente no romance Divórcio (2013). Nossa hipótese é que, ao mesclar elementos autobiográficos e ficcionais, a escrita de Lísias expande-se para além do texto, utilizando outras esferas de significação que culminam na construção de uma performance do autor. A análise será à luz das discussões acerca das principais expressões da escrita de si: a autobiografia e a autoficção, refletindo criticamente sobre uma mudança de paradigma no que se refere a figura inter e extratextual do autor, na medida em que envolve um sujeito performático. O aporte teórico constitui-se das postulações de Lejeune (2014) e Arfuch (2010) acerca das questões autobiográficas; e de Doubrovsky (2014), Gasparini (2014) e Lecarme (2014), no que tange a autoficção. Acerca das discussões sobre a categoria autor, dispomos das considerações de Foucault (2002), Barthes (2004) e Schollhammer (2011). No tocante às discussões do autor enquanto um sujeito performático, Klinger (2012) e Sibilia (2016), dentre outros teóricos. Assim, buscou-se situar o autor Ricardo Lísias na prática autoficcional da literatura brasileira contemporânea, na qual cria um jogo de contradições próprio da autoficção, inserindo Divórcio em um novo patamar narrativo, aspecto que reconfigura a figura autoral e que nos move a sua investigação.

  • ERNANE DE JESUS PACHÊCO ARAUJO
  • A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE SERTANEJA NA OBRA POÉTICA INSPIRAÇÃO NORDESTINA DE PATATIVA DO ASSARÉ

  • Data: 24/04/2018
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  • Objetiva-se com este trabalho analisar a identidade sertaneja na obra Inspiração Nordestina (2003), de autoria de Patativa do Assaré, a partir dos conceitos de oralidade, memória e espaço. Para tanto, vale questionar se existe uma única identidade ou identidades sertanejas, que representações são formadas e quais sentidos são produzidos. Para responder esses questionamentos, o trabalho pauta-se em uma pesquisa qualitativa, de análise-crítica, fundamentado nos seguintes teóricos básicos: Zumthor (1993, 1997) para discutir oralidade, performance e voz; Hall (2014, 2015) para debater identidade como pluralidade, mudança e posição-de-sujeito, Woodward (2014) identidade como diferença e relação, bem como Albuquerque Júnior (2011) para discutir a identidade nordestina/sertaneja; a discussão da relação entre memória e identidade fundamenta-se em Halbwachs (2006) e Candau (2012); e Brandão (2013) para se compreender como o espaço (sertão) torna-se constitutivo da identidade sertaneja. No que tange às investigações acerca da vida e obra de Patativa do Assaré, conta-se com Carvalho (2000), Andrade (2004; 2008) e Romero (2011), além do documentário Patativa do Assaré - Ave Poesia (2007), de Rosemberg Cariry. Constatou-se que a oralidade imprime uma marca no sujeito poético que se utiliza da linguagem matuta para identificar-se como sertanejo; a memória, por sua vez, aciona as lembranças e recordações do eu lírico, recuperando as impressões que marcaram seu passado, convergindo no presente para constituir sua subjetividade. Já sertão (espaço) constitui-se como um lugar de referências para a voz poética.

  • EVERALDO DOS SANTOS ALMEIDA
  • O (DES)ENCOBRIMENTO DISCURSIVO DE JOÃO GRILO EM O AUTO DA COMPADECIDA.

  • Data: 20/04/2018
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  • O Auto da Compadecida não apresenta o teatro (ou a teatralização) da vida como um museu. Verdadeiramente, a obra sugere apresentar as múltiplas formas contemporâneas do teatro transformado como experiência imediata, oferecendo ao homem moderno dramas, encenações e métodos de direção que foram desenvolvidas ao longo dos séculos. O teatro é uma representação. É uma criação artística em que o povo e sua cultura ocupam um lugar especial na encenação. A realidade nordestina não reclama um lugar, um instrumento absoluto por meio do qual a realidade regional e cultura do povo seja o ponto mais importante da obra, mas a obra sugere utilizá-la como linguagem de se (re)pensar o espaço nordestino como ponto de concepções. O humor, entendido com qualquer mensagem expressa em atos, palavras, escritos, imagens ou músicas cuja intenção é provocar o riso ou um sorriso, é uma característica social que pode ser identificada em todos os períodos históricos, desde a Antiguidade. A palavra é um elemento naturalmente ideológico, e o discurso é capaz de trazer à tona esferas ideológicas presas no subterrâneo das ideias. O fato literário se interessa diretamente pelo discurso como elemento interativo, e a manifestação mais evidente dessa interatividade é a conversação, responsável pelos parceiros se vincularem à conversação como resultado de intervenções, mas nem todo discurso está vinculado à conversação, e a literatura é um espaço que envidencia essa realidade.

  • GILCIMARA COSTA FRAZÃO
  • A CONSTRUÇÃO DIALÓGICA DOS PERSONAGENS EM “MEIO SOL AMARELO”

    DE CHIMAMANDA ADICHIE

  • Data: 30/09/2018
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  • Seja por meio do resgate de suas memórias ou recriando literariamente os relatos dos que testemunharam ou do que foi testemunhado por outros, os escritores africanos contemporâneos constroem suas narrativas situando-as no contexto dos grandes marcos históricos de suas respectivas nações. Meio Sol Amarelo (2008) de Chimamanda Ngozi Adichie elege a Nigéria como palco de uma narrativa que reconstrói a guerra de secessão de Biafra. Classificada como pós-colonialista, essa obra traz, como novidade do gênero, o retrato da vida cotidiana dos civis. A obra apresenta três personagens principais: Olanna, Ugwu e Richard, sujeitos que se moldam, em prol de uma nação imaginada, na medida em que a Guerra avança. Busca-se, neste trabalho, compreender o processo de criação dialógica desses personagens por meio da análise, sob a perspectiva da crítica literária, dos discursos transmitidos na referida obra. Neste sentido, faz-se necessário uma abordagem dos estudos sobre “dialogismo” do pensador russo Mikhail Bakhtin (2015) além das contribuições (sobre o conceito de personagens e teoria literária) de outros autores como: Julia Kristeva (2012), Frye (2006), Antoine Compagnon (2010), Ana Maria Mafalda Leite (2014). Insere-se, também, nesta pesquisa, os estudos sobre o pós-colonialismo feitos por Ashcroft (2012), Fanon (2008), Kwame Anthony Appiah (2010) e as noções sobre identidade e diferença geradas com o surgimento do pós-estruturalismo, discutidos por Michael Peters (2010) e Stuart Hall (2016). Entende-se que a discussão referente ao dialogismo permite uma abertura do texto sobre o mundo. É nesse sentido que, em Meio Sol Amarelo, é possível perceber o posicionamento ideológico dos personagens centrais entrando em conflito com o universo heterodiscursivo da obra.

  • GISELLE VIEIRA PACHECO
  • A VOZ ENCLAUSURADA DE SÓROR JUANA INÉS DE LA CRUZ: um estudo de sua obra na leitura da Carta Atenagórica

  • Data: 25/04/2018
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  • A relevância deste estudo centraliza-se na leitura e análise da obra “Carta Atenagórica”, escrita pela monja mexicana, Juana Inés de la Cruz, em 1690; prosa crítica aguda ao Sermão do Mandato, de Padre Antônio Vieira, sobre as Sagradas Escrituras. Ambos descrevem seus discursos acerca da temática das finezas de Cristo, utilizam uma retórica teológica, amparada por uma apropriação e erudição clássica e bíblica, com metáforas complexas, que figuram as características do Barroco. Objetivamos fundamentar o questionamento: como, de fora do claustro, se expressa a voz enclausurada de sóror Juana Inés de la Cruz, em um contexto de forte repressão no Século XVII? Como apoio teórico, beneficiamo-nos da leitura de obras base como: Una Mujer en soledad: Sor Juana Inés de la Cruz, una excepción en la cultura y la literatura barroca, de Dario Puccini, e Las trampas de la fe, de Octavio Paz, entre outros. Ressaltamos que a referida obra, bem como a autora, transcendem sua época, referenciam a história e identificam-se com o presente, projetando-se para o futuro. Para Agamben (2012, p. 179), “a estética não é só um lugar reservado à arte pela sensibilidade moderna, mas o destino de arte, na época, em que o homem não consegue mais encontrar entre o passado e o futuro o espaço do presente”.

  • LAYSSA INGRID DA COSTA CARNEIRO
  • FESTA NO CÉU E OUTROS CONTOS: o simbólico e o plurifuncional das narrativas populares de Caxias - MA

  • Data: 20/04/2018
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  • A presente pesquisa apresenta uma proposta de estudo de oito narrativas que compõem o livro Festa no céu e outros contos (2012), organizado pela Professora Joseane Maia Santos Silva. As narrativas que compõem o livro foram coletadas durante o projeto de iniciação científica “Tecendo contos populares caxienses” que fomenta a preservação e valorização de narrativas orais, refletindo sobre a Literatura popular do Maranhão enquanto manifestação artística de valor histórico e formador da identidade brasileira. Partindo do problema “Quais as problematizações socioculturais presentes nos contos populares caxienses?”, propomos como objetivo central dessa pesquisa, analisar os contos populares coletados em Caxias – MA como possibilidade de construção de sentidos e de problematizações socioculturais a partir de seu caráter simbólico e plurifuncional. Para atingir esse objetivo, lançamos mão de uma pesquisa exploratória, bibliográfica de cunho qualitativa. No decurso desta dissertação, são realizadas considerações concernentes à importância social da Literatura popular e seu processo de formação, incluindo reflexões sobre o papel do contador de histórias e a importância da memória no processo de transmissão e salvaguarda das narrativas populares. Abordamos, também, as características e funções do conto popular, destacando seus aspectos conceituais e históricos. As ideias basilares que direcionaram o presente estudo estão fundadas em: Câmara Cascudo (2004, 2006), Antonio Candido (2000), Frederico Fernandes (2002, 2007), Walter Benjamin (1994), Paul Zumthor (1993, 2010), André Jolles (1976), Ricardo Azevedo (2006), Bia Bedran (2012), Jöel Candau (2011, 2013), Maurice Halbwachs (2006). Comprovamos, por meio do estudo do conto popular caxiense, que essas narrativas utilizam o simbólico para ensinar valores humanistas, como a bondade, respeito, alteridade, veicular a fé cristã, bem como priorizar a esperteza, condenando a força bruta e a violência.

  • MALTHUS GONÇALVES MEDEIROS PEREIRA
  • Reverdecer em si: a poesia da significação em Manoel de Barros

  • Data: 27/04/2018
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  • A obra Manoelina é tal que pode ser destacada em sua tarefa de redescoberta. Vislumbrar contempla aquilo que marcou o poeta, e que, representativamente, nos marcará. Este trabalho tem como objetivo maior a descoberta da inventividade do poeta como característica existencial, na perspectiva contraposta a um tempo de embotamento e entretenimento. Tal estudo tem como escopo os escritos de Octávio Paz (2012), Agamben (2015), Moretti (2014), Zubiri (2011) e, em especial, Todorov (2014). A ação de tornar-se o escritor apropriado ao exercício poético fez de Manoel de Barros mensagem, que precisa ser vista em seu anúncio de inutilidade, reinterpretada aqui como a característica divina da criação, a capacidade da invenção como possibilidade não apenas de texto, mas de recepção e percepção da realidade. A pesquisa e análise acabam por afunilar-se num estado de percepção da necessidade da experiência do absoluto, de um reverdecer.

  • MARIA APARECIDA CONCEIÇÃO MENDONÇA SANTOS
  • A LINGUAGEM PROIBIDA DOS ROMANCES NATURALISTAS: um estudo sobre o corpo e a sexualidade feminina nas obras O homem, de Aluísio Azevedo, e A carne, de Júlio Ribeiro

  • Data: 26/04/2018
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  • A presente dissertação, inicialmente, faz uma discussão acerca da potencialidade da literatura devassar por temáticas que evidenciam aspectos e situações que, por vezes, estão mascarados ou silenciados em uma determinada sociedade. Atrelado a isto, problematizou-se, por meio das obras O homem, de Aluísio Azevedo, e A carne, de Júlio Ribeiro, a peculiar capacidade da literatura revelar e recriar comportamentos e experiências de vida que, muitas vezes, orbitam em espaços secretos, solitários ou recolhidos. Para tanto, este estudo abordou de que forma o componente sexual foi retratado nos romances naturalistas, sobretudo nas obras supracitadas. Assim, na medida em que as protagonistas de O homem e A carne são delineadas em episódios de cunho erótico-sexual, buscou-se entender como tais obras promoveram o desnudamento do corpo e da sexualidade feminina. Concomitante a isto, intentou-se apontar e discutir como a representação do corpo e da sexualidade do sujeito feminino, elaborada por Aluísio Azevedo e Júlio Ribeiro, sugeriu o reflexo e a demarcação de um período no qual falar sobre sexo ou praticá-lo de forma descomedida, despertava o olhar de condenação dos leitores e críticos mais conservadores, assim como chamava a atenção dos mecanismos de controle que buscavam regular o corpo feminino. Ademais, este estudo abordou como os mecanismos de interdição e censura direcionados à repressão de comportamentos sexuais considerados perniciosos foram problematizados em O homem e A carne. Por fim, buscou-se enfatizar, ainda, como as obras supracitadas ao mesmo tempo em que suscitaram apreensões, críticas e olhares de reprovação a determinadas noções de feminilidade promoveram e viabilizaram a difusão dos novos discursos e olhares sobre o corpo e a sexualidade feminina.

  • PAULO EDUARDO OLIVEIRA SANTOS
  • O FAZEDOR: SOBRE A IRREALIDADE E O TEMPO. UMA LITERATURA FANTÁSTICA.

  • Data: 28/05/2018
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  • A literatura hispânica do século XX, é marcada por uma série de obras importantes como é o caso de Cem anos de Solidão de Gabriel Garcia Marques. Neste contexto, o chamado Boom Latino americano, reafirma uma literatura que se expande e ganha bastante visibilidade no mundo, principalmente na Europa, para onde estavam voltados os holofotes literários. É nesta circunstância, que obra O Fazedor (1960) do escritor argentino Jorge Luis Borges, aparece. A presente dissertação de mestrado objetiva investigar nos meandros dos textos que compõem essa miscelânea de narrativas e poemas à luz do fantástico como ocorre a irrealidade e como o tempo é concebido. O enfoque principal tange para um estudo em que o tempo é colocado em evidência. A partir desta ideia, analisamos vários textos de O Fazedor, com o intuito de experimentar tanto a irrealidade quanto o tempo. No final do trabalho elaboramos algumas propostas de leitura baseadas em metáforas: a do rio e a do quiasma ótico, nas quais e com as quais temos intenciona-se testar e dispor de um mecanismo que possa ajudar a entender certos textos da referida obra do escritor argentino.

  • RAYRON LENNON COSTA SOUSA
  • A REPRESENTAÇÃO FEMININA AFRODESCENDENTE NAS OBRAS INFANTO-JUVENIS DE ANA MARIA MACHADO E VALÉRIA BELÉM

  • Data: 27/03/2018
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  • A presente pesquisa tem como objetivo analisar as produções literárias infanto-juvenis contemporâneas, evidenciando o lugar das personagens afrodescendentes sobre novas perspectivas escritas, especificamente em Menina bonita do laço de fita (1986), de Ana Maria Machado, e O cabelo de Lelê (2007), de Valéria Belém. A análise será à luz das discussões sobre a identidade na pós-modernidade, refletindo criticamente sobre as contribuições dessas narrativas e protagonismos na formação do público leitor, no universo da leitura como formação social. Esta pesquisa classifica-se, segundo sua finalidade, como pesquisa teórico-bibliográfica, utilizando como metodologia a análise-crítica, caracterizada como explicativa. O aporte teórico constitui-se das discussões de Coelho (1991), sobre o contexto histórico da literatura infanto-juvenil, discussões essas ratificadas por Zilberman (2014), bem como as discussões sobre a formação e historiografia literária infanto-juvenil no Brasil, desde sua gênese. Acerca das discussões sobre identidade na pós-modernidade, dispomos das considerações de Hall (2006) e Castells (1999). Sobre as inter-relações entre afrodescendência, literatura e racismo, Fanon (2008), Duarte (2011), Candido (1999). No tocante às discussões de gênero, Beauvoir (1989), Butler (2003) e Zolin (2005), além das considerações sobre as dominações, Bourdieu (2002) e Fanon (2008), entre outros teóricos. Intenta-se que as discussões proporcionem uma compreensão das novas produções infanto-juvenis que trazem como protagonistas mulheres e afrodescendentes, cujo objetivo é a representação positiva das minorias étnicas na escrita literária contemporânea.
  • SARAH SILVA FRÓZ
  • COSTURANDO AS LEMBRANÇAS NOS (B)ECOS DA MEMÓRIA DE CONCEIÇÃO EVARISTO: VIDAS ENTRECRUZADAS

  • Data: 24/04/2018
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  • Em seus escritos, Conceição Evaristo recupera os espólios da escravização, as reminiscências do passado, ao mesmo tempo em que nos permite repensar a condição feminina, a partir das peculiaridades e especificidades da mulher negra, na busca pela edificação de sua identidade. Este trabalho propôs analisar a obra Becos da memória (2013), de Conceição Evaristo, e perceber como a memória se apresenta como elemento constitutivo de identidade no romance. Nosso foco recai sobre as memórias femininas, a fim de compreendermos como as categorias de gênero, raça e classe funcionam como mecanismos de segregação. A narrativa constrói-se a partir de fragmentos da memória da personagem Maria-Nova, que narra a trajetória de indivíduos que vivem em uma favela, os excluídos da teia social. A pesquisa é qualitativa, de cunho bibliográfico, fundamentada na visão de Michael Pollak (1989 e 1992), Stuart Hall (2003), Homi Bhabha (1998) e Eduardo de Assis Duarte (2006, 2007 e 2017) no que se refere a construção identitária atrelada às ferramentas mnemônicas pautadas na literatura afro-brasileira e, em relação às memórias femininas, nos fundamentamos em Emilene Souza (2011) e Cátia Cristina Maringolo (2014). A obra insere-se na categoria dos escritos Evaristinianos denominados de escrevivência. Percebemos como a personagem Maria-Nova evidencia as vivências, experiências e as histórias do que é ser uma mulher negra numa sociedade misógina, sexista e racista. Nesta pesquisa, adotamos aqui a terminologia literatura afro-brasileira, no que diz respeito aos escritos produzidos pelos negros a partir de um passado diásporico.

  • SAULO LOPES DE SOUSA
  • OBLIQUIDADE DO OLHAR QUE ESPIA:
    Sendas do narrador em Capitu

  • Data: 26/04/2018
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  • No trânsito da literatura, setor verbal, para o cinema e a televisão, campos audiovisuais, uma série de questões se abre ao debate, sobretudo referente aos incursos da adaptação. Nesse sentido, esta proposta de estudo desenvolve uma análise de Capitu (2008), microssérie dirigida por Luiz Fernando Carvalho a partir do romance Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis, a fim de se compreender o processo de figuração do narrador literário no produto televisual. Busca-se, portanto, verificar que recursos são empregados no intuito de se construir o fio narrativo da obra audiovisual. Por esse motivo, o caminho de leitura se pauta nos contributos teóricos herdados do dialogismo intertextual de Mikhail Bakhtin (2003 e 2012), Julia Kristeva (2011) e Gérard Genette (2010). Também são propostas reflexões sobre o complexo âmbito da adaptação, seus intercursos e meandros, sobretudo, pelo suporte teórico de Robert Stam (2006 e 2008) e Linda Hutcheon (2012). Trazem-se à baila, ainda, contribuições da Narratologia cinematográfica, a respeito da existência de uma instância narradora no cinema, para se poder pensar quais expedientes enunciativos são responsáveis pela comunicação da narrativa televisiva. Por fim, são analisadas cenas da microssérie no interesse de se apontar os mecanismos participantes da narração da história, bem como os sentidos produzidos, considerando-se a linguagem televisiva como multifacetada. Ao se refletir as características da narrativa de ficção televisiva no âmbito adaptativo, é possível compreender a especificidade da adaptação como um trabalho intertextual que resgata de forma criativo-interpretativa obras-fonte, além de se alagar as perspectivas teórico-analíticas que lidam com produtos ficcionais, em especial, cinema e televisão.

  • TALIA GABRIELLE SANTOS AZEVEDO
  • UM TANTO DE PANTEÍSMO EM A OSTRA E O VENTO

  • Data: 29/08/2018
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  • O presente trabalho tem por objetivo desenvolver o um tanto de panteísmo na obra A Ostra e Vento (1964) de Lopes. Para tanto, buscamos pelo teor das experiências da personagem Marcela com a Natureza. Esse um tanto de panteísmo aparece, a nosso ver, de modo problemático, em Criação e Técnica no romance de Moacir C. Lopes (1978) do crítico literário, Michael Fody, onde define o panteísmo de maneira controversa. O crítico pressupõe que só haveria panteísmo na obra se o ser humano fosse Deus o que não corresponde ao ponto de vista panteístico em que a identidade é entre Deus e Natureza. Esse trabalho de Fody nos exigiu um aprofundamento teórico, acerca da temática do panteísmo. Diante disso, buscamos apresentar a estrutura básica do panteísmo em sua dimensão teórico-conceptual a fim de esclarecer o que fica em aberto no referido trabalho de crítica literária. Para tanto apresentamos um breve panorama histórico da temática na história da filosofia e uma concepção de Natureza de cunho panteístico. Em seguida cunhamos, como categoria de análise a vivência de unidade desenvolvida por Régis Alain Barbier (2009) por entender que ela comporta a dimensão do panteísmo enquanto experiência. Partimos então, para o texto literário de Lopes identificando em várias passagens da obra literária em questão o teor das experiências da personagem Marcela com a Natureza. O resultado obtido mostra que, nesse teor, há o um tanto de panteísmo n’ A Ostra e o Vento. Dessa forma o encontro com A Ostra e o Vento nos proporcionou alguns diálogos: com a crítica literária através do trabalho de Michael Fody, com a filosofia através do panteísmo e entre panteísmo e literatura.

  • VANESSA CRISTINA SANTOS PEREIRA
  • “A ANTIGA CIDADE É UMA ILHA QUE SE DESFAZ EM SALITRE”: uma leitura do
    espaço em Compasso Binário, de Arlete Nogueira da Cruz

  • Data: 27/09/2018
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  • Esta pesquisa intenta analisar as ocorrências do espaço literário no romance Compasso Binário (1998) da autora maranhense Arlete Nogueira da Cruz. O estudo evidencia as imagens espaciais a fim de reconhecer a função do espaço dentro da narrativa, tendo como aporte teórico as definições propostas por Gaston Bachelard (2014) e as interpretações articuladas por Brandão (2013) e Borges Filho (2016). Problematizou-se a espacialidade na narração sustentando-se por meio de cotejos da teoria da literatura e dos estudos literários, além de incursões históricas e conceituais sobre o tema, de modo a destacar que o protagonismo do espaço na exploração literária ultrapassa a delimitações da Geografia, do composto físico, tendo em vista que o referido elemento tem caráter delimitador no que tange à existência da exegese, pois sem espaço não há narrativa. A leitura trazida pela pesquisa salienta o conceito de espaço e intenta materializá-lo por meio do recorte da interferência da rua, espaço aberto, público e de realizações infinitas; do hospital, dimensão fechada, de ordem sensível e símbolo de nascimento e/ou morte, ou ainda, salvação. A obra também mobiliza o espaço do bar como sítio de liberdade e exasperação, em congruência com outro palco narrativo, o bordel, na história a Pensão Carmen, espaço este que transcende como sendo de libertinagem e aprisionamento das personagens. A articulação da pesquisa buscou salientar, comportada dentro das considerações que Bachelard propunha, principalmente, a pertinência do elemento espaço para a construção literária, mas sobretudo, para o entendimento das questões humanas trazidas pelas personagens do romance. Ao mesmo tempo coube à pesquisa sublinhar a produção local estampada por Arlete Nogueira da Cruz, expandindo a ainda acanhada riqueza crítica e acadêmica acerca dos escritos arleteanos e, de modo geral, da literatura maranhense.

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