ACÚMULO DE CARBONO E DIVERSIDADE MICROBIANA DO SOLO COM APLICAÇÃO DE BIOMASSA EM SISTEMA DE ALEIAS
atributos do solo; leguminosas; microrganismos.
Conhecer a influência da biomassa de leguminosas de diferentes qualidades e os seus efeitos sobre os atributos químicos e biológicos do solo, assim como seu papel no aumento e estabilização da fração estável de C é primordial para promover o uso eficiente dos nutrientes em solos tropicais. O objetivo foi avaliar o efeito da adição de biomassa de leguminosas de diferentes qualidades nos atributos físicos, químicos e biológicos do solo e na produtividade de milho em sistemas de cultivo de aleias. O experimento foi conduzido, em 2023 e 2024, na área experimental da Universidade Estadual do Maranhão, em São Luís – MA, Brasil. O experimento foi realizado em blocos casualizados, em uma área total de 2.016 m2, com seis tratamentos e quatro repetições, resultante da combinação de duas leguminosas, formando os seguintes tratamentos: Leucena + Acácia (L+A); Leucena + Sombreiro (L+S); Gliricídia + Leucena (G+L); Acácia + Gliricídia (A+G); Sombreiro + Gliricídia (S+G) e Controle, sem aleias. As leguminosas foram podadas no período chuvoso a 50 cm de altura do solo, e a
biomassa pesada e igualmente distribuída no solo em todas as parcelas de cada tratamento. Foram avaliados os indicadores químicos (carbono orgânico total - COT, carbono orgânico particulado - COP e associado aos minerais – COAM), físicos (agregados, resistência a penetração e umidade) e biológicos (diversidade de bactérias, fungos e arqueas, quociente microbiano – qMIC e quociente metabólico – qCO2) do solo bem como a produtividade, nitrogênio da floração, maturação e grãos e matéria de raízes do milho. Os dados foram testados
para normalidade (Shapiro-Wilk e Kolmogorov–Smirnov) e homoscedasticidade (Bartlett test) previamente a análise de variância (ANOVA). Foi aplicado o teste de Tukey para comparação das médias das variáveis de cada tratamento ao nível de significância de 5%. Todas as análises estatísticas foram realizadas utilizando o software R Studio, versão 4.3.2 (2023). Para a comunidade de microrganismos do solo, foram avaliados a diversidade de bactérias, fungos e arqueas aos níveis de filo, gênero e espécie, por meio do sequenciamento de nova geração
(plataforma de sequenciamento MiSeq). As quantidades de bactérias, fungos e arqueas, foram avaliadas pelo número de cópias do gene 16 rRNA, ITS (18 rRNA). Foi realizado análise descritiva dos dados e calculados as porcentagens de cada comunidade em função do filo, gênero e espécie encontradas no solo. Foi estimado a diversidade alfa (Shannon, Simpson, Riqueza, Margalef e Pielou) e beta (dissimilaridade de Bray-Curtis) para fungos e bactérias. Os resultados mostraram que as biomassas de leguminosas influenciaram (P < 0,05) os índices ecofisiológicos qMIC e qCO2 e os teores e frações de carbono orgânico do solo (carbono orgânico total - COT, particulado - COP e associado aos minerais - COAM), porém sem influencia (P > 0,05) direta nos indicadores físicos (resistência a penetração, umidade e agregados) e nos parâmetros da cultura do milho (produtividade, nitrogênio na floração, maturação e grãos). As diferentes biomassas de leguminosas influenciaram os índices de diversidade alfa e beta da comunidade de microrganismos do solo. Enquanto a comunidade bacteriana manteve alta diversidade e estabilidade, em todos os tratamentos, a comunidade fúngica foi mais sensível à composição e à qualidade das biomassas. Houve maior influencia das biomassas de leguminosas na composição das comunidades fúngicas do solo.