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TRADUÇÃO E O DESEJO QUEER EM MAURICE
Esta dissertação analisa as relações entre tradução literária, heteronormatividade e visibilidade queer a partir do romance Maurice, de E. M. Forster (2005), e de suas traduções brasileiras realizadas por Marcelo Pen e Antonio Farinaci. O objetivo é investigar de que modo escolhas lexicais, estilísticas e paratextuais podem preservar, deslocar ou enfraquecer a construção do desejo homoafetivo, da subjetividade, da vergonha, do corpo e da intimidade no texto traduzido. A pesquisa fundamenta-se nos estudos da tradução, na teoria queer, na crítica feminista e na sociologia da tradução, com destaque para Walter Benjamin (2008), Lawrence Venuti (1995; 2019), Judith Butler (2018), Brian Baer (2021), B. J. Epstein e Robert Gillett (2017) e Marc Démont (2023). Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa, comparativa e interpretativa, baseada na leitura crítica do original e no cotejo de trechos selecionados das traduções brasileiras. A análise demonstra que as versões de Maurice não se reduzem a diferenças estilísticas, mas evidenciam formas distintas de lidar com a força queer do romance em português brasileiro. Conclui-se que traduzir Maurice é também disputar sentidos, memória e modos de reconhecer o amor entre homens, fazendo da tradução queer uma prática ética voltada à visibilidade de experiências historicamente marginalizadas.