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Invocação e Isolamento: A Estética do Folk Horror Estadunidense nas Obras
de Shirley Jackson
Shirley Jackson; Horror; Horror Folclórico; Isolamento.
O folk horror ou Horror Folclórico é um subgênero do horror associado a uma onda de
filmes das décadas de 1960 e 1970 na Grã-Bretanha, que usavam tradições do passado
europeu pagão como crítica ao conservadorismo e tradicionalismo ascendentes no país.
Essas narrativas, ambientadas no interior britânico, trazem comunidades isoladas
geograficamente e culturalmente, de modo que o progresso ético e tecnológico não as
alcança, escondendo rituais macabros e sacrifícios humanos como forma de perpetuação
de violências normalizadas por seu afastamento social e físico. Com a nova onda de
produções de Horror Folclórico de 2008 em diante, no entanto, o subgênero passou a se
expandir e se adaptar para um cenário globalizado e mais diversificado que as florestas
britânicas. Como, então, o Folk Horror se manifesta nas décadas posteriores e no
ambiente estadunidense? Através de uma abordagem qualitativa e bibliográfica, este
estudo investiga as características que o subgênero assumiu nos EUA através da análise
dos contos “The Lottery” (1948), “The Summer People” (1950) e “The Man in the
Woods (2014)” da autora estadunidense Shirley Jackson. A análise evidência uma
adaptação à história colonial do país, adotando qualidades próprias e expressões de
medo ligadas aos traumas de sua memória coletiva. O estudo se desenvolve através das
reflexões sobre folclore de Alan Dundes (2007) e Carlos Rodrigues Brandão (1984),
explorando a transmissão de medos e ansiedades históricas como herança cultural. Com
base em autores como Dawn Keetley (2023, 2024), Howard David Ingham (2023),
Alexandra Hauke (2020) e Adam Scovell (2017), discutimos a evolução do Horror
Folclórico no cinema e literatura, suas ondas formativas e suas reinvenções
contemporâneas, que rompem com o os padrões europeus e se expandem para contextos
internacionais. Através dos trabalhos de Noël Carroll (1993) e Jeffrey Jerome Cohen
(1996), evidencia-se que as tragédias do passado se tornam presentes no ser humano
contemporâneo, que precisa lidar com a realização de que o “monstro” não espreita
florestas, mas se alimenta de violências normalizadas e convive ao seu lado entre quatro
paredes.