FEIRA DE EMPREENDEDORISMO QUILOMBOLA DE BASE COMUNITÁRIA NO BAIRRO DA LIBERDADE: Uma análise a partir da Economia Solidária em São Luís /MA
Economia Solidária. Economia Popular. Quilombo Urbano. FEQULI. Trabalho Feminino.
A presente dissertação analisa a relação entre a Feira de Empreendedorismo Quilombola da Liberdade (FEQULI), localizada no Quilombo Urbano da Liberdade em SãoLuís/MA, e os conceitos de Economia Solidária e Economia Popular, tendo o trabalho como categoria central de análise. A pesquisa parte do reconhecimento de que o bairro da Liberdade certificado como quilombo urbano em 2019, é um território marcado por processos históricos de segregação socioespacial, racismo estrutural e precarização do trabalho, onde mulheres negra articulam estratégias de resistência e geração de renda por meio do artesanato, gastronomia cultura. A FEQULI surge como uma iniciativa autogestionária e itinerante, movida por laços de solidariedade, mas que enfrenta desafios como informalidade, falta de apoio estatal e dificuldade logísticas. A pesquisa contrasta a realidade da feira com os princípios da Economia Solidária defendidos por Paul Singer (autogestão, propriedade coletiva e transformação social) e os da Economia Popular, mais centrada na reprodução da vida e na complementação de renda em contextos de vulnerabilidade. Objetivo: O objetivo geral foi analisar como se configura a relação entre a FEQULI e a Economia Solidária a partir da categoria trabalho, investigando os desafios enfrentados pelas integrantes e
verificando quais serviços das políticas públicas estaduais (SETRES e CRESOL) chegam ou não a essas trabalhadoras. Metodologia: A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, fundamentada no Materialismo Histórico-Dialético, utilizando como instrumento de coleta de dados a entrevista semiestruturada. Foram entrevistadas oito integrantes da FEQULI (sete coordenadas e uma coordenadora), no período de dezembro de 2023 a junho de 2024, nos espaços de atuação da feira (bairro da Liberdade, Praça do Reggae e UFMA). Para garantir o anonimato, as entrevistadas foram identificadas por nomes de rainhas e líderes africanas. Os dados foram interpretados em diálogo com a literatura especializada e com a análise de documentos institucionais da SETRES e do CRESOL. Resultados: Os resultados indicam que a FEQULI é composta majoritariamente por mulheres autodeclaradas pardas ou pretas, que conciliam a feira com outras profissões e níveis variados de escolaridade. Embora as participantes valorizem a solidariedade e o acolhimento como aspectos centrais da feira, identificaram-se desafios significativos: falta de transporte próprio para levar mercadorias, ausência de apoio governamental efetivo, conflitos internos entre coordenação e coordenadas e desigualdade interna de recursos entre as artesãs (algumas com loja própria, outras sem condições básicas de produção). Quanto aos serviços da SETRES e do CRESOL, verificou-se que eles se limitam a um “assessoramento pontual” sem promover o crescimento sustentável dos empreendimentos. Conclui-se que a FEQULI não se enquadra nos moldes da Economia Solidária de Singer, mas opera como uma expressão da Economia Popular, articulando resistência, identidade e complementação de renda em um território marcado pela precarização e pelo racismo estrutural, indicando a urgência de políticas públicas que dialoguem efetivamente com essas trabalhado.