DO GADO Á SOJA: A OCUPAÇÃO SUL MARANHENSE E OS CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS NO PARQUE ESTADUAL DO MIRADOR.
conflitos socioambientais; Parque Estadual do Mirador; populações tradicionais
A presente pesquisa se propõe analisar os conflitos socioambientais que passaram a ameaçar as populações tradicionais posseiras no território Parque Estadual do Mirador, unidade de conservação de proteção integral criada por meio do decreto n° 7.641 de junho de 1980, que têm sido vítimas de uma forma violenta de ameaças por parte da expansão do agronegócio no seu entorno e das concordâncias tácita do estado, em promover um esvaziamento da unidade de conservação, bem como de reiteradamente afetar o modo de vida desses povos por meio de fiscalizações e instrumentos públicos que tem impactado suas formas de vivência, sobretudo, por meio de aplicações de sanções e controle. Nesse sentido, é oportuno esclarecer que a ocupação desse território é anterior a criação da unidade de conservação, que na década de 70 começava a vivenciar os primeiros conflitos com a chegada do agronegócio no sul maranhense, o que sobremaneira se potencializou com a criação do Parque Estadual do Mirador, que foi instalado sem qualquer consulta e participação prévia às comunidades, em mais de 70 povoados. Desse modo, a problemática que se pretende investigar se insere numa região de grande expansão do agronegócio no Maranhão, que tem como consequência a adoção do atual modelo de crescimento econômico, sobretudo do plantio da soja, que está integrada no corredor da
região do MATOPIBA, onde a unidade de conservação está inserida, e consequentemente o município de Mirador, maior detentor da área do Parque. Com isso, objetiva-se analisar o processo de ocupação histórico dessa região sul maranhense, e como isso contribui de algum modo para a instalação desses empreendimentos agrários, que no século XVIII, segundo as narrativas da época, vivenciaram um ciclo econômico do gado, o que propiciou a fundação da cidade de Pastos Bons. Assim, discute-se a história dessas populações tradicionais instaladas no interior da UC a partir de suas múltiplas representações, formas de vivências, modo de desenvolver suas atividades, relacionamentos, em contraposição ao modelo preservacionista e desenvolvimentista adotado pelo estado. Em relação aos procedimentos metodológicos adotados, realizou-se um conjunto de análises referente à documentos, instrumentos previstos no SNUC, já aplicados ao PEM, processos judiciais, mapas, imagens do google Earth e mapas, análises cartográficas, observações locais, entrevistas semiestruturas, consultas documentais em cartórios, notícias em sites, e ações realizadas pelo estado do Maranhão dentro da unidade, no intensão de identificar as tensões e conflitos em comento, entre os diversos atores, estado e populações, populações e o agronegócio.