OTIMIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DE MUDAS NATIVAS DA AMAZÔNIA COM USO DE BIOCHAR E FERTILIZANTE DE LIBERAÇÃO CONTROLADA
Biochar; Fertilizante de liberação controlada; produção de mudas; Amazônia
A recuperação de áreas degradadas na Amazônia representa um dos principais desafios para a conservação da biodiversidade, a mitigação das mudanças climáticas e a recomposição do potencial produtivo dos solos, que têm se exaurido em detrimento de processos antrópicos. Nesse contexto, a restauração florestal por meio do plantio de espécies nativas é uma estratégia-chave para recuperar áreas degradadas, aumentar o sequestro de carbono e restabelecer funções ecológicas importantes. O sucesso do reflorestamento depende principalmente da qualidade das mudas utilizadas, especialmente sob as condições limítrofes dos solos amazônicos. Dessa forma, o desempenho inicial das plantas na área em recuperação é fortemente influenciado pelo grau de desenvolvimento morfofisiológico das mudas no viveiro, sendo o sistema radicular um dos fatores principais para determinar a capacidade de estabelecimento em campo, responsável pela absorção de água, nutrientes e superação de estresses pós-plantio. Espécies florestais nativas amplamente utilizadas em programas de reflorestamento, como Cedrela odorata (cedro) e Dinizia excelsa (angelim-vermelho), apresentam elevada exigência nutricional durante o crescimento inicial, o que compromete sua sobrevivência no viveiro e no campo. Tecnologias como fertilizantes de liberação controlada (CRF) surgem como alternativa para aumentar a eficiência do uso dos nutrientes, reduzindo perdas por lixiviação e sincronizando o fornecimento nutricional com a demanda das plantas. No entanto, apesar das vantagens agronômicas, esses fertilizantes ainda possuem limitações relacionadas ao elevado custo de produção e à persistência da membrana de revestimento no ambiente. Paralelamente, o biochar (carbono negro) produzido a partir de resíduos de origem animal tem emergido como um insumo promissor para uso em substratos, pois pode ser fonte de macro e micronutrientes essenciais. Entretanto, ainda existem lacunas na interação do biochar com fertilizantes de liberação controlada em espécies florestais nativas. Diante disso, o presente estudo tem como objetivo avaliar o efeito de biochar produzido a partir de resíduos de origem animal (esterco bovino) pirolisado a 300 °C por 3 horas, isolado e em consórcio com fertilizante de liberação controlada (Basacote®), sobre o desenvolvimento inicial e a qualidade de mudas de Cedrela odorata e Dinizia excelsa em ambiente de viveiro. Hipotetiza-se que o biochar produzido a partir de esterco bovino possa atuar como fonte complementar ou substitutiva de nutrientes em relação ao fertilizante de liberação controlada, contribuindo para a mitigação de deficiências das espécies estudadas, e que, quando combinado ao fertilizante, possa aumentar a eficiência do uso dos nutrientes e reduzir os custos de produção de mudas.