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ENTRE O SER E O ESPAÇO: um estudo topoanalítico em As Águas do
Mundo, A Mensagem e O Grande Passeio, de Clarice Lispector
espaço literário; subjetividade; topoanálise; Clarice Lispector; Felicidade
Clandestina.
Esta dissertação analisa de que modo o espaço literário, concebido como categoria estética e
crítica, atua na constituição das subjetividades das personagens nos contos As Águas do Mundo,
A Mensagem e O Grande Passeio, integrantes da coletânea Felicidade Clandestina (1998), de
Clarice Lispector. O estudo fundamenta-se na perspectiva topoanalítica para investigar como o
ambiente narrativo deixa de ser um elemento passivo para tornar-se um componente ativo,
capaz de refletir sentimentos de alienação, opressão e vulnerabilidade. O arcabouço teórico-
metodológico baseia-se na topoanálise de Ozíris Borges Filho (2007), na Poética do Espaço de
Gaston Bachelard (2000) e na geografia humanística de Yi-Fu Tuan (2015), articulando
conceitos como topofilia, topofobia e as noções de espaços homólogos e heterólogos. A análise
das obras revela que, em As Águas do Mundo, o mar atua como um espaço fluido e homólogo
que promove uma transformação ontológica na protagonista ao espelhar sua interioridade. Em
A Mensagem, a casa e o ambiente urbano configuram-se como espaços heterólogos que
expressam a angústia, o estranhamento e a incomunicabilidade das personagens diante da
normatividade social. No conto O Grande Passeio, a espacialidade do abandono e da
invisibilidade social evidencia o desenraizamento e a condição de não-lugar de uma
personagem marginalizada pela cidade indiferente. Conclui-se que a ficção clariciana
reconfigura o espaço como operador estético e filosófico, no qual a subjetividade e a felicidade
se inscrevem sob o signo da clandestinidade, habitando zonas liminares, instáveis e
fragmentadas da existência.