| Telefone/Ramal: | Não informado |
ENTRE A FERIDA E O OLHAR: violência de gênero e fotonarrativa em
Mulheres Empilhadas, de Patrícia Melo
Mulheres Empilhadas; Violência de gênero; Fotonarrativa.
Esta dissertação analisa o romance Mulheres Empilhadas (2019), de
Patrícia Melo, cuja narrativa literária representa a violência de gênero como uma
prática estrutural, reiterada e historicamente naturalizada. A obra constrói um
enredo marcado pela recorrência de cenas narrativas de feminicídio e de
diferentes formas de agressão contra mulheres, nas quais o corpo feminino é
representado como espaço simbólico de violação, controle e silenciamento.
Parte-se da compreensão de que a violência de gênero, no romance, não se
apresenta como um acontecimento isolado, mas como uma linguagem social
que atravessa relações afetivas, instituições jurídicas e estruturas simbólicas do
patriarcado. A narrativa organiza essas violências por meio de cenas
fragmentadas e impactantes, que produzem efeitos de visualidade e aproximam
o texto de uma lógica imagética. O conceito de fotonarrativa é empregado para
designar esse procedimento narrativo, no qual recursos como enquadramento,
repetição e efeito de choque orientam a experiência de leitura, mesmo na
ausência material de imagens. O objetivo geral da pesquisa é analisar como o
romance Mulheres Empilhadas, de Patrícia Melo, constrói a representação da
violência de gênero na fronteira entre o real e o ficcional, produzindo efeitos de
imagem e visualidade por meio da linguagem narrativa. Metodologicamente, o
trabalho organiza-se em três capítulos interligados, articulando um referencial
teórico interdisciplinar que dialoga com Silvia Federici, Pierre Bourdieu, Rita
Segato, Roland Barthes e Judith Butler, entre outros.