A TESSITURA MEMORIALISTICA EM O SEGREDO DA CHITA VOADORA, DE MÁRCIA EVELIN: FIOS QUE CONTAM HISTÓRIAS.
Literatura infantojuvenil. Cultura. Símbolo. Pertencimento. Márcia Evelin.
A Teoria da Memória, nos estudos literários, é um instrumento fundamental para compreender de que modo as narrativas rememoram e atualizam experiências culturais e simbólicas. Partindo do questionamento sobre como o tecido chita é representado em O Segredo da Chita Voadora (2017), de Márcia Evelin de Carvalho, a presente pesquisa teve por objetivo analisar de que maneira a representação simbólica da chita na obra articula memória, cultura popular e ancestralidade na literatura infantojuvenil. Os objetivos específicos consistiram em investigar a origem, circulação e ressignificação do tecido chita, com ênfase em sua trajetória histórica e sua inserção cultural no contexto brasileiro, além de revisar fundamentos teóricos da memória em suas dimensões individual, coletiva, social, cultural e ancestral, estabelecendo o aporte conceitual necessário para a leitura crítica da obra, e, ainda, examinar de que modo o tecido atua como dispositivo de memória na narrativa. A obra, ambientada no sertão nordestino e protagonizada por uma jovem negra cuja jornada é atravessada afetivamente pela chita, apresenta tessituras memorialísticas que ultrapassam o plano ficcional ao incorporar elementos ligados à memória coletiva, à ancestralidade e ao pertencimento cultural. A metodologia apresenta-se como de abordagem temática, histórica, qualitativa e natureza aplicada, sendo uma pesquisa bibliográfica, descritiva, analítica e exploratória. Sua fundamentação decorre, principalmente, dos estudos de, entre outros, autores como Halbwachs (2006), Bosi (1979), Sarlo (2007), Nora (1993), Jung (2002, 2016), Hunt (2010), Coelho (2000, 2003), Zilberman (2014) e Durand (2012), articulando, assim, a memória à literatura infantil e aos símbolos. Os resultados demonstram que a chita é utilizada na narrativa de Márcia Evelin de Carvalho como dispositivo simbólico, afetivo e ancestral da memória, contribuindo para a valorização da cultura afro-brasileira e para a construção de um imaginário infantil mais plural, no qual uma memória que resiste em ser apagada se eleva.