RESIDUALIDADE E IMAGINÁRIO EM CANÇÕES DE CATULO DA PAIXÃO CEARENSE
Arquétipos, Imagem, Memória, Residualidade.
O cantor e compositor maranhense Catulo da Paixão Cearense é um ícone da música popular brasileira e teve papel preponderante na disseminação da cultura nordestina, o qual se faz presente ainda hoje na memória do povo brasileiro. É nesse campo da memória que a presente pesquisa se apoia. Busca-se o imaginário, representações imagéticas da memória, e resíduos culturais nas canções Luar do Sertão (1996), Cabocla do Caxangá (1913) e Flor Amorosa (1977), de Catulo da Paixão Cearense. No que respeita a produção musical, é importante ressaltar que, enquanto campo simbólico, constitui-se em um espaço cruzado por distintas interfaces, entre elas a Literatura, a História, o Imaginário e a Memória. Esta é uma pesquisa teórica de teor antropológico e literário, cuja pretensão é abordar as estruturas imaginárias em algumas canções de Catulo da Paixão Cearense, tendo como suporte teórico-metodológico a Antropologia do Imaginário, de Gilbert Durand (2002), a Fenomenologia das Imagens Poéticas, de Gaston Bachelard (1993), o Lugar da Memória, de Pierre Nora (1993), o Sagrado e Profano, de Mircea Eliade (1991), a Teoria da Residualidade, de Roberto Pontes (1999) e, como suporte no campo musical, tem-se Josué Monteiro (2019), Andrade (1980), Araújo (1963) e Tinhorão (2006). Deste modo, o que se constata de forma mais imediata é que as cantigas de Catulo da Paixão Cearense apresentam resíduos de características de períodos literários, como: 1 - Nacionalismo, saudosismo, exaltação à natureza e idealização, semelhantes aos do Romantismo brasileiro (1836); e 2 - Declaração amorosa, semelhante à do Trovadorismo português (1189/1198). Acerca do imaginário, é possível observar, por exemplo: 1 – imagens arquetípicas do regime diurno e noturno nas canções de Catulo; e 2 – o imaginário do homem nordestino. Por fim, nota-se que a formulação das canções estabelece uma relação com a estrutura antropológica da imagem na identificação de arquétipos e de resíduos que conversam com outras épocas literárias.