Interseccionalidade decolonial; Escrita feminina negra; Romance contemporâneo; Literatura maranhense.
Partindo do interesse em analisar como a escrita poética de Carvalho (2018), em Quem é essa mulher?, através da escolha intencional do gênero epistolar articula uma interseccionalidade decolonial, constituindo-se como prática de resistência e reexistência de mulheres negras maranhenses no campo literário contemporâneo, esta pesquisa em andamento visa analisar o romance da autora, à luz de referenciais teórico-literários e decoloniais, visando compreender como a obra articula corpo, memória e território como eixos centrais de resistência e reexistência. Os objetivos específicos incluem: Investigar de que forma a noção de interseccionalidade decolonial se articula teoricamente com a crítica à colonialidade do saber e à invisibilização de vozes negras femininas no campo literário; Explorar os dispositivos poéticos e discursivos utilizados por Milena Carvalho a partir do gênero epistolar para construir uma escrita de resistência e reexistência em Quem é essa mulher?; Compreender como a obra tenciona estereótipos e hegemonias discursivas sobre raça, gênero e classe especialmente no contexto maranhense; Explorar como o gênero epistolar e o dialogismo presentes no romance Quem é essa mulher? contribuem para a construção de uma escrita crítica e insurgente, capaz de tensionar as estruturas hegemônicas e afirmar outras possibilidades de existência e enunciação. O problema central que orienta a pesquisa é: De que maneira a escrita poética de Milena Carvalho, em Quem é essa mulher?, mobiliza uma interseccionalidade decolonial para tensionar os silenciamentos epistêmicos impostos às mulheres negras no contexto da literatura maranhense contemporânea? A metodologia adotada ancora-se na pesquisa bibliográfica e na análise interpretativa de base qualitativa, com ênfase no entrecruzamento entre teoria literária (Antonio Candido, Bakhtin, Barthes, entre outros) e pensamento decolonial (Lélia Gonzalez, Maria Lugones, Sueli Carneiro, bell hooks, Patricia Hill Collins). O trabalho encontra-se em andamento, com resultados parciais indicando que a narrativa de Quem é essa mulher? opera como espaço de disputa simbólica, onde vozes negras femininas reconfiguram os limites do discurso literário e epistêmico dominante.