Discurso, Poder e Transgressão em Crônica da Casa Assassinada, de Lúcio Cardoso
Poder; Casa; Michel Foucault; Lúcio Cardoso.
Partindo do interesse em compreender as formas como o poder se manifesta nas relações humanas e como o discurso literário pode revelar, tensionar e resistir a essas estruturas, esta dissertação analisa o romance Crônica da Casa Assassinada (1959), de Lúcio Cardoso, a partir dos conceitos de poder, discurso e transgressão desenvolvidos por Michel Foucault. A pesquisa propõe compreender de que maneira as relações de poder se manifestam na dinâmica familiar dos Meneses e como os mecanismos disciplinares, discursivos e morais atuam na constituição das subjetividades das personagens. Desse modo, o trabalho adota metodologia qualitativa, analítica e bibliográfica, buscando aporte nas contribuições teóricas de Barros (2002), Bachelard (2000), Revel (2005), Foucault (2009, 2014, 2023), entre outros. A Casa, enquanto espaço simbólico e físico, é entendida como metáfora do controle e do confinamento, lugar onde se consolidam hierarquias e práticas de vigilância que estruturam o cotidiano e a moral dos indivíduos. A análise evidencia que, em Crônica da Casa Assassinada, o poder não se apresenta apenas como repressão, mas como rede produtiva que organiza saberes, comportamentos e verdades. O estudo conclui que a obra de Cardoso constrói, por meio da ruína dos Meneses e da destruição material e alegórica da Casa, uma narrativa sobre os limites do sujeito diante do poder e sobre as possibilidades de subversão e resistência inscritas no discurso e na transgressão.