ENTRE O TEXTO E O PÍXEL: uma análise ludo-literária de Fran Bow e sua
construção enquanto espaço e cibertexto ergódico
Ergódico; Fran Bow; Espacialidade; Videogame; Cibertexto.
Esta dissertação investiga a natureza ludo-literária do videogame Fran Bow (2015), do estúdio Killmonday Games, sob a ótica da literatura digital e dos Game Studies. O foco recai sobre a construção dos espaços enquanto obra cibertextual ergódica e a sua interlocução com a agência do leitor/jogador nesse processo. A fundamentação teórica
articula os conceitos de cibertexto e ergodicidade de Espen Aarseth (1997), a narrativa no ciberespaço de Janet Murray (2003), a teoria dos jogos literários de Astrid Ensslin (2014) e as reflexões de Mikhail Bakhtin (2003) sobre gêneros discursivos. Para a análise da espacialidade, recorre-se à trialética do espaço de Henri Lefebvre adaptada por Stephan Günzel (2019), à geografia humanista de Yi-Fu Tuan (1983) e à fenomenologia do habitar virtual proposta por Daniel Vella (2019). Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como um estudo qualitativo de natureza analítico-interpretativa, pautado na análise fílmico-lúdica e bibliográfica. Os resultados demonstram que a progressão em Fran Bow exige um esforço não trivial do interator, cujas funções de travessia operam em uma rede de scriptons que configuram a narrativa. Conclui-se que a obra se estabelece, enquanto jogo literário, como um gênero discursivo secundário sofisticado que expande as fronteiras entre o que é lúdico e literário.